27 Fevereiro, 2024

História concisa do 25 de novembro – Homenagem a Rio Maior

Lá vem a nau Catrineta que tem muito que contar. Ouvi agora senhores uma história de pasmar. 

Resiste o capitão general às tentações do Diabo e celebram todos agora datas que outrora nos dividiam. Talvez na tormenta, acalmassem ventos e mar. E possamos agora começar a ver Portugal.

Quando o CHEGA se formou, quem ou quantos celebravam o 25 de novembro de 1975? Quando anualmente o celebrávamos, quem estava ou festejava connosco? 

Hoje começam a celebrá-lo. Eu estou grato aos que o fazem. Porém é preciso ter atenção ao claro aproveitamento de alguns. Histórias há por aí muitas. Ouçam a minha. 

No auge do PREC os paraquedistas de Tancos, de orientação e sob ordens comunistas, mas sem tática e de ténue desenho estratégico, soltam o grito de guerra, exigindo a demissão do Chefe de Estado Maior da Força Aérea Morais da Silva. Tinham ficado sem 123 dos seus oficiais à exceção de um. Os outros refugiaram-se na B.A.1 em Sintra onde passaram dois dias, antes de prosseguiram para a Base Aérea da NATO na Cortegaça em Ovar, onde estavam concentrados a maior parte dos aviões, seus aviadores tal como grande parte dos militares ditos conservadores, defensores da ordem e da disciplina e os inúmeros civis que prontamente se apresentaram à disposição da defesa dos interesses de Portugal.

Os paraquedistas ocuparam, para além de Tancos, as mais operacionais bases aéreas da FAP, Monte Real e Montijo além do comando da 1ª Região Aérea em Monsanto (COFA) onde prenderam o General Pinho Freire. 

À entrada de Lisboa, Diniz de Almeida é o exemplo dos revoltosos. Toma posição junto à autoestrada bem ao lado do Regimento de Artilharia de Lisboa (RALIS) e em Beirolas, na Direção Geral de Material de Guerra. A Escola Prática de Administração Militar manda os seus “operacionais” ocupar a RTP e a Polícia Militar (PM) encarrega-se da ocupação da Emissora Nacional. A intentona revolucionária apoiada pelo partido comunista, e é bom que isto fique bem claro, estava em movimento e prometiam aos vencidos castigo exemplar a julgar pelas extensas listas de gente a abater.

A 24 de Novembro, Otelo Saraiva de Carvalho esse desequilibrado exemplo sobrado da revolução de Abril a quem os portugueses tiveram de aturar infelizes exemplos de disruptivo comportamento, insanidade e conduta criminosa, é destituído do Comando Operacional do Continente (COPCON) essa criminosa organização que tanto mal causou aos portugueses.

E a 25 de Novembro, perante o risco de uma guerra civil, Costa Gomes esse inesperado presidente sempre apoiante das causas esquerdistas e já em jovem conhecido como o Judas, reúne-se com revolucionários e opositores, mede as forças e dá luz verde a Melo Antunes, figura politicamente sinistra e principal influenciador do Grupo dos Nove.

O posto de comando é no Palácio de Belém onde o presidente conta com Rocha Vieira, Loureiro dos Santos e Vasco Lourenço entre outros. No chamado Posto de Comando Avançado instalado no Regimento de Comandos da Amadora, está Ramalho Eanes e Jaime Neves que lá juntam Garcia dos Santos, Tomé Pinto e outros, para além de inúmeros militares e civis reservistas que voluntariamente se apresentaram em defesa da causa. Eram, segundo alguns, mais de 500 homens em armas.

Rosa Coutinho, o almirante vermelho, que apoiara o MPLA em Angola e alvo de múltiplas acusações sobre comportamentos criminosos contra os retornados, mede as forças e cinicamente coloca-se sob as ordens de Costa Gomes. Diz publicamente que só atuaria, nunca dizendo para que lado, debaixo das ordens do Presidente. Consta que tinha cerca de 1000 fuzileiros às suas ordens. Entretanto, a detenção de Otelo em Belém, leva Varela Gomes de má memória, antigo responsável pelos arquivos da Pide/DGS cujas informações foram passadas a Moscovo e agora chefe da tristemente famosa 5ª divisão, ao desespero e ao convencimento de que já ninguém obedece às ordens revolucionárias. Era o princípio do fim da “golpada”

Surgem diversas ameaças. Rio Maior vai “barricar” os acessos a Lisboa, que há “snipers” instalados em pontos nevrálgicos e por todo o país com ordens para abater alvos importantes. Há listas com nomes dos mesmos alvos. Há notícias que dão avanço dos fuzileiros sobre os Comandos e sobre a B.A.1. Era a confusão propositada e generalizada num tempo em que os contactos rádio eram difíceis, confusos e sem credibilidade e que mesmo os telefones fixos, os únicos que existiam para além dos militares eram de má qualidade na zona de Sintra.

