Relatório da ONU alerta para aumento de drogas sintéticas ilícitas

As drogas sintéticas ilícitas estão a espalhar-se e o consumo está a aumentar, alerta o Conselho Internacional de Controlo de Narcóticos da ONU, que destaca o registo de elevadas quantidades de cetamina nas águas residuais de cidades portuguesas.

© D.R.

O relatório anual de 2024 do Conselho Internacional de Controlo de Narcóticos (INCB), hoje divulgado, refere que tanto a Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA, na sigla em inglês), como o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes, dão conta que a cetamina (droga usada na medicina e veterinária pelas propriedades sedativas) está cada vez mais disponível na Europa Ocidental e Central, tendo sido detetada em águas residuais de cidades monitorizadas desta região.

“As cidades da Dinamarca, Itália, Portugal, Espanha e Reino Unido registaram as concentrações mais elevadas da substância nas águas residuais”, sublinha o documento daquele órgão de controlo de drogas das Nações Unidas.

O Conselho Internacional de Controlo de Narcóticos destaca também que a rápida disseminação de drogas sintéticas ilícitas é um problema com consequências mortais que representa uma séria ameaça à saúde pública.

Nesse sentido, o INCB apela para uma estratégia abrangente e concertada para combater o fabrico, o tráfico e o consumo ilícitos de drogas sintéticas, nomeadamente através do reforço das parcerias público-privadas.

O relatório conclui que a proliferação de drogas sintéticas está a remodelar radicalmente os mercados de drogas ilícitas e que os criminosos são rápidos a explorar lacunas regulamentares e a gerar novas substâncias sintéticas que estão a causar graves danos às pessoas.

Segundo este organismo, estas substâncias são mais fortes “em potência e duração” do que aquelas à base de plantas e estão a causar “um grande número de overdoses fatais todos os anos”.

O documento explica que as drogas sintéticas podem ser fabricadas e traficadas “de forma fácil, com pouco conhecimento técnico ou científico” e não necessitam de mão-de-obra ou terra para cultivo, ao contrário das drogas à base de plantas.

O INCB destaca igualmente que o mercado das drogas sintéticas na Europa deverá expandir-se devido ao défice de oferta de heroína que se aproxima na sequência da proibição do cultivo da papoila do ópio no Afeganistão, imposta pelas autoridades em 2022.

O relatório dá ainda conta que, no ano passado, a União Europeia registou a apreensão de uma quantidade recorde de cocaína pelo sexto ano consecutivo, o que “evidencia a sofisticação crescente das redes de tráfico que operam na região”.

“Os grupos de crime organizado diversificaram cada vez mais as suas estratégias, empregando métodos avançados de ocultação, explorando lacunas nas medidas de segurança portuária e alavancando ferramentas de comunicação digital para facilitar as suas operações”, indica o organismo.

De acordo com o INCB, a proliferação de rotas alternativas de tráfico, incluindo aquelas que envolvem o uso de países de trânsito menos extensivamente monitorizados, demonstra a adaptabilidade dessas redes em resposta às pressões da aplicação da lei.

O documento frisa que “o aumento constante da disponibilidade de cocaína tem sido paralelo ao aumento da sua pureza a nível das ruas, tornando a droga mais atrativa e acessível aos consumidores”, uma tendência com “implicações significativas para a saúde pública”.

O relatório refere que este aumento da disponibilidade no mercado ilícito contribui para “a violência e os homicídios relacionados com bandos em alguns países”.

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