Mais de 14.200 crianças estavam em perigo em 2023 e precisaram de medida de proteção

Mais de 14.200 crianças e jovens estavam numa situação de perigo e precisaram de uma medida de promoção e proteção em 2023, mais de 5.500 por situações de negligência, enquanto outras 4.300 por casos de violência doméstica.

©D.R.

Segundo os dados preliminares do mais recente relatório anual de Avaliação da Atividade das Comissões de Proteção das Crianças e Jovens (CPCJ), relativo a 2023, houve necessidade de propor a aplicação de uma medida de promoção e proteção para 14.284 crianças.

De acordo com o que está definido na lei de proteção de crianças e jovens e perigo, quando uma criança ou jovem está em perigo, as CPCJ ou um tribunal devem adotar medidas de promoção e proteção, que podem ser em meio natural de vida (junto dos pais, junto de outro familiar, à confiança de pessoa idónea, apoio para a autonomia de vida ou à confiança a pessoa selecionada para adoção) ou de colocação, seja em forma de acolhimento familiar, acolhimento residencial (instituição) ou entregue a família de acolhimento ou a instituição com vista a adoção.

À exceção de todas as outras, as medidas de confiança a pessoa selecionada para a adoção, a família de acolhimento ou a instituição com vista à adoção são da exclusiva competência de um tribunal.

O relatório, que é da responsabilidade da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ), refere que as crianças em perigo e com necessidade de uma medida de promoção são “maioritariamente rapazes” (53,74%), “predominantemente com idades compreendidas entre os 11 e os 14 anos de idade (26,20%)”.

Foi possível detetar 5.514 casos de negligência, outros 4.338 por violência doméstica, 3.059 situações de comportamentos de perigo na infância e juventude ou 2.437 diagnósticos em estava em causa o direito à educação.

Registo também de 471 situações de maus tratos físicos, 343 de maus tratos psicológicos, 136 por abandono, 180 de abuso sexual e ainda oito casos de exploração infantil.

Concretamente em relação às medidas de promoção e proteção, e em comparação com 2022, houve um aumento das medidas aplicadas em meio natural de vida, que representam 87% do total das medidas cautelares.

“Em relação às medidas não cautelares, ou seja, aplicadas após a conclusão da avaliação diagnóstica, foram aplicadas 31.147 medidas de promoção e proteção (mais 1.740 do que as registadas no ano anterior), em 30.336 processos relativos a 28.799 crianças/jovens”, lê-se no relatório.

Segundo a CNPDPCJ, houve um aumento na aplicação de três tipos de medidas — apoio junto dos pais, apoio junto de outro familiar e acolhimento familiar, enquanto houve uma diminuição nas medidas confiança a pessoa idónea, apoio para a autonomia de vida e acolhimento residencial.

“A medida ‘acolhimento familiar’ foi a que registou um aumento mais significativo, de 96,3%, apesar de, no conjunto, ser uma medida ainda residualmente aplicada (0,4%) “, lê-se no relatório.

Acrescenta que há “uma clara prevalência da medida ‘apoio junto dos pais’ (83,39%)”.

Salienta que “existe uma clara prevalência das medidas executadas em meio natural de vida” que têm um peso de 92,68%, por comparação com as medidas em regime de colocação, que representam 7,32%.

Em relação às crianças acompanhadas, o relatório anual dá conta de que 2.665 tinham nacionalidade estrangeira, em particular do Brasil, e que 947 tinham algum tipo de deficiência ou incapacidade, maioritariamente a nível mental ou intelectual (28,72%).

Últimas do País

Um homem de 55 anos foi detido pela GNR por estar "fortemente indiciado" do crime de violência doméstica contra a mulher, de 48 anos, no concelho de Elvas, revelou hoje o Ministério Público (MP).
A Polícia Marítima apreendeu, nos primeiros nove meses deste ano, cerca de 100 mil litros de combustível no combate ao tráfico de droga, mais 45% do que em todo o ano de 2025, indicou a Autoridade Marítima Nacional (AMN).
Um homem de 87 anos morreu depois de permanecer quase 12 horas nas urgências do Hospital de Portimão, onde deu entrada com fortes dores abdominais e vómitos. O utente só terá sido chamado para a primeira observação médica durante a madrugada, acabando por ser encontrado inconsciente pouco depois. As tentativas de reanimação não tiveram sucesso.
Um homem de 76 anos foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) na quarta-feira, em flagrante delito, pela autoria de um incêndio florestal em Guilhafonso, na Guarda. A PJ esclareceu que o homem pretendia limpar os seus terrenos, ateando o fogo em dois locais distintos, sem autorização, e acabou por perder o controlo do incêndio, colocando em risco zonas de povoamento vegetal e habitações.
Quatro rapazes, com apenas 9 e 10 anos, terão sido vítimas de abusos sexuais cometidos por um pedófilo de 36 anos. Foram os pais de uma quinta criança que impediram uma nova agressão e deram o alerta às autoridades. O suspeito acabou detido e está em prisão preventiva.
A Polícia Judiciária fez hoje buscas na Câmara de Matosinhos (PS) no âmbito de um inquérito em curso relativamente a serviços de assessoria de imprensa, confirmou esta autarquia.
Um incêndio que ocorreu hoje de manhã num prédio de três andares no centro de Aveiro deixou seis moradores temporariamente desalojados e causou um ferido ligeiro, disse a comandante dos bombeiros locais.
A Comissão de Utentes em Defesa da Linha do Alentejo queixa-se do que considera ser a “degradação do serviço ferroviário” na região e tem uma concentração marcada para sexta-feira, em Évora, para exigir ao Governo melhores condições.
Quatro suspeitos encapuzados terão entrado num prédio no Monte do Estoril e efetuado vários disparos, num alegado ajuste de contas. No local ficaram invólucros de munições e vestígios de sangue. O grupo fugiu em duas viaturas, tendo uma delas sido localizada pela polícia em Alcabideche.
Ficha de avaliação identifica expressamente “PARTIDÁRIOS” como motivo para a não seleção de um candidato que, segundo a denúncia, é militante do CHEGA.