Ordem dos Médicos rejeita prescrição de medicamentos nas farmácias

A Ordem dos Médicos (OM) manifestou hoje "absoluta rejeição" à proposta do Ministério da Saúde que vai permitir às farmácias prescrever e dispensar medicamentos sujeitos a receita médica sem a intervenção de um médico.

© Facebook da Ordem dos Médicos

“A medida constitui uma afronta inaceitável à segurança dos doentes, à qualidade da prestação de cuidados de saúde e ao próprio princípio basilar da medicina: a avaliação clínica rigorosa, fundamentada feita por um médico”, salienta o bastonário da OM, Carlos Cortes, citado em comunicado.

Para a OM, é “irresponsável e irracional” que o médico prescritor de medicamento sujeito a receita médica seja substituído pelo farmacêutico, mesmo em situação de doença considerada aparentemente ligeira.

“Manifestar preocupação é pouco, dada a gravidade que a proposta pode constituir para os cuidados de saúde e para a saúde pública”, sublinha o bastonário.

A OM reagia às declarações na terça-feira da secretária de Estado da Saúde, que manifestou abertura para avaliar o tratamento nas farmácias de infeções ligeiras e pediu a colaboração de todos para a dispensa de medicamentos em proximidade se estender mais rapidamente a todo o território.

Ana Povo disse que está quase concluído o despacho que, envolvendo as ordens profissionais, Infarmed e Direção-Geral da Saúde (DGS), cria condições para avaliar a possibilidade de se poderem tratar nas farmácias situações ligeiras como, por exemplo, algumas infeções urinárias.

O desejo de ver estas situações tratadas pelos farmacêuticos — com protocolos previamente definidos — foi várias vezes expresso por diversas vezes pelo bastonário dos farmacêuticos.

A OM lembra que a prescrição de medicamentos é um ato médico, que exige um diagnóstico preciso, uma avaliação clínica rigorosa e um acompanhamento contínuo do doente.

“Os médicos estão devidamente habilitados e formados para tomar decisões” e garantem que “cada prescrição é feita com base em evidência científica e na melhor prática clínica e não com critérios que nada têm a ver com o exclusivo bem-estar do doente”, segundo a OM.

Opondo-se a práticas de atendimento, diagnóstico, prescrição e de dispensa de medicamentos que possam comprometer a segurança e eficácia dos tratamentos, o organismo reitera que as mesmas devem ser feitas por profissionais “com a formação e o conhecimento científico necessários para avaliar doentes”.

“A proposta contraria os princípios da separação clara entre a prescrição e a dispensa de medicamentos, criando um evidente conflito de interesses que pode comprometer aspetos éticos fundamentais e a isenção necessárias no processo de tratamento dos doentes”, afirma.

A OM exige ainda ao Ministério da Saúde que “não embarque no facilitismo e populismo que as medidas indiciam”, indicando que qualquer alteração à lei deve ser tomada com ponderação.

“O Ministério da Saúde deveria concentrar-se no que importa: reforçar o Serviço Nacional de Saúde, melhorar as condições de trabalho dos profissionais e garantir um acesso atempado e de qualidade aos cuidados médicos com justiça e equidade para toda a população”, refere Carlos Cortes.

Considerando que não se pode “a segurança dos doentes por práticas injustificadas e perigosas”, a OM diz que vai permanecer “firme na defesa intransigente da qualidade dos cuidados de saúde em Portugal” e vai tomar “todas as medidas necessárias para a sua contestação”.

Últimas do País

O Município de Pedrógão Grande remeteu à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro prejuízos de 12,8 milhões de euros devido ao mau tempo, mas a autarquia está a detetar mais danos.
Os guardas prisionais começam esta terça-feira uma greve na cadeia de Vale de Judeus, de onde fugiram cinco reclusos em 2024, que se prolonga até ao dia 30 de abril.
O Tribunal Constitucional esclareceu que rejeitou o recurso apresentado pelo primeiro-ministro para impedir a inclusão dos clientes da Spinumviva no seu registo de interesses por a entrega ter sido feita fora do prazo.
Doze distritos do continente estão esta terça-feira sob aviso amarelo devido à previsão de agitação marítima e queda de neve, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Os profissionais da área dos cuidados paliativos apontaram hoje falta de boatos na gestão dos cuidados, pediram a nomeação urgente da comissão nacional aguardada há um ano e avisaram que se sentiram desamparados.
O advogado oficioso nomeado para o defensor José Sócrates no julgamento do processo Operação Marquês pediu escusa à Ordem dos Advogados e já não vai representar o ex-primeiro-ministro.
A PSP anunciou hoje que efetuou 15 detenções em três dias, por suspeita de crimes de violência doméstica, tráfico de estupefacientes, furto e infrações rodoviárias, que terão ocorrido em Coimbra e na Figueira da Foz.
A Câmara de Leiria aprovou hoje uma moção a exigir a reposição integral da energia e das comunicações em todas as freguesias do concelho, reclamando a melhoria estrutural destas infraestruturas.
As salas de cinema acolheram 842.209 espectadores em fevereiro, o que representa um aumento de 6% face a igual mês de 2025, revelou hoje o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA).
Jovem ameaçou a vítima com uma faca de cozinha e roubou-lhe 40 euros em numerário e um cartão bancário, fugindo de seguida para um estabelecimento comercial.