O CHEGA é o único partido que fala de corrupção em Portugal

A corrupção tem devastado o nosso país, com casos a sucederem-se uns atrás dos outros, a envolverem titulares dos mais altos cargos públicos e políticos, mas, apesar disso, a grande maioria dos partidos mantém-se em silencio relativamente a esta matéria. Só o CHEGA tem denunciado este flagelo e apresentado propostas concretas para combater a corrupção.

© Folha Nacional

Ainda esta semana assistimos a mais um caso a envolver responsáveis políticos, desta feita o presidente do Governo Regional da Madeira eleito pelo PSD, Miguel Albuquerque.

As investigações que levaram à realização de buscas na região autónoma e no continente envolvem titulares de cargos políticos do Governo da Madeira e Câmara do Funchal por suspeita de favorecimento indevido de sociedades/grupos, revelou o Ministério Público.

De acordo com o MP, em causa estão factos ocorridos a partir de 2015, “suscetíveis de consubstanciar crimes de atentado contra o Estado de direito, prevaricação, recebimento indevido de vantagem, corrupção passiva, corrupção ativa, participação económica em negócio, abuso de poderes e de tráfico de influência”.

Um dos visados, o presidente regional da Madeira, garantiu que não se demite mesmo que seja constituído arguido.

“O Governo Regional e eu próprio estamos a colaborar de forma ativa e consistente com os senhores agentes da polícia judiciária e com os senhores procuradores, no sentido de fornecermos todos os elementos necessários ao esclarecimento desta situação”, afirmou o líder do executivo regional aos jornalistas na sede da Presidência do Governo Regional, no Funchal.

O líder regional do PSD disse ainda que está de “consciência tranquila”.

“Nunca estive em nenhum caso de corrupção nem vou estar na minha vida. A mim ninguém me compra”, afirmou o presidente do Governo Regional.

Por seu turno, o líder do PSD nacional, Luís Montenegro, disse esperar um “esclarecimento rápido e elucidativo para que haja um funcionamento normal quer dos órgãos políticos quer da justiça”.

Questionado sobre as diferenças entre este caso e o processo que envolve o primeiro-ministro, e que levou à demissão de António Costa, Luís Montenegro considerou que “são mais do que muitas”, sem, contudo, especificar.

“As diferenças são mais do que muitas. Mas eu não vou estar aqui a deter-me nisso”, referiu o líder social-democrata, considerando que a investigação na Madeira “não tem impacto direto” na campanha para as eleições de março, pese embora cause “perturbação na atenção política” dos portugueses.

Já para André Ventura, a mesma bitola que se aplicou ao primeiro-ministro, António Costa, na Operação Influencer, que deu origem à demissão do primeiro-ministro, deverá aplicar-se ao presidente do governo regional da Madeira, Miguel Albuquerque, que está a ser investigado por suspeitas de corrupção.

“Estamos a falar de uma altura em que um primeiro-ministro se demitiu porque houve diligências policiais e judiciais na sua residência oficial e porque é suspeito da prática de um crime. Ora, a mesma bitola que se aplicou para o primeiro-ministro, vejo difícil que não se aplique a Miguel Albuquerque, uma vez que decorrem também diligências na casa oficial do presidente do Governo”, disse Ventura.

O Presidente do CHEGA referiu ainda ser “muito difícil ter condições políticas de continuar a gerir com autoridade e legitimidade”, acrescentando que “não haverá outra solução neste momento, apesar de dizer isto com a plena consciência de que houve eleições na região há pouco tempo”, que não seja a demissão de Miguel Albuquerque.

As propostas do CHEGA para combater a corrupção

A corrupção é mesmo a primeira prioridade apresentada no programa do partido de André Ventura, onde é referido que se trata de uma realidade instalada que tem afetado todos os sectores da vida, desde a economia, ao desporto, à classe política e à própria justiça, prejudicando muitos cidadãos que acabam por perder a confiança no Estado de Direito.

