Protesto no hospital da Feira contra “funções deturpadas” e milhares em dívida

Profissionais do Hospital São Sebastião, em Santa Maria da Feira, reuniram-se hoje à entrada da unidade em greve contra a imposição de "funções deturpadas" a cerca de 500 trabalhadores e milhares de euros de retroativos em dívida.

© SNS

A justificação para o protesto é explicada à Lusa por Mário Rui Cunha, presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos (STTS), que disse que a legislação da nova carreira de Técnico Auxiliar de Saúde (TAS), em vigor desde janeiro de 2024, continua a não ser cumprida, não só nesse hospital do distrito de Aveiro e da Área Metropolitana do Porto, mas “em todo o país”.

“O Governo tem que olhar de forma séria para a carreira dos TAS, porque a nova lei já está a vigorar há quase um ano e dois meses, mas as funções desses profissionais ainda estão deturpadas. As unidades locais de saúde não se atualizaram em relação às contratações e neste momento há muitos constrangimentos no trabalho dessas pessoas, que estão a ser obrigadas a exercer funções que não são suas e sim dos assistentes operacionais”, declarou o líder do sindicato.

Catarina Magalhães, também dirigente do STTS, afirmou que essa “deturpação” se aplica sobretudo a funções de limpeza e deu exemplos concretos do que se passa na Unidade Local de Saúde do Entre Douro e Vouga (ULS EDV), que, entre dezenas de centros de saúde e outras estruturas, integra os hospitais da Feira, Ovar, São João da Madeira e Oliveira de Azeméis.

“Os TAS estão a ser obrigados a fazer limpezas de casas de banho, copas e espaços comuns, até porque o Hospital da Feira não tem equipa de limpeza. Certas colegas ainda deram um ano de tolerância à situação, mas avisaram que se recusariam a fazer esse serviço a partir de janeiro de 2025, e o que aconteceu foi que ficaram sujeitas a um clima de intimidação, ameaças e processos disciplinares”, revelou a sindicalista.

Uma das técnicas afeta ao São Sebastião instaurou um processo judicial contra essa unidade, porque, segundo o STTS, após a sua recusa em exercer funções que não são da sua categoria profissional, “foi transferida para o Hospital de Ovar, a uma distância muito maior”.

Mário Rui Cunha disse que outro problema a motivar a greve de hoje é o atraso na reposição dos retroativos que o Estado tem em dívida para com “milhares de trabalhadores em todo o país” devido a “pontos retirados à sua avaliação e não contabilizados para efeito da sua progressão remuneratória”.

No caso da ULS EDV, o presidente do sindicato não pôde adiantar o montante exato em dívida, mas referiu que, no caso da congénere da Covilhã, o problema afeta “uns 4.00 trabalhadores, o que representa 10 milhões de euros”.

“Agora imaginem hospitais da dimensão do São João, no Porto, ou do Santa Maria, em Lisboa”, realçou.

O STTS quer, por isso, uma “intervenção urgente do Governo” para resolver o impasse entre as diferentes estruturas do Estado envolvidas no pagamento dessa dívida e promete: “Se isto não se resolver rapidamente, além das próximas greves que já temos anunciadas, também vamos convocar uma manifestação em frente à Assembleia da República”.

A Lusa contactou a ULS EDV para obter esclarecimentos sobre as acusações do sindicato e aguarda uma resposta.

A estrutura sindical adiantou que, cerca das 10:00, registava já “70% de adesão à greve”, contando que essa participação aumentasse por volta da hora de almoço, por altura da mudança de turnos.

Outras reivindicações do protesto são a aplicação do subsídio de risco na carreira de TAS, assim como a revisão do sistema integrado de gestão e avaliação do desempenho na Administração Pública e ainda a instituição do cartão refeição para trabalhadores desse setor no Acordo Coletivo de Empregador Público, pelo valor de 10 euros diários, livres de impostos.

Últimas do País

A GNR da Guarda constituiu cinco arguidos, na quarta-feira, por crimes de burla, no âmbito de uma investigação que decorreu nos distritos do Porto e Coimbra, e apreendeu 4.210 euros em numerário, telemóveis e material informático.
Quatro homens detidos numa operação de combate ao tráfico de droga, em que foram apreendidas quatro toneladas de haxixe e duas embarcações na costa de Setúbal, vão aguardar julgamento em prisão preventiva, informou hoje a GNR.
O presidente do CHEGA pediu hoje ao primeiro-ministro que “volte para Portugal” para que esteja presente na coordenação do combate aos incêndios e possa dar “um puxão de orelhas” ao ministro da Educação por causa dos exames nacionais.
A Polícia Judiciária realizou esta sexta-feira buscas na Junta de Freguesia das Avenidas Novas, presidida pelo PSD. A investigação incide sobre procedimentos administrativos e contratos celebrados com empresas privadas durante o ano de 2025.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) elevou hoje de 10 para 12 o número de distritos de Portugal continental que estão sob aviso vermelho devido ao calor, situação que se mantém até domingo na maioria destes territórios.
Um homem ficou desalojado na sequência de um incêndio que lavra desde quinta-feira no concelho de Cinfães e que está a ser combatido por cerca de uma centena de operacionais, revelou hoje fonte dos Bombeiros de Nespereira.
A divulgação dos resultados e a segunda fase dos exames nacionais foram adiadas devido às falhas da avaliação eletrónica, havendo ainda professores sem receber os itens das provas para corrigir.
Ao contrário do Reino Unido, onde o Governo publica estimativas sobre os custos do sistema de asilo e do apoio aos requerentes de asilo, o Governo não dispõe de um cálculo oficial que permita saber quanto custa, em média, cada imigrante em situação irregular ao Estado.
Líder do CHEGA acusa PSD de ceder à esquerda e defende que quem obtém a nacionalidade portuguesa e comete crimes como pedofilia, tráfico de seres humanos ou associação criminosa deve deixar de ser português.
Vinte e duas buscas, 11 detenções e uma burla de 50 milhões de euros. Foi este o resultado de uma megaoperação da Polícia Judiciária que desmantelou uma alegada rede internacional de cibercrime.