Zero pede encerramento do aeroporto de Lisboa por prejuízos devido ao ruído

associação ambientalista Zero pede o encerramento urgente do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, que, de 2015 até agora, apresenta um prejuízo acumulado da exposição ao ruído na saúde das pessoas de quase nove mil milhões de euros.

©facebook.com/tapairportugal

“A Zero espera que, na sequência da Avaliação Ambiental Estratégica em curso, se inicie a contagem decrescente para o encerramento urgente e definitivo do Aeroporto Humberto Delgado, acabando de vez com os seus custos sociais incomportáveis”, afirma a associação num comunicado hoje divulgado.

De acordo com a organização não governamental (ONG), esses custos “dariam para pagar, pelo menos, dois novos aeroportos em local adequado com o menor impacto possível sobre a saúde humana”.

“Os custos aproximados acumulados neste período de 07 anos e 10 meses, a preços correntes, são superiores a 8.750 milhões de euros, o que significa, excluindo os anos de pandemia em que a atividade aeroportuária foi atípica, que estamos perante um prejuízo de cerca de 1.300 milhões de euros por ano, o que equivale a mais de 3,5 milhões de euros por dia”, indica.

A estimativa revelada pela Zero para o total de 24 horas diárias foi feita através de um contador no seu ‘site’ (https://zero.ong/) que mostra em tempo real o prejuízo acumulado da exposição crónica ao ruído nas pessoas desde 2015, quando o aeroporto deveria ter encerrado, segundo o parecer de 2006 da Comissão de Avaliação Ambiental do plano de desenvolvimento daquela infraestrutura.

A ONG adianta que o excesso de ruído tem impacto em 380.000 habitantes de Lisboa, Loures e Almada.

“A exposição prolongada ao ruído de aviões nas áreas afetadas da grande Lisboa tem várias consequências adversas na saúde, desde logo distúrbios do sono, interferindo na qualidade e na quantidade de descanso necessário para um funcionamento saudável do organismo”, observa a Zero.

Também faz aumentar os níveis de stress e contribui para problemas cardiovasculares, como hipertensão e doenças cardíacas, bem como prejudica a saúde mental, podendo levar a distúrbios de ansiedade e depressão.

A Zero recorda ainda que o ruído dos aviões tem impacto no mercado imobiliário de Lisboa e Loures.

“(…) Imóveis próximos do aeroporto ou debaixo da rota de voos têm em geral preços mais baixos em comparação com as restantes áreas da cidade. Esta subvalorização do património imobiliário terá custado 167 milhões de euros em 2019”, explica.

Na análise da Zero, o custo social foi quantificado através de uma metodologia presente em estudos internacionais e que se auxilia em “relações dose-efeito” da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Foram quantificados os custos associados às perturbações do sono, incomodidade, cardiopatia isquémica, hipertensão, perda de produtividade e subvalorização do património imobiliário – estes dois últimos fatores não foram avaliados pelo grupo de trabalho para o estudo e avaliação do tráfego noturno.

“A Zero estima que os custos do ruído do Aeroporto Humberto Delgado, quando calculados ao abrigo das recomendações da OMS, saiam significativamente agravados face aos custos apurados, de acordo com a legislação nacional”, frisou.

A associação lembra que, quando o aeroporto encerrar, “somará várias dezenas de milhões de euros em prejuízo irrecuperável para os cidadãos afetados”.

Últimas do País

A presidente do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) acusou a ministra da Saúde de não cumprir a promessa sobre o INEM, referindo que o instituto está com menos de 30 médicos no quadro quando estão previstos 70 lugares.
A Polícia Judiciária (PJ) deteve uma mulher com um mandado de detenção internacional para cumprimento de uma pena de nove anos e quatro meses por associação criminosa e tráfico de droga, segundo informação divulgada hoje.
O Tribunal de Aveiro condenou hoje dois arguidos, pai e filho, a penas de cinco anos e meio e sete anos de prisão por vários roubos violentos a idosos ocorridos em 2024 e 2025.
O CHEGA pediu, a 14 de outubro, a presença urgente do ministro da Agricultura no Parlamento, após a deteção do vírus 'Shamonda' em seis explorações bovinas portuguesas. Oito dias depois, França confirmou o primeiro caso conhecido de infeção humana, num doente que morreu no início do mês.
Dois equatorianos, um colombiano e um venezuelano foram intercetados pela Marinha Portuguesa a bordo de uma embarcação semissubmersível que transportava 1740 quilos de cocaína, avaliados em mais de 62 milhões de euros. Os quatro homens, detidos em outubro de 2025, foram agora condenados pelo Tribunal de Ponta Delgada, nos Açores, a penas entre 10 e 14 anos de prisão por envolvimento numa rede internacional de tráfico de droga.
O atual e o ex-presidente da Câmara de Valongo, Paulo Esteves Ferreira e José Manuel Ribeiro, eleitos pelo PS, foram condenados por abuso de poder à perda de mandato por limitarem a circulação de camiões na estrada de acesso ao aterro de Sobrado em 2020. A sentença incluiu ainda a aplicação de multas e a possibilidade de recurso.
Um idoso foi detido pela GNR por provocar um incêndio florestal em Carrazeda de Ansiães, devido à queima de sobrantes que se descontrolou, revelou a força policial.
A Universidade Politécnica de Portalegre (UPP) abriu um inquérito interno para apurar alegada tentativa de assédio sexual entre alunos, revelou o vice-reitor à agência Lusa.
A Habita!, criada por antigas assessoras do BE, recebeu apoios de organizações internacionais, incluindo uma rede financiada na sua origem pela fundação de George Soros. Uma investigação identifica ainda 150 mil euros de fundos europeus.
Mais de 240 turmas do 1.º ciclo continuam sem professor atribuído, segundo avança o Expresso. A falta de docentes prolonga-se mais de um mês após o arranque das aulas.