ANA quer deferimento tácito da prorrogação da declaração de impacto ambiental do aeroporto do Montijo

A ANA Aeroportos pediu à Agência Portuguesa do Ambiente que reconheça o deferimento tácito do pedido de prorrogação da Declaração de Impacto Ambiental (DIA) do aeroporto do Montijo e que conceda esse prolongamento por igual período de quatro anos.

© Facebook /Tap

 

De acordo com uma carta da ANA Aeroportos a que a agência Lusa teve hoje acesso, em reação à proposta de decisão da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) de não renovar a DIA (DIA) do aeroporto do Montijo, esta empresa requereu à agência do ambiente que reconheça o deferimento tácito do pedido de prorrogação da DIA, à data de 18 de janeiro de 2024.

O pedido, datado de 12 de fevereiro, é feito “em virtude do decurso do prazo de sessenta dias úteis contados da data de recebimento do pedido pela AAIA [Autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental] a 19 de outubro de 2023”.

A ANA Aeroportos pediu ainda a “manutenção atual das circunstâncias existentes à data da emissão da DIA, apontando a inexistência de “quaisquer alterações ao nível dos IGTs [Instrumentos de Gestão Territorial] aplicáveis ao Protejo, que determinem a alteração das condições existentes e consideradas em sede de procedimentos de AIA [Avaliação de Impacte Ambiental]”.

Apontou também a inexistência de “bases sólidas que sustentem uma alteração, de facto ou de direito, ao que já vinha descrito em sede de DIA como constituindo ‘impactes negativos, significativos, de magnitude moderada/elevada, permanentes e irreversíveis na avifauna do estuário’ e assumindo como certo que os mesmos decorreriam da ‘perturbação causada pela circulação de aeronaves e que têm como consequência a redução das áreas de refúgio, alimentação e nidificação das aves aquáticas que o frequentam’”.

A gestora aeroportuária referiu ainda a inexistência de “quaisquer alterações, ao nível dos IGTs, em concreto, em matéria de uso de solo e ambiente sonoro aplicáveis ao Projeto, que determinem a alteração das condições existentes e consideradas em sede de procedimento da APA” e a inexistência de “quaisquer alterações, de facto ou de direito, em matéria de saúde humana”.

A ANA Aeroportos requereu também que seja concedida a prorrogação da validade da DIA por igual período de quatro anos, de acordo com o documento endereçado à APA e assinado pelos advogados André Gaspar Martins e Assunção Cristas, ex-ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território entre 2011 e 2013.

A decisão da não renovação da DIA foi divulgada em 30 de janeiro pela estação televisiva SIC, depois de um parecer desfavorável do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

O ICNF esclareceu no mesmo dia ter dado parecer desfavorável baseado em novos estudos sobre a avifauna da região.

“Para a emissão deste parecer, o ICNF teve em conta estudos e resultados de trabalhos científicos sobre a avifauna desta zona divulgados recentemente”, disse a entidade em comunicado, no qual exemplifica com o estudo publicado pela Universidade de Cambridge, Reino Unido, que conclui que um novo aeroporto no Montijo poderia levar a uma perda de até 30% do valor de conservação do estuário do Tejo em termos de alimentação de aves invernantes.

O instituto recordou que a DIA emitida em 21 de janeiro de 2020 estava a caducar e que tendo sido pedida a sua prorrogação o ICNF foi chamado a pronunciar-se por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), tendo então emitido o parecer desfavorável, com base em novos dados, da extensão do prazo de validade.

Um parecer desfavorável “por considerar haver uma alteração objetiva de circunstâncias e uma inequívoca evolução do conhecimento e do quadro ambiental”, diz no comunicado.

O ICNF considera por isso ser necessário “um novo processo de AIA que contemple toda a informação técnica e científica agora conhecida, assim como nova que venha a surgir para uma decisão sustentada e realista”.

Últimas do País

Um bombeiro da corporação de Mira de Aire foi hoje agredido por um popular quando prestou socorro num acidente rodoviário no concelho de Porto de Mós (Leiria), afirmou o comandante.
Os internamentos em cuidados intensivos por gripe aumentaram na última semana, revela hoje o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), que registou neste período 1.340 casos da doença e um excesso de mortalidade por todas as causas.
Duas urgências de Ginecologia e Obstetrícia vão estar encerradas no sábado, número que sobe para três no domingo, maioritariamente na região de Lisboa e Vale do Tejo, segundo as escalas de urgências publicadas no Portal do SNS.
A enfermeira diretora demissionária da ULS Amadora-Sintra disse esta sexta-feira que devido à falta de apoio da tutela ao Conselho de Administração do hospital Amadora-Sintra “é impossível” este “gerir o que quer que seja”.
A Polícia Judiciária (PJ) realizou hoje buscas na Câmara Municipal de Aveiro, no âmbito de uma investigação sobre a eventual prática de crimes de prevaricação e violação de regras urbanísticas.
Portugal registou a segunda maior subida homóloga dos preços das casas, 17,7%, no terceiro trimestre de 2025, com a média da zona euro nos 5,1% e a da União Europeia (UE) nos 5,5%, divulga hoje o Eurostat.
O coordenador da Comissão de Trabalhadores (CT) do INEM alertou hoje que muitos profissionais já atingiram 60% do limite mensal de horas extraordinárias em Lisboa, impossibilitando a abertura de mais meios de emergência e revelando fragilidades na capacidade operacional.
O coordenador da Comissão de Trabalhadores do INEM, Rui Gonçalves, denunciou hoje um "forte desinvestimento" no Instituto nos últimos anos e lamentou a existência de "dirigentes fracos", defendendo uma refundação que garanta a resposta em emergência médica.
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu hoje dois inquéritos para apurar as circunstâncias que envolveram as mortes de uma mulher em Sesimbra e de um homem em Tavira enquanto esperavam por socorro.
Portugal regista desde o início de dezembro um excesso de mortalidade de cerca de 22% associado ao frio e à epidemia de gripe, com aumento proporcional das mortes por doenças respiratórias, segundo uma análise preliminar da Direção-Geral da Saúde (DGS).