Conselheiros pedem incentivos fiscais para regresso dos emigrantes

Conselheiros das comunidades portuguesas na Suíça pedem que seja aplicada aos emigrantes em idade de reforma uma política fiscal que incentive o seu regresso a Portugal, sugerindo, entre outras medidas, benefícios para a fixação no interior do país.

© D.R.

Em declarações por telefone à Lusa, João Rodrigues, conselheiro da secção Suíça e um dos cossignatários de uma recomendação enviada ao Governo português e aos grupos parlamentares em novembro passado, explicou que o objetivo da mesma “nunca foi, nem é” os emigrantes “não pagarem impostos”, mas sim criar uma política fiscal que incentive o seu regresso a Portugal, algo que diz não acontecer atualmente, sobretudo desde a eliminação da taxa reduzida de 10% aos pensionistas ao abrigo do regime de residente não habitual.

“Com o fim do sistema de residente não habitual, que acabou no final de 2023, muitos emigrantes, sobretudo de países da Europa com reformas relativamente elevadas, são taxados pela taxa normal de IRS, e o que acontece muito na Suíça, por exemplo, é que há muitos emigrantes que optam simplesmente por não regressar, mesmo que o custo de vida neste país seja muito elevado”, aponta.

O conselheiro sublinha que a recomendação enviada ao Governo e a todos os grupos parlamentares na Assembleia da República em novembro passado, quando estava a ser negociado o Orçamento do Estado para 2025, defende não só um alívio da carga fiscal propriamente dita — designadamente uma isenção parcial ou total sobre pensões estrangeiras durante os primeiros cinco anos de residência em Portugal, proporcionando um período de adaptação — como “outras medidas para incentivar o regresso dos emigrantes, como por exemplo incentivos fiscais para a aquisição de habitação própria” e “para o regresso a áreas menos povoadas” do interior.

“Sabemos que as áreas do interior [de Portugal] estão a ficar despovoadas. Ora, muitos emigrantes vêm dessas aldeias e se tiverem um incentivo fiscal, chamemos-lhe de interioridade, seria um incentivo à fixação de zonas do interior, contribuiria para a coesão territorial, animaria a economia local e levaria também necessariamente a um investimento em serviços de saúde”, sustenta.

Outras duas recomendações dirigidas ao Governo são o estabelecimento de um limite de isenção para pensões modestas, para proteger os reformados com rendimentos mais baixos, assim como deduções fiscais com base em contribuições anteriores, para pensionistas que tenham um histórico contributivo para a Segurança Social portuguesa, reconhecendo o seu vínculo passado com o sistema.

João Figueiredo disse que, para já, não houve nenhuma resposta formal à recomendação enviada em novembro para Lisboa, mas adiantou que tem havido contactos com vários deputados à Assembleia da República e afirmou-se esperançado que ainda durante a atual legislatura sejam tomadas então medidas de política fiscal que incentivem o regresso dos emigrantes que desejam regressar no final da vida ativa a Portugal.

A Suíça acolhe atualmente cerca de 260 mil residentes com cartão de cidadão português e lidera as candidaturas ao Programa Regressar, mas, de acordo com os conselheiros, “a realidade económica e fiscal” em Portugal “tem-se revelado um obstáculo quase intransponível para esse retorno” desejado por muitos emigrantes.

Últimas do País

Dois em cada três jovens europeus afirmam ter sido vítimas de abusos, negligência, violência doméstica ou outras experiências adversas semelhantes durante a infância, segundo um inquérito divulgado hoje pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O Sindicato dos Técnicos da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (SinDGRSP) cumpre hoje um dia de greve e uma manifestação junto à cadeia do Porto, por entender que a portaria sobre carreiras está aquém do negociado.
Três suspeitos escaparam antes da operação da Polícia Judiciária. Um terá conseguido quase 200 mil euros e outro transferiu cerca de 40 mil euros para contas no Brasil. Nove arguidos estão a ser julgados em Cascais.
Uma aterragem inesperada numa herdade em Serpa está a ser investigada pelas autoridades. O piloto terá pedido aos trabalhadores que não chamassem a polícia, abandonou o local de táxi e deixou uma carteira com documentos e dois mil euros.
Quase 13 mil residências foram alvo de furto num único ano. PSP e GNR registaram, em conjunto, uma média superior a 35 ocorrências por dia, apesar de os números terem descido face ao ano anterior.
O partido liderado por André Ventura marcou presença nas comemorações do 52.º aniversário do Estado-Maior-General das Forças Armadas, na Madeira, e defendeu que homenagear os militares “exige mais do que discursos e cerimónias”. CHEGA defende investimento na Defesa, valorização das carreiras e melhores pensões para antigos combatentes.
Ana Catarina Mendes e Edite Estrela estão entre as figuras que terão recorrido ao então secretário de Estado da Saúde para pedir informações ou ajuda relacionada com doentes. Rita Ferro Rodrigues também contactou Lacerda Sales.
Entrar de carro em Lisboa e no Porto pode vir a ter um novo custo. O Governo admite repensar o atual modelo de financiamento das estradas, enquanto um estudo apresentado pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) coloca em cima da mesa novas formas de cobrança aos automobilistas, incluindo taxas de congestionamento nos acessos às grandes áreas metropolitanas. O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, defendeu que é necessário encontrar alternativas para financiar a rede rodoviária e recuperar o princípio do "utilizador-pagador".
O impacto de uma morte pode prolongar-se muito para além do funeral, afetando a saúde, as famílias, o trabalho, a produtividade e até as contas públicas. Portugal regista mais de 120 mil óbitos por ano, mas continua sem medir o verdadeiro custo económico e social do luto.
Ministério Público acusa dez pessoas, incluindo seis funcionários da empresa municipal e três dirigentes. Em causa está um alegado esquema para favorecer um empresário e duas sociedades, através da manipulação de procedimentos de contratação pública e da posterior regularização de trabalhos que já tinham sido executados.