Portugal precisa de melhorar apoio aos doentes crónicos e coordenação de cuidados

Portugal tem pontos fortes na adoção de registos médicos electrónicos, mas tem desafios a ultrapassar no apoio aos doentes crónicos e na coordenação dos cuidados, segundo um estudo hoje apresentado em Lisboa.

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Os dados do Patient Reported Indicators Surveys (PaRIS), o maior inquérito internacional aplicado a utilizadores de serviços de saúde, mostram que uma abordagem centrada nas pessoas, que dá prioridade a um forte envolvimento dos doentes e a uma coordenação eficaz dos cuidados, está associada a melhores resultados de saúde e experiências dos doentes.

Esta abordagem é “particularmente benéfica” na gestão das doenças crónicas, uma vez que permite que os doentes participem ativamente nas decisões sobre a sua saúde, refere o documento, cujos resultados são apresentados hoje em Lisboa pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Embora as unidades de cuidados de saúde primários em Portugal mostrem disponibilidade de ferramentas digitais para apoiar os cuidados de saúde dos doentes, estes “precisam de mais apoio para beneficiarem dessas ferramentas”, considera a OCDE.

Pouco menos de metade (49%) das pessoas com doenças crónicas em Portugal recebem apoio suficiente para gerir a sua própria saúde, significativamente abaixo da média da OCDE (63%).

Portugal apresenta um baixo nível de literacia digital em saúde, com 12% das pessoas com doenças crónicas a declararem-se confiantes na utilização de informações de saúde provenientes da internet, um valor igualmente inferior à média da OCDE (19%).

O PaRIS indica ainda que pouco mais de metade (53%) das pessoas com doenças crónicas em Portugal é gerida em unidades de cuidados de saúde primários que declaram estar bem preparadas para coordenar os cuidados, em comparação com a média de 56% da OCDE.

Apesar de ter aumentado o uso das tecnologias na saúde após a pandemia, o PaRIS mostra ainda que o potencial das tecnologias digitais não está a ser totalmente usado nos cuidados primários de saúde, pois apenas 7% dos doentes crónicos reportaram ter usado teleconsulta e só 17% acederam aos registos médicos online.

O relatório fala ainda em diferenças no bem-estar e na confiança nos sistemas de saúde entre os géneros, sendo ambos os indicadores mais baixos no caso das mulheres.

Em Portugal, 57% dos homens confiam no sistema de saúde, em comparação com 51% das mulheres. Estes níveis de confiança estão muito abaixo da média da OCDE, tanto para os homens (67%) como para as mulheres (58%).

O PaRIS, que abrangeu mais de 100.000 utentes em 1.800 unidades de cuidados de saúde primários em 19 países, revela as experiências de pessoas com mais de 45 anos nos centros de saúde, incluindo as que vivem com doenças crónicas como hipertensão, artrite, diabetes, doença cardíaca e cancro.

Em Portugal foram inquiridas mais de 12.000 utentes de 91 centros de saúde.

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