Mensagens fraudulentas com propostas de trabalho preocupam operadoras e ameaçam utilizadores

O envio de mensagens fraudulentas com propostas de trabalho, alegadamente associadas a empresas como a Meta ou TikTok, tem vindo a preocupar as operadoras, que estão a trabalhar com as autoridades e a sensibilizar os clientes para os perigos.

© D.R.

Associações como a Deco continuam a receber vários contactos de lesados, apesar dos alertas e das campanhas de sensibilização, numa altura em que as fraudes eletrónicas aumentam e ficam mais difíceis de detetar.

“As operadoras de comunicações eletrónicas têm vindo a acompanhar este fenómeno, com natural preocupação, trabalhando permanentemente no sentido de preservar a integridade e segurança das suas redes, bem como das comunicações dos seus clientes”, afirmou o secretário-geral da Associação dos Operadores de Comunicações Eletrónicas (Apritel), Pedro Mota Soares, em resposta à Lusa.

Nos SMS, que são, frequentemente, enviados através de números começados por 92 e escritos em português do Brasil, os alegados autores identificam-se como membros da equipa de recursos humanos de empresas como o TikTok e convidam os destinatários a candidatar-se a vagas de trabalho ‘online’, sendo enviados ‘links’ de supostos grupos de WhatsApp para o efeito.

“Olá, sou da equipe de recursos humanos do TikTok e estou escrevendo para você. Precisamos urgentemente de 100 funcionários para trabalhar ‘online’, com salários diários de 50 a 800 euros. Você pode participar nos tempos livres. Se estiver interessado, pode entrar em contacto connosco pelo WhatsApp […]. Se nos enviar uma mensagem agora, receberá um bónus de 5 euros”, lê-se numa dessas mensagens.

Em causa está uma fraude informática, chamada ‘smishing’, que consiste em utilizar SMS para extrair informações confidenciais, como dados bancários.

Os contactos podem também chegar diretamente pelo WhatsApp, através de números estrangeiros, com mensagens escritas em português ou inglês.

Nestes casos, é comum os autores afirmarem ter recebido uma candidatura, por parte dos recetores das mensagens, a determinado cargo, pedindo, em seguida, dados pessoais.

Para monitorizar este problema, as operadoras têm equipas a funcionar 24 horas, “cooperando com as autoridades competentes tendo em consideração o enquadramento legal e regulamentar em vigor”.

Pedro Mota Soares garantiu ainda que as operadoras “encaram com seriedade” a sensibilização para as boas práticas contra este tipo de mensagens, “pelo que o fazem ativamente por si e em colaboração com todas as entidades que se dedicam a promover uma utilização segura das comunicações eletrónicas”.

Conforme explicou o especialista da Deco Proteste na área de tecnologia António Alves, este tipo de fraude começa sempre com o envio de uma mensagem com uma proposta de trabalho aliciante.

“Se a pessoa morder o isco, o que eles fazem é enviar um ‘link’, que vai mudando e que leva para uma página fabricada, um ‘dashboard’ [painel visual] que tem uma lista de tarefas, com logótipos de redes sociais. A pessoa pode fazer o registo e, a partir daí, são-lhe atribuídas tarefas, que podem ser comentar vídeos e seguir algumas pessoas”, detalhou à Lusa.

À medida que as tarefas são cumpridas aparece um “hipotético saldo”, que só pode ser retirado, regra geral, após duas semanas de trabalho.

Nessa altura, os autores da fraude pedem que seja transferida uma pequena quantia para uma determinada conta para validar o IBAN ou para o pagamento de alguma taxa e, posteriormente, é sugerido que as transações se efetuem em criptomoedas, evitando que seja deixado rasto.

“Eles vão começar a dizer às pessoas que têm que transferir, por exemplo, 100 criptomoedas e vão fazer isso até ao limite que podem extrair da pessoa”, alertou António Alves.

Quando as pessoas descobrem ou suspeitam estar envolvidas numa fraude são bloqueadas, os ‘links’ deixam de estar operacionais e perdem o contacto com os autores.

