Assembleia de credores da Tupperware vai determinar termos da liquidação

Os termos da liquidação dos bens da fábrica da Tupperware instalada em Montalvo, Constância, declarada insolvente na segunda-feira e que hoje despediu os 200 trabalhadores, vai ser determinado em assembleia de credores, disse à Lusa o administrador de insolvência.

© D.R.

“Relativamente ao processo da Tupperware, foi encerrado o estabelecimento, os trabalhadores foram hoje despedidos, vai-se prosseguir com a sua inscrição no Centro de Emprego e aguarda-se o agendamento de uma assembleia de credores para determinar os termos da liquidação”, disse hoje à Lusa Jorge Calvete, responsável pela gestão do processo de insolvência da empresa, com uma unidade fabril instalada há mais de 40 anos em Montalvo, no distrito de Santarém.

Questionado sobre se existem propostas para aquisição da maquinaria ou da própria fábrica, no seu todo, o gestor de insolvência disse ainda não ser o tempo para apresentação e análise de eventuais propostas.

“Não está ainda em curso o processo de liquidação, portanto não há lugar a haver ainda propostas [de aquisição]. Os trabalhadores, e todos os credores, estão na fase de reclamação dos seus créditos, que decorre durante 30 dias desde a data de declaração de insolvência”, determinada em 10 de fevereiro, declarou.

Os cerca de 200 trabalhadores da fábrica da Tupperware, empresa declarada insolvente na segunda-feira pelo Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, receberam hoje a carta de despedimento, num dia “triste”, mas cujo desfecho “era esperado”, após reunião com o gestor de insolvência.

“É triste, não é fácil, mas também já não tenho nada a perder. Já fiz 44 anos de trabalho. Há colegas meus que estão em muito pior situação”, disse hoje à Lusa Alzira Cupertino, à saída da reunião que decorreu no interior da fábrica, tendo dado conta que o gestor de insolvência assegurou aos trabalhadores o pagamento das respetivas indemnizações.

A representante do Sindicato das Indústrias Transformadoras (SITE CRSA), Isabel Matias, manteve-se ao longo da manhã junto da fábrica, tendo lamentado à Lusa o “despedimento de 200 pessoas”, a “incerteza no futuro”, e os “problemas sociais” inerentes, e realçado que os trabalhadores saíram “satisfeitos” da reunião pela garantia do pagamento dos seus direitos.

“Eles demonstram que estão satisfeitos porque, efetivamente, dizem que vão receber valores que, de facto, deixam a pessoa satisfeita. Mas, só depois de saber o que é que foi apresentado no tribunal, depois de fazer a petição inicial para o tribunal com os montantes, e depois de decorrido esse tempo todo, ainda vai haver também uma assembleia de credores. Portanto, só consoante o final é que a gente vai saber”, declarou.

A Tupperware – Indústria Lusitana de Artigos Domésticos, Lda, empresa que detém a fábrica em Montalvo, que já não produzia desde 08 de janeiro, foi declarada insolvente na segunda-feira, segundo o portal Citius.

Segundo pode ler-se na sentença do Tribunal, “o prazo para a reclamação de credores foi fixado em 30 dias”, tendo sido nomeado Jorge Manuel e Seiça Dinis Calvete para administrador de insolvência.

De acordo com o portal, no pedido de insolvência foram identificados como credores várias empresas do grupo Tupperware e, ainda, a Gráfica Ideal de Águeda – Indústrias Gráficas S.a., a Dart Industries Inc., o BCP, Carla Sofia Soeiro Cruz Gonçalves e Ignacio Zubizarreta.

A fábrica da Tupperware em Montalvo era controlada pela sociedade Tupperware Indústria Lusitana de Artigos Domésticos que, por sua vez, era detida em 74% pela Tupperware Portugal – Artigos Domésticos Unipessoal Lda e em 26% pela Tupperware Iberia.

Ambas as empresas dependem a 100% da casa-mãe sediada nos Estados Unidos – a Tupperware Brands Corporation.

A fábrica da multinacional Tupperware em Portugal, a funcionar desde 1980, dependia a 100% da casa-mãe norte-americana, vendida depois de em setembro ter entrado em falência, e os planos para o futuro não parecem passar pela Europa, uma vez que a empresa revogou a sua licença de venda de produtos em todos os países europeus.

A Lusa pediu informações à administração da fábrica instalada em Portugal, sem resposta até ao momento.

Últimas de Economia

Os portugueses continuam a pagar cada vez mais para levar exatamente os mesmos produtos para casa. O cabaz alimentar voltou a aumentar e já custa quase mais 38% do que custava há pouco mais de quatro anos.
Os consumidores em Portugal contrataram em abril 881,1 milhões de euros em crédito ao consumo, numa subida homóloga acumulada de 13,6%, enquanto o número de novos contratos avançou para 146.018, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
As remunerações dos novos depósitos a prazo aumentaram em abril pelo terceiro mês consecutivo, para 1,44%, uma tendência em linha com a zona do euro, apesar de continuar abaixo do selecionado no mês homólogo, divulgou hoje o BdP.
A economia da zona euro teve um aumento homólogo de 0,3% até março, e o da União Europeia de 0,7%, divulgou o Eurostat, revendo em baixa a estimativa publicada em abril de, respetivamente, 0,8% e 1,0%.
As licenças para construção e reabilitação de edifícios habitacionais caíram 10,2% no primeiro trimestre, em termos homólogos, enquanto os novos fogos licenciados recuaram 4,7% e o consumo de cimento subiu 2,2%, segundo a AICCOPN.
O preço da gasolina deverá manter-se na próxima semana e o do gasóleo subir 4,5 cêntimos, segundo as previsões da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Anarec) cedidas à Lusa.
A taxa Euribor subiu hoje a três, a seis e a 12 meses em relação a quarta-feira, para máximos desde abril de 2025 no prazo mais curto.
A Comissão Europeia abriu hoje um processo a Portugal e a outros 11 Estados-membros por não terem estabelecido regras nacionais para sancionar quem viole um regulamento sobre combustíveis sustentáveis na indústria da aviação.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê que o saldo orçamental português será nulo este ano, passando para um défice de 0,1% em 2027, segundo as previsões divulgadas hoje.
A taxa de inflação anual da zona euro deverá ter aumentado em 3,2% em maio de 2026, face aos 3,0% registados em abril, puxada pelos preços da energia, segundo uma estimativa rápida hoje divulgada pelo Eurostat.