Sindicato diz que greve da Portugália tem grande impacto e “não vai parar”

O sindicato de pilotos da Portugália disse hoje à Lusa que a greve parcial está a ter grande impacto nos voos e que a paralisação "não vai parar", enquanto a TAP reiterou que a operação decorre com normalidade.

©facebook.com/tapairportugal

Fonte oficial do Sindicato Independente de Pilotos de Linhas Aéreas (SIPLA) disse à Lusa que a greve parcial que arrancou dia 12 está a ter “efeito bola de neve” a cada dia que passa e que, apesar de a TAP “a desvalorizar”, são muitos os voos atrasados.

Segundo a mesma fonte, do total de 27 voos Portugália entre as 03:00 e as 09:00 (o período da greve) estão “a ser feitos dois ou três” e os restantes são atrasados para a tarde.

Disse também que a TAP está a fazer alguns voos Portugália em “equipamento TAP e que, devido a isso, “há voos feitos em equipamento TAP que estão a deixar de ser feitos”. Acrescentou que, na sexta-feira, “foram cancelados voos em equipamento TAP”.

O SIPLA afirmou ainda à Lusa que a TAP os contactou por ‘e-mail’ na sexta-feira à noite, mas que apresentou praticamente a mesma proposta já feita anteriormente pelo que a greve é para manter.

“Cartas de conforto não chegam. Ou há compromisso sério e honesto por parte da TAP ou a greve não vai parar”, afirmou a mesma fonte.

Contactada pela Lusa, fonte oficial da TAP remeteu para a informação dada anteriormente, em que a companhia aérea lamenta a greve e diz que a “operação da TAP decorrerá com normalidade neste período”.

“Na impossibilidade de um consenso que permita evitar um protesto cuja razão de ser é de difícil compreensão, a TAP tomou já todas as medidas possíveis para mitigar o efeito desta greve junto dos passageiros”, adiantou.

O SIPLA avançou com um pré-aviso de greve a tempo parcial na Portugália de 12 a 27 de março, sendo que um dos motivos da insatisfação está relacionado com o Regulamento do Recurso à Contratação Externa (RRCE).

Criado em 1998, aquele regulamento tinha como objetivo funcionar como um travão à contratação de voos externos pela TAP, incluindo à Portugália, impondo limites que, caso sejam ultrapassados, revertem a favor dos pilotos da TAP através do pagamento de compensações indemnizatórias.

Este protocolo, usado por várias companhias aéreas europeias, originou custos de 60 milhões de euros no ano passado, como resultado do pagamento de seis salários-base extraordinários a cada piloto da TAP, como o Expresso tinha noticiado em maio de 2024.

Os pilotos da Portugália, que em 2023 realizou cerca de 25% do total de voos da TAP de acordo com o relatório da TAP SGPS, têm vindo a criticar as consequências deste protocolo e defendem que só reforça que a Portugália é “considerada uma empresa externa”.

Segundo fonte oficial do SIPLA, os pilotos da Portugália querem garantias que os salvaguardem no futuro dentro do grupo TAP, mas que o que a TAP dá “são cartas de conforto, não são garantias”.

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