Na sequência, são criadas novas ligações e páginas para tentar apanhar outras pessoas no esquema.

De acordo com a Deco, associação para a defesa do Consumidor, quando as pessoas caem neste tipo de fraudes é “muito difícil reaver os valores transferidos”.

No entanto, o caso deve ser reportado às autoridades, como a Polícia Judiciária e o Gabinete de Cibercrime do Ministério Público, bem como o sistema de queixa eletrónica e os bancos, quando aplicável.

“De uma forma geral, estamos a falar de situações complicadas de resolver porque mesmo fazendo queixa o que se vai perceber é que é difícil identificar o autor da fraude, quem é que está por trás daquele esquema. Eles usam todo o tipo de formas para esconder a identidade. Agora devem-no sempre fazer. Nem todos são casos perdidos. O facto de se fazer a denuncia faz com que, mais rapidamente, a fraude deixe de fazer efeito”, concluiu António Alves.

Segundo dados avançados pela Kaspersky, empresa global de cibersegurança, em 2023, foram contabilizados 700 milhões de ataques de ‘phising’ (termo geral para denominar uma fraude eletrónica) em todo o mundo.

Em Portugal, conforme apontou a empresa, os clientes de bancos e serviços são os principais alvos destes ataques.

Além das ofertas de emprego, é comum estas burlas utilizarem promoções ou mensagens falsas de instituições financeiras.

A Kaspersky recomenda atenção ao remetente da mensagem, a promessas exageradas, bem como a mensagens não solicitadas com ligações para introduzir dados pessoais.

Paralelamente, os utilizadores podem aceder a ferramentas ‘online’ que permitem confirmar se os ‘links’ a que querem aceder são fiáveis.

A Lusa contactou a Meta, dona do WhatsApp e do Facebook, e o TikTok, mas não obteve resposta.

Últimas do País

O secretário-geral da Câmara Municipal de Lisboa, Alberto Laplaine Guimarães, é um dos quatro detidos hoje no âmbito da operação 'Lúmen', que investiga a prática de alegados crimes económicos, incluindo corrupção, em contratos públicos para iluminações de Natal.
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) alertou esta terça-feira que os distritos com maior carência de médicos nos últimos anos foram especialmente afetados pelo aumento da mortalidade infantil e materna em 2024, estimando novos agravamentos em 2025 e 2026.
Dois homens tentaram retirar uma criança do interior de um veículo, onde se encontrava numa cadeira de bebé, à porta de uma creche. A mãe conseguiu reagir a tempo e abandonar o local, evitando o pior. A Polícia Judiciária está a investigar o caso.
O Tribunal de Leiria condenou hoje seis homens a penas entre os sete e os nove anos e três meses de prisão pelo crime de tráfico de droga agravado, cocaína importada dissimulada em caixas de banana.
O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro (CCDRC) disse hoje que a maioria das 18 mil candidaturas para a reconstrução de casas na região ainda não foi aberta por falta de mão de obra.
A Polícia Judiciária (PJ) realizou hoje uma operação policial nos Açores e em Lisboa, no âmbito de um inquérito por “suspeitas do favorecimento de uma companhia aérea por parte de uma entidade pública” e constituiu cinco arguidos.
Doente oncológico com décadas de descontos recebe apenas metade do salário e ainda tem de provar que está doente. Parlamento rejeitou apoio a 100%. CHEGA defende que “quem enfrenta o cancro não pode perder também o sustento da sua família”.
O Governo estendeu para 30 de junho o prazo para limpeza dos terrenos nos municípios abrangidos por declaração de calamidade, no âmbito da gestão de combustível na rede secundária, estabelecendo 31 de maio como limite para os restantes concelhos.
A GNR intercetou um veículo que efetuava transporte público de passageiros sem licenciamento, na Estrada Nacional 362, no distrito de Santarém, após uma denúncia, divulgou hoje aquela força de segurança.
Mais de 80% dos bombeiros da corporação de Sever do Vouga, no distrito de Aveiro, passaram à inatividade em rutura com a direção da Associação Humanitária.