Tribunal vai deslocar-se ao aeroporto de Lisboa para ouvir detidos

O tribunal ao qual compete aplicar medidas a estrangeiros detidos na fronteira vai ter uma sala no aeroporto de Lisboa, de modo a garantir o direito à audição presencial daqueles cidadãos, revelou o Conselho Superior da Magistratura (CSM).

© D.R

“Na prática, trata-se efetivamente de uma deslocação do Juízo [Tribunal] de Pequena Criminalidade de Lisboa, competente para proferir decisão sobre as medidas a aplicar aos estrangeiros detidos na fronteira”, adianta, em resposta à Lusa, o órgão de gestão dos juízes.

A previsão é de que a sala, junto à zona internacional do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, entre em funcionamento “no final do primeiro semestre deste ano”.

O CSM acrescenta que criou, junto do Juízo de Pequena Criminalidade de Lisboa, um lugar de juiz especificamente “com funções para realizar no aeroporto as audições […] e decidir as medidas a tomar quanto aos estrangeiros detidos”.

“O Estado Português tem de garantir a audição presencial de todos os detidos, de forma a observar os direitos fundamentais destes. A forma de o garantir, face aos constrangimentos legais e operacionais à deslocação dos detidos ao tribunal, é a criação de um espaço, no próprio aeroporto, para proceder a tal audição”, justifica o órgão de gestão dos juízes.

Atualmente, “só em raras situações” a audição de estrangeiros detidos em procedimentos na fronteira decorre presencialmente.

Além do juiz, participam nestas diligências um procurador e um advogado de defesa do arguido.

Questionada pela Lusa, a Procuradoria-Geral da República garante que “não deixará de assegurar a participação do Ministério Público nas diligências que venham a realizar-se” no futuro espaço, “encontrando-se em ponderação o concreto modelo a adotar”.

A 14 de março, uma comitiva que inclui o vice-presidente do CSM, Luís Azevedo Mendes, o vice-procurador-geral da República, Paulo Morgado de Carvalho, e representantes da PSP, que fiscaliza os passageiros no aeroporto, visitou o local onde vai funcionar a sala e que será alvo de obras de adaptação, segundo um comunicado então divulgado pelo órgão de gestão dos juízes.

A medida insere-se no trabalho que tem sido desenvolvido entre um grupo de trabalho do CSM e a Agência da Organização das Nações Unidas para os Refugiados para “implementar soluções que reforcem a proteção dos direitos humanos”.

À Lusa, o CSM esclareceu que, “por ora”, não está prevista a instalação de salas similares nos restantes aeroportos portugueses, “uma vez que o número de estrangeiros detidos” no de Lisboa “é muito superior a qualquer outro, por ser a entrada principal no país de cidadãos de fora da União Europeia”.

Últimas do País

Presidente do CHEGA considera que o ministro da Administração Interna não reúne condições para continuar no cargo, critica as explicações prestadas na primeira conferência de imprensa realizada após serem conhecidos os casos polémicos que o envolvem e apela à intervenção do Presidente da República.
A Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve tem por cobrar 1.234.358 euros relativos a serviços prestados a pessoas estrangeiras não residentes em Portugal, em 2023 e 2024, revela uma auditoria da Inspeção-Geral de Atividades em Saúde (IGAS).
Um homem, de 23 anos, foi detido pela PSP e ficou em prisão preventiva por suspeitas de ter agredido a ex-companheira, de 39, depois de ter forçado a entrada na sua casa, em Beja, foi hoje divulgado.
O Tribunal de Ponte de Lima decretou prisão preventiva para um jovem de 27 anos, suspeito de atear cinco focos de incêndio em Ponte de Lima, "num curto espaço de tempo", revelou hoje a GNR.
O Governo está a preparar uma nova Estratégia Nacional para as Comunidades Ciganas, com medidas nas áreas da educação, habitação, emprego, saúde, associativismo e mediação intercultural, mas continua sem revelar quanto custará o plano aos contribuintes.
O acolhimento de cada refugiado em Portugal pode representar uma despesa pública próxima dos 12 mil euros por ano, considerando os custos com alojamento, alimentação, acompanhamento social e acesso aos cuidados de saúde.
Português de 41 anos fugiu após o homicídio, ocorrido em agosto do ano passado, mas acabou localizado no sul de França. Foi extraditado para Portugal e ficou em prisão preventiva.
A Câmara de Manteigas está a efetuar interrupções programadas no abastecimento de água na zona norte da sede do concelho na sequência da redução do caudal das nascentes que abastecem um dos reservatórios que servem aquela vila.
Operação em Loulé e Albufeira terminou com três detenções, dezenas de buscas e a apreensão de droga, dinheiro, notas falsas e material usado no tráfico. Outros três suspeitos foram constituídos arguidos.
A mulher procurada no Brasil para cumprir pena por tortura e rapto e que foi detida nos Açores ficou "em prisão preventiva a aguardar a tramitação do processo de extradição", disse hoje à Lusa fonte da Polícia Judiciária (PJ).