19 Junho, 2024

Grécia quer novo acordo com a Turquia para evitar aumento de migrantes

O ministro grego da Migração e do Asilo, Dimitris Kairidis, defendeu que a União Europeia deve chegar a um novo acordo com a Turquia para evitar o aumento do fluxo de migrantes ilegais na Europa.

© D.R.

Em declarações ao diário alemão Bild, o ministro argumentou que o número crescente de migrantes que chegam ao seu país tem origem na Turquia e apelou à Alemanha para mediar o estabelecimento de um novo acordo.

A Turquia ocupa uma posição-chave no combate à migração irregular, uma vez que os migrantes utilizam predominantemente a rota do Mediterrâneo Oriental na sua tentativa de chegar aos países europeus, disse Kairidis.

“Queremos desenvolver uma melhor cooperação com a Turquia, especialmente no que diz respeito à migração. Acredito que juntos, podemos combater melhor a migração irregular”, referiu.

Observando que Ancara e Berlim têm uma relação próxima em várias vertentes, o ministro grego defendeu que Berlim “alavanque a sua influência para benefício de todos” e “exorte a Turquia a negociar um acordo honesto que permita reconstruir as relações da Turquia com o Ocidente e a Europa”.

O Ministério do Interior turco confirmou recentemente a sua colaboração com o Reino Unido para combater a migração ilegal, revelando um novo acordo para partilha de informações, particularmente no combate aos traficantes de migrantes.

“Na luta contra a migração irregular e os traficantes de migrantes, que é um problema global, estamos a manter conversações bilaterais com os países de origem, trânsito e destino da migração, incluindo o Reino Unido”, afirmou o ministério de Ancara em 10 de agosto.

Durante as últimas décadas, a Grécia tem sido um dos pontos de entrada para a União Europeia mais utilizados por pessoas oriundas do Médio Oriente, África e Ásia, que fogem de conflitos ou de situações de pobreza e que procuram melhores condições de vida na Europa.

Mais de 14 mil pessoas chegaram à Grécia por terra e mar este ano, segundo dados das Nações Unidas, o que representa cerca de um décimo do total de travessias bem-sucedidas do Mediterrâneo, a maioria das quais — cerca de 104 mil — teve como destino a Itália, outro país que está na chamada “linha da frente” no que diz respeito à imigração irregular.

A Grécia é abrangida pela rota do Mediterrâneo Oriental, normalmente efetuada entre as costas turcas e as ilhas gregas.

A Turquia e várias organizações não-governamentais (ONG) acusam a Grécia de efetuarem repatriamentos forçados e imediatos (processo designado como ‘pushback’) de migrantes em situação irregular.

De acordo com dados oficiais de Ancara, entre 2014 e 2022, um total de 1,8 milhões de migrantes indocumentados foram intercetados na Turquia, 35 dos quais eram cidadãos do Afeganistão.

Em 2016, Bruxelas e Ancara assinaram um acordo segundo o qual todos os migrantes que chegassem da Turquia às ilhas gregas de maneira irregular seriam devolvidos à Turquia. Por cada sírio que regressasse, outro seria recolocado na UE.

Em troca, Bruxelas prometeu dar a Ancara 6 mil milhões de euros para ajudar a acomodar os sírios, além da liberalização de vistos para cidadãos turcos.

Agência Lusa

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