Ventura quer operações policiais como a do Martim Moniz “mais vezes”

O presidente do CHEGA, André Ventura, considerou hoje que operações policiais como a que decorreu na quinta-feira no Martim Moniz, em Lisboa, deveriam "realizar-se mais vezes" e defendeu que a polícia tem de "mostrar autoridade".

© Folha Nacional

“Não só concordamos com estas ações como achamos que elas deviam ir mais longe e realizar-se mais vezes para mostrar aos portugueses e aos estrangeiros que Portugal está seguro e que não tem medo nem às zonas do seu território onde a polícia não entra”, afirmou, durante uma visita ao evento Wonderland, em Lisboa.

André Ventura defendeu que a polícia tem de “mostrar autoridade” e que “as pessoas sentirem que há presença da autoridade, que não há bolhas de impunidade, dá-lhes uma segurança maior”, considerando que Portugal “tem sido tolerante demais” ao permitir que se desenvolvam “bolhas de segurança, de instabilidade, de impunidade”.

“Nós temos que começar a dar o sinal de que, seja zona de criminalidade, seja zona de mais estrangeiros, seja zona de minorias, a polícia não tem medo e portanto quando é preciso lá ir, também vai, e não se diga que a polícia só vai porque estão ali estrangeiros”, defendeu.

Ventura defendeu que a política “estava mais do que legitimada para fazer esta ação” por estar a cumprir “vários mandados judiciais”, considerando que “ao agir, e ao agir dentro da lei, muitas vezes no cumprimento de mandados judiciais, a polícia está a mostrar a autoridade”.

O líder do CHEGA assegurou que o partido não vai inviabilizar a audição da ministra da Administração Interna, já pedida por vários partidos, mas considerou que tal pedido “é caricato”.

Quanto às acusações de conluio entre CHEGA e PS, André Ventura considerou-as injustas e disse que são “apenas uma tentativa de menorizar o CHEGA”. Quanto às propostas aprovadas por CHEGA e PSD, respondeu que vota de acordo com “o interesse do país”.

Questionado sobre o ataque russo a Kyiv, Ucrânia, que danificou a chancelaria da embaixada de Portugal, André Ventura mostrou concordância com o protesto formal anunciado pelo Governo e propôs que o assunto seja levado à NATO.

Uma operação policial na quinta-feira no Martim Moniz resultou na detenção de duas pessoas e na apreensão de quase 4.000 euros em dinheiro, bastões, documentos, uma arma branca, um telemóvel e uma centena de artigos contrafeitos. De acordo com a PSP, uma pessoa foi detida por posse de arma proibida e droga e outra por ser suspeita de pelo menos oito crimes de roubo.

O enorme aparato policial na zona, onde moram e trabalham muitos imigrantes, levou à circulação de imagens nas redes sociais em que se vislumbram, na Rua do Benformoso, dezenas de pessoas encostadas à parede, de mãos no ar, para serem revistadas pela polícia, e comentários sobre a necessidade daquele procedimento.

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