Universidade de Coimbra “condena todos os atos de assédio sexual, moral ou outros”

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O reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, condenou hoje todos os atos de assédio sexual, moral ou outros, deixando a garantia de que terá sempre “tolerância zero” em relação a estas matérias.

“A Universidade de Coimbra, em abstrato e em geral, condena todos os atos de assédio sexual, moral ou outros. Temos os nossos mecanismos internos para trabalhar e para evitar, ou pelo menos para detetar e para condenar, o que tiver de ser condenado”, alegou.

À saída de uma cerimónia que assinalou esta tarde, em Coimbra, os 54 anos da Crise Académica de 1969, promovida pela Associação Académica de Coimbra (AAC), Amílcar Falcão evidenciou que, “até ao momento, não tem havido grandes denúncias” e que terá sempre “tolerância zero” em relação a estes casos.

“Ainda há pouco, no discurso que fiz, elogiei a criação do canal de denúncia na Associação Académica de Coimbra, que penso que é um passo em frente em relação a outras instituições. Ou seja, a nossa associação de estudantes tem o seu próprio canal de denúncia e penso que isso é saudável: é mais um canal que existe e que passam os estudantes a poder utilizar”, referiu.

À agência Lusa, o reitor da Universidade de Coimbra destacou que existem também “outros canais internos com bastante independência, como é o caso da comissão de trabalhadores”.

“Mas, seja como for, todos os canais são poucos para que nós possamos detetar e, dentro do possível, evitar que este tipo coisas possam acontecer na academia. Presumo que não será possível evitar sempre, mas, pelo menos, quando forem apanhados, nós estaremos cá para condenar de forma séria”, sustentou.

Questionado diretamente sobre os alegados casos de assédio no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão escusou-se a tecer qualquer comentário.

“Primeiro porque o CES é uma entidade autónoma juridicamente da Universidade e, portanto, não tenho jurisdição sobre o CES. Por outro lado, porque o próprio CES já desencadeou um conjunto de mecanismos no sentido de averiguar a situação”, justificou.

Três investigadoras que passaram pelo Centro de Estudos Sociais denunciaram situações de assédio e violência sexual num capítulo do livro intitulado “Má conduta sexual na Academia – Para uma Ética de Cuidado na Universidade”, publicado pela editora internacional Routledge.

As autoras do capítulo, a belga Lieselotte Viaene, a portuguesa Catarina Laranjeiro e a norte-americana Myie Nadya Tom, estiveram no CES, como, respetivamente, investigadora de pós-doutoramento (com uma bolsa Marie Curie) e estudantes de doutoramento.

Os investigadores Boaventura Sousa Santos e Bruno Sena Martins acabaram por ser suspensos de todos os cargos que ocupavam no CES, até ao apuramento das conclusões da comissão independente que a instituição está a constituir para averiguar as acusações de que são alvo.

Após surgirem notícias sobre o capítulo, os dois investigadores negaram todas as acusações.

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