Ventura acusa autores de queixa-crime de perseguição política

O presidente do CHEGA classificou esta sexta-feira de “perseguição política” a queixa-crime que vai ser apresentada contra si e o líder parlamentar do seu partido e lamentou que o debate político seja levado para os tribunais.

© Folha Nacional

André Ventura reagia à notícia de que um grupo de cidadãos, entre os quais a ex-ministra da Justiça Francisca Van Dunem, vai apresentar uma queixa-crime contra si e contra o líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, por declarações relacionadas com a morte de Odair Moniz, baleado pela polícia.

Numa declaração aos jornalistas na Assembleia da República, André Ventura considerou que “é muito negativo numa democracia quando o debate político se transfere para os tribunais“.

“Uma queixa que diz que há um grupo de políticos que não pode usar estas expressões, que incitou à desobediência, quando o CHEGA incitou precisamente à obediência às autoridades, à obediência total e plena e completa às autoridades, é uma coisa sem nenhum sentido e sem nenhum cabimento”, defendeu, acrescentando: “É um sem sentido jurídico, mas não é um sem sentido político, é um sentido de perseguição política”.

O líder do CHEGA afirmou que “a esquerda pode dizer o que quiser a quem quiser, a direita se disser vai presa” e assinalou que “não é com processos de crime ou com ameaças” que o “vão calar” a si ou ao partido.

Ventura assinalou que “a justiça está entupida de trabalho” e considerou que “levar para os tribunais uma discussão política” tem como objetivo “fazer perseguição e fazer pressão” para que sejam ditas apenas “as coisas certas a que o país se habituou” e “mostra uma democracia pouco madura, pouco capaz de lidar com a diferença de opinião e, sobretudo, muito pouco amiga do pluralismo”.

Questionado se não quis levar para a justiça uma discussão política quando disse que só apresentaria em tribunal provas das reuniões que alega ter tido com o primeiro-ministro sobre o Orçamento do Estado e desafiou Luís Montenegro a apresentar uma queixa, o líder do CHEGA considerou que não é a mesma coisa porque nesse caso “trata-se de factos”.

“Aqui, o que está em causa é dizer a polícia deve ter mais autoridade ou menos autoridade, a polícia deve poder usar arma com mais flexibilidade ou com menos. Faz algum sentido ir discutir isto para o tribunal?”, questionou.

Ventura disse que não irá opor-se a que a sua imunidade parlamentar seja levantada, caso o Ministério Público o peça.

Sobre os tumultos dos últimos dias, Pedro Pinto disse que se as forças de segurança “disparassem mais a matar, o país estava mais na ordem”, enquanto André Ventura defendeu que o agente da PSP que baleou Odair Moniz devia ser condecorado.

O presidente do CHEGA não condenou estas declarações e sustentou-as com a liberdade de expressão, afirmando que Pedro Pinto “quis transmitir” que “a polícia não pode ter medo de usar as suas armas” e “isso às vezes implica matar”.

André Ventura salientou “o sentido” das palavras do líder parlamentar, defendendo que “não foi exagerado”, e indicou que a forma como foi dito “não coincidiu com o que a expressão queria transmitir”.

Questionado se os deputados devem ter cuidado com o que dizem, sustentou que “a democracia exige liberdade, às vezes até uma liberdade que é usada de forma excessiva, mas é liberdade”.

E questionou “que tipo de democratas são estes” que “acham que, independentemente da forma como a liberdade foi usada, melhor, pior, mais adequado, menos adequado, a solução deve ser pôr na cadeia”.

Últimas de Política Nacional

O líder do CHEGA apontou falhas graves na resposta às tempestades e responsabilizou o Executivo por atrasos, descoordenação e decisões que deixaram populações entregues a si próprias.
O primeiro-ministro regressa esta quinta-feira ao parlamento para um debate quinzenal que deverá centrar-se na resposta do Governo às consequências do mau tempo e que foi adiado por duas vezes na semana passada.
Entre devoluções e penalizações que rondam os 85 mil euros, o vereador do PSD permanece no executivo da Maia. O presidente da Câmara reafirma a confiança política.
A vítima não deve ser obrigada a sair de casa para se proteger do agressor. É este o princípio que sustenta o novo projeto de lei apresentado pelo CHEGA, que pretende permitir o afastamento imediato dos suspeitos de violência doméstica, mesmo antes de decisão judicial definitiva.
Subsídio de reintegração pago por Bruxelas eleva rendimentos de governantes portugueses para patamares próximos dos 11 mil euros mensais. Benefício não é automático, tem de ser pedido.
Para o presidente do CHEGA, a decisão de não prolongar o estado de calamidade ignora a realidade no terreno e deixa famílias e empresas à mercê do prejuízo.
O candidato presidencial André Ventura agradeceu aos eleitores que votaram em si nas eleições presidenciais "por acreditarem num país diferente".
O valor de referência do Rendimento Social de Inserção (RSI) vai aumentar 5,33 euros, segundo portaria hoje publicada.
Pontes, barragens e outras infraestruturas públicas críticas poderão vir a ser alvo de uma avaliação técnica urgente, caso seja aprovada uma proposta apresentada pelo CHEGA na Assembleia da República.
O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho acusou hoje governantes de viciarem concursos para altos cargos na administração pública, afirmando que "a maior parte das pessoas que concorrem sabe que já está tudo decidido antes do concurso ser feito".