Trata-se não só de corrupção no sentido técnico jurídico, mas de todas as formas de tráfico de influências, de compadrios, de troca de favores de partilha de benefícios, de acesso a carreiras, de participação em concursos públicos, de atribuição de apoios, de subsídios e de muitas outras formas de conferir vantagens a quem não teria direito a elas.

Nesse sentido, o partido de André Ventura apresenta um conjunto de cinco prioridades nesta área, que depois se subdividem em propostas concretas.

A primeira dessas prioridades passa por acabar com o abuso de poder e a impunidade dos corruptos, dando mais poderes e meios à Direção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira, ao Tribunal de Contas e aos outros organismos de controlo, mas passa também por otimizar a capacidade de cooperação entre as inspeções administrativas setoriais, dos órgãos de polícia criminal especializados e das entidades internacionais de combate à criminalidade económica.

A segunda prioridade assenta na promoção de uma classe política mais íntegra, lutando também por uma maior integridade no setor privado, dificultando os esquemas das portas-giratórias.

Na terceira prioridade propõe-se assegurar a transparência nos processos públicos ou que envolvam dinheiro público, ampliando a incriminação de recebimentos indevidos, obtenção irregular de benefícios e todo o tipo de tráfico de influências, com a garantia de apreensão imediata de vantagens obtidas.

Como quarta prioridade nesta área, o CHEGA propõe reforçar a integridade e a capacidade judiciais e garantir a eficácia do sistema de punição dos infratores, aumentando as penas e o prazo de prescrição de alguns crimes como o de tráfico de influência, recebimento ou oferta indevidos de vantagem.

A quinta prioridade consiste em melhorar a confiança dos portugueses na política e promover a sua maior participação.

*Com Agência Lusa.

Últimas de Política Nacional

A repressão dos protestos no Irão chegou ao Parlamento português. O CHEGA apresentou uma proposta que recomenda ao Governo a expulsão do embaixador iraniano em Portugal, acusando o regime de Teerão de violar direitos fundamentais e reprimir violentamente manifestações pró-democracia.
O CHEGA vai indicar Rui Gomes da Silva para o Conselho Superior da Magistratura e Fernando Silva para o Conselho Superior do Ministério Público, ambos membros do "Governo sombra" do partido, indicou hoje André Ventura.
O líder do CHEGA revelou hoje que chegou a acordo com o PSD sobre as eleições para os órgãos externos e anunciou que os dois partidos vão apresentar uma lista conjunta de candidatos ao Conselho de Estado.
O CHEGA apresentou no Parlamento um projeto de lei que pretende restringir a realização de celebrações muçulmanas em espaços públicos e impor novas regras no financiamento e construção de novas mesquitas no país.
O líder do CHEGA associa a subida do custo de vida à guerra na Ucrânia e defende descida de impostos para aliviar os portugueses.
O grupo municipal do CHEGA em Oeiras apresentou uma moção de censura ao executivo liderado por Isaltino Morais, na sequência da acusação do Ministério Público relacionada com despesas em refeições pagas com fundos públicos.
O líder do CHEGA, André Ventura, condenou hoje as buscas na Câmara Municipal de Albufeira, liderada pelo seu partido. "O que aconteceu hoje é, a todos os títulos, lamentável", referiu.
O Ministério Público (MP) acusou o presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, e outros 22 arguidos, incluindo vereadores e funcionários, de peculato e de abuso de poder por gastos de 150 mil euros em refeições pagas pelo município.
O presidente da Assembleia da República solicitou à Comissão de Transparência a abertura de um inquérito às afirmações da deputada do PS Isabel Moreira no debate dos diplomas sobre mudança de género, após queixa do líder parlamentar do PSD.
Quando vários crimes muito graves são julgados no mesmo processo, a pena final nem sempre acompanha a gravidade do que foi feito. É essa lógica que o CHEGA quer alterar.