Na tarde de 25 de Novembro, os Comandos da Amadora invadem e ocupam o COFA libertando Pinho Freire. Entretanto os principais dirigentes políticos deixaram já Lisboa a caminho do Porto onde Pires Veloso, a quem chamavam o Vice Rei do Norte, lhes dá o abrigo e a proteção não garantida em Lisboa. Caso o conflito latente se inclinasse para o lado dos revoltosos, Pires Veloso e os defensores da ordem, militares e civis com o apoio da FAP e dos seus aviões estacionados na Cortegaça, avançariam sobre Lisboa com o importante apoio bélico de James Callaghan, então secretário de estado britânico para os assuntos estrangeiros e da Commonwealth. 

Assim, na madrugada do dia 26 ao romper da aurora 3 carros negros chegaram à Porta de Armas da B.A.1, única Base Aérea não ocupada pelos “golpistas” e identificaram-se como membros e repórteres da BBC, mostrando-se curiosos em relação ao que se tinha passado durante o fim da tarde e noite anteriores. Fiquei sempre curioso com aquela aparição e só muito mais tarde, após uma intervenção de Mário Soares na televisão, fiquei a saber da presença do MI6 britânico, confirmando assim as promessas de apoio de James Callaghan. De facto, ainda a noite era uma criança, Álvaro Cunhal conhecedor dos factos e com informações várias não só dos seus infiltrados como da falta de coragem dos seus “operacionais” é aconselhado a retirar. E dá a voz de retirada aos militantes, deixando os militares envolvidos entregues à sua sorte. A mentira que sempre manteve nas declarações futuras, de que nada teve a ver com a intentona é o exemplo claro de como o entendimento da verdade, a brandura, a tolerância e a cumplicidade de então eram como as linhas vermelhas dos “atuais democratas”, acusando as forças da ordem da intentona e confundindo o povo na interpretação dos factos. Só acreditou, quem quis. Perguntem a Zita Seabra, comunista desde 1965 e na altura membro do Comité Central, o que fez o PCP?

Pouco depois e ainda de madrugada, uma coluna de Comandos comandada por Ruben Domingues, oficial de cavalaria e comando, entregava-me alguns prisioneiros à Porta de Armas. O principal era Diniz de Almeida entre outros como Faria Paulino ou o capitão Matos, o anterior chefe da guarda pessoal do CEMFA. Foram de imediato conduzidos à pista onde os aguardava um DC-6, avião de transporte militar guardado pela Polícia Aérea da B.A.1 e por paraquedistas vindos da Cortegaça, local para onde foram levados os prisioneiros.

Os comandos cercam o regimento de Lanceiros 2 na calçada da Ajuda e sede da P.M. onde se encontram Campos de Andrada e Mário Tomé, duas muito tristes e irresponsáveis figuras dos revoltosos que se recusam a render alegando tão simplesmente que não tinham de o fazer. Na contenda morreram dois comandos que caem, nunca esqueçamos, em nome de todos nós.

Melo Antunes, o leader ideológico do Grupo dos 9 mostrava então a sua face de tendenciosa brandura, inclinação e “visão política”. Opõe-se à sede de justiça dos vencedores e diz que o PCP é indispensável à democracia. Foi o primeiro grande erro do Portugal novo que, desorientado por opiniões várias de militares e civis, não soube julgar o passado recente nem prever sequer o futuro. Para trás ficavam a coragem dos militares, dos COMANDOS DA AMADORA de JAIME NEVES e seus mortos TENENTE JOSÉ COIMBRA e Furriel JOAQUIM PIRES, os raríssimos momentos de lucidez de Mário Soares e os extraordinários civis que se levantaram por todo o país. Lembro a determinação dos que representavam “a Moca” de Rio Maior e que com o seu exemplo, não permitiram aos comunistas futuro que eles desejavam igual a uma URSS, CUBA ou COREIA do NORTE.

Hoje, caros amigos, as coisas são diferentes, mas desenganem-se os que julgam diferentes os perigos. Como diria Fernando Pessoa na MENSAGEM, homenageando o Infante D. Henrique, “Falta mesmo cumprir-se Portugal.”

P.S. Fui buscar algumas referências ao “DN” de 2005 – “A moca de Rio Maior derrotou a poderosa comuna de Lisboa”. Ao “Público” de 2017 “Quando Rio Maior quis rachar a cabeça aos comunistas” e ao semanário “O Mirante” que recordou “a Moca” de Rio Maior lembrando que, quando Portugal esteve à beira da guerra civil, Rio Maior foi uma fronteira efetiva e anticomunista entre o Norte e o Sul. Ficou-nos, dizia então “O Mirante”, o exemplo de bravura dos seus habitantes, a sua lembrança e o obrigado de Portugal.

É esse OBRIGADO que o CHEGA, em nome de todos os seus militantes, quer trazer sempre a Rio Maior!

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