INEM tem até 15 de março para chegar a acordo com Liga dos Bombeiros

O INEM tem até 15 de março para apresentar um documento que responda às exigências de financiamento feitas pela Liga dos Bombeiros Portugueses na reunião que decorreu hoje no Porto, revelou no final o presidente da LBP, António Nunes.

© facebook da Liga de Bombeiros

“O professor Fernando Araújo [diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde] procurou encontrar uma ponte de diálogo e ficou o INEM de, até 15 de março, apresentar um texto em que todos nós estamos de acordo e que o financiamento seja feito de uma determinada modalidade”, anunciou o líder da Liga.

Para António Nunes é inaceitável “continuar a receber mensalmente um subsídio de 4.890 euros e ter de pagar a um corpo de bombeiros 12.600 euros de ordenados e o INEM continuar a dizer que não tem dinheiro”.

“Não podemos continuar a ter o mesmo número de ambulâncias que tínhamos em 2011, temos de o aumentar, como também a qualificação, a gestão e a organização e isso faz parte desta gestão”, alertou o responsável da Liga no final do encontro com o INEM que decorreu nas instalações do Serviço Nacional de Saúde no Hospital São João.

Sobre o aumento de 130 ambulâncias discutido na última reunião, António Nunes precisou que no encontro de hoje esse número foi de 60, mas nem esse número “ficou concluído porque, afinal, o INEM não queria as ambulâncias, mas sim abrir 60 postos de emergência médica sendo as ambulâncias dos bombeiros”, situação que a LBP “não aceitou”.

“Se o INEM não encontrar as respostas adequadas no fim quem vai ficar prejudicado será os cidadãos quando precisarem de uma emergência médica”, insistiu o dirigente, admitindo sentir-se um “bocadinho desiludido (…) por acreditar que as coisas estariam um pouco mais avançadas” ainda por cima depois de em 2023 os bombeiros “terem feito 1,2 milhões de transportes para o INEM”.

Para António Nunes, “o que está em causa não é só a atualização da tabela de pagamentos (…) mas também os novos postos de emergência médica, que o INEM quer fazer sem atribuir ambulâncias para a sua execução”.

“As nossas associações humanitárias estão, de tal forma, num sistema de subfinanciamento que não se aguenta. (…) É a falência do sistema e o INEM tem de entender isto”, insistiu o dirigente.

António Nunes relatou depois que hoje foi discutido “passar de 4.890 euros para seis mil euros durante este ano e que em 2025 se fariam outros ajustamentos” (…) bem como para as “restantes rubricas, em 2024, que seriam de acordo com a taxa de inflação, mas que nem esse acordo foi conseguido”.

“O INEM diz que pode ir até à taxa de inflação e, no que diz respeito ao subsídio mensal, ao correspondente ao que foi o aumento do ordenado mínimo nacional. É insuficiente para nós”, assinalou.

“Se o INEM não resolver o problema até dia 15 cá estaremos para tomar as medidas necessárias e, se for preciso tomar medidas de imediato estamos disponíveis para isso”, disse, sem adiantar quais, pois primeiro irá consultar as federações de bombeiros, concluiu António Nunes.

Os emissários do INEM saíram da reunião sem prestar declarações enquanto a Direção Executiva do SNS, em comunicado, escreveu que “A abertura e compromisso dos parceiros no Sistema Integrado de Emergência Médica, na procura de soluções que sirvam as pessoas, é seguramente um garante para que os resultados que pretendemos obter, em conjunto, com planeamento, organização e estratégia, envolvendo todos, sejam efetivos e defendam o Serviço Nacional de Saúde”.

A próxima reunião está agendada para o dia 27 de março, nas instalações da DE-SNS.

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