Alunos do ensino superior reunidos para discutir abandono escolar e ação social

O abandono escolar, as limitações da ação social ou o acesso ao ensino superior serão debatidos este fim-de-semana por associações de estudantes de todo o país, que no final apresentarão propostas de alteração às atuais políticas públicas.

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“Já recebemos moções de várias associações sobre os temas que serão debatidos, votados e posteriormente apresentados aos responsáveis, como ministérios ou conselhos coordenadores”, disse à Lusa João Salazar, presidente da Direção da Associação Académica do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (AAIPCA), entidade que organiza o encontro que reúne entre hoje e domingo dirigentes de estruturas estudantis de norte a sul do país.

Os estudantes vão debater o que entendem ser os principais desafios e oportunidades no Ensino Superior, como o aumento de abandono escolar, que João Salazar diz ser visível também no Instituto Politécnico do Cávado e do Ave.

“A nível nacional é notório o aumento de casos, mas também aqui vemos cada vez mais estudantes a desistir dos seus cursos. Do que temos acompanhado, percebemos que têm hoje muito mais custos para estudar e muitos acabam por desistir. Uns arranjam um part-time, mas também acabam por se desmotivar, porque não é fácil. Mesmo entre os que têm bolsas, muitos sofrem com os preços do alojamento”, contou.

Mais de um em cada dez alunos desaparece do sistema um ano após entrar no ensino superior (11,17%), segundo dados do Infocursos, que mostram que há pelo menos oito anos que não havia tantas desistências após o primeiro ano de licenciatura.

Um outro estudo mais recente, baseado nas experiências dos jovens a estudar em instituições de ensino superior de Lisboa e do Porto, mostrava que as famílias dos alunos deslocados gastavam em média cerca de mil euros por mês, entre alojamento, transportes e alimentação. Só os que conseguiam vagas em quartos a preços acessíveis conseguiam fazer uma vida mais económica, mas a oferta está muito aquém da procura.

Segundo João Salazar, a falta de oferta a preços acessíveis afeta estudantes em todo o país, mas a questão do alojamento não será um tema independente, devendo ser debatido no plenário sobre Ação Social.

“Vamos ter um plenário sobre Ação Social e Abandono Escolar, que irá certamente debater a questão do alojamento, assim como das bolsas e até dos transportes, porque as acessibilidades nas instituições é algo que nos preocupa muito”, lamentou o estudante.

Durante o encontro será também debatida a revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), que João Salazar explicou ter “grande impacto na vida dos estudantes, porque é um documento que está desatualizado e trata do funcionamento das instituições: As instituições já não são o que eram há 15 anos”.

Além do RJIES, ação social e abandono escolar, será também debatido o acesso ao ensino superior, nomeadamente “a preponderância que os exames devem ter no acesso ao ensino superior”, disse.

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