Cáritas avisa que está a chegar ao limite da sua capacidade de ajuda aos migrantes

A atual situação dos migrantes que chegam a Portugal está a preocupar a Cáritas, que se começa a confrontar com falta de capacidade humana e material para ajudar esta população, instando o Estado a cumprir a sua parte.

© Facebook Open Arms

 

A preocupação foi transmitida hoje por aquela organização da sociedade civil através de um comunicado, emitido após o fim de uma reunião do Conselho Geral da Cáritas Portuguesa, que teve lugar entre os dias 15 e 17 de março, na Diocese do Algarve.

“A atual situação do apoio a migrantes em Portugal e a forma como está a ser feito o acompanhamento a quem chega ao nosso país levanta preocupações à rede Cáritas que foram debatidas neste Conselho Geral”, afirma a organização.

Sublinhando o facto de ter no centro da sua missão “a pessoa e as suas necessidades”, a Cáritas afirma que “tem vindo a desempenhar todo um trabalho, para o qual carece de recursos humanos, financeiros e/ou materiais”.

Manifestando-se disponível para continuar a colaborar, alerta, contudo, que “está neste momento a atingir o limite da sua capacidade”, relembrando “às entidades públicas do Estado, as suas especiais responsabilidades na resposta eficaz às necessidades dos migrantes”.

“Tendo a Cáritas um papel supletivo, não poderá continuar a substituir-se às competências do Estado. É urgente que se conheça a estratégia e os recursos para garantir uma resposta a estas pessoas e famílias respeitando a sua liberdade de partir ou de ficar”, avisa a organização.

O Conselho Geral da Cáritas considerou ainda que, apesar de a informação acerca do “bom estado da saúde da economia” descansar muita gente, esta realidade “não corresponde à situação de muitas pessoas”, pelo que é necessário que o “desenvolvimento da sociedade seja abrangente a toda população”.

“Caso contrário, edifica-se uma sociedade não justa e perigosa para todos”, alerta.

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