Com diplomas promulgados por Marcelo médicos não recuperam poder de compra

A Federação Nacional dos Médicos considerou hoje que os diplomas promulgados pelo Presidente da República que alteram o regime de dedicação plena e as estruturas remuneratórias, impedem a recuperação, até 2027, dos 20% do poder de compra perdido.

© D.R.

Num comunicado hoje divulgado, a Federação Nacional dos Médicos (Fnam) recorda que a promulgação, na quinta-feira, aconteceu “à 25ª hora de um governo demissionário” e diz que o diploma das tabelas remuneratórias foi promulgado após a recusa da ministra da Saúde em negociar com esta estrutura sindical durante o ano de 2024.

Na quinta-feira, o Presidente da República promulgou dois diplomas referentes aos médicos: um altera o regime jurídico de dedicação plena, alargando a possibilidade de adesão individual aos médicos dos serviços abrangidos pelo regime da carreira especial médica, e o outro altera as estruturas remuneratórias aplicáveis aos que estão em regime de dedicação plena, aos integrados na carreira especial médica e aos médicos internos.

Na nota hoje divulgada, a Fnam acusa o Ministério da Saúde (MS) de, “já com a crise política instalada” e a dias de o Governo entrar em gestão, ter encenado uma negociação “com a estrutura sindical que mais médicos representa” no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Em violação dos procedimentos da contratação coletiva, o MS convocou a Fnam numa madrugada prévia para reunião negocial e recusou a marcação da reunião supletiva nos termos previstos na Lei”, refere.

A federação sindical considera que, com estes diplomas, a ministra da Saúde manterá os médicos do SNS “sem recuperar da perda de poder de compra de 20% até 2027”, que “diminuirá ainda mais para os assistentes graduados seniores”, tendo em conta uma taxa de inflação anual de 3%.

“A farsa negocial com os médicos culminou no agravamento da banalização da falta de médicos em todo o SNS”, afirma a Fnam, considerando que o legado da ministra Ana Paula Martins será um Serviço Nacional de Saúde com serviços de urgência encerrados, sobretudo na área materno-infantil, 1,6 milhões de utentes sem médico de família e listas de espera cirúrgicas por resolver.

“O próximo MS herdará uma política de abandono dos centros de saúde, transformando-os em dispensários de fraldas e pensos higiénicos, utentes reféns de linhas telefónicas obsoletas e a tentativa de transferência de serviços médicos para as farmácias, para profissionais sem habilitações profissionais para o efeito”, escreve a FNAM.

A federação acrescenta ainda à herança da próxima equipa do Ministério da Saúde “uma lista de exonerações e nomeações de conselhos de administração sem experiência em saúde, feitas ao sabor da conveniência partidária, deixando o caos instalado em muitas Unidades Locais de Saúde”.

A Fnam diz ainda que o Ministério da Saúde de Ana Paula Martins teve a “pior gestão da saúde pública em 50 anos de democracia”.

O Governo assinou um acordo de revalorização salarial e das carreiras médicas em 30 de dezembro de 2024, mas apenas com o Sindicato Independente dos Médicos (SIM).

Últimas do País

O CHEGA apresentou um projeto de lei para estabelecer uma presunção de licitude no uso de armas de fogo por agentes das forças de segurança em determinadas situações de perigo iminente.
O homem detido por suspeita de ter burlado utentes de uma instituição particular de solidariedade social (IPSS) de Montemor-o-Velho ficou hoje sujeito a apresentações semanais às autoridades e ao pagamento de uma caução de 100 mil euros, revelou fonte policial.
A linha ferroviária do Norte reabriu hoje às 15h46, com atrasos significativos, após um peregrino ter morrido na sequência de um atropelamento naquela via, disse fonte da CP à agência Lusa.
A GNR realizou uma operação de fiscalização em acampamentos de etnia cigana no concelho de Almeirim, que resultou na apreensão de animais furtados, milhares de metros de fio de cobre e diverso material suspeito de proveniência ilícita.
A Câmara Municipal da Amadora aprovou uma proposta apresentada pelo CHEGA para criar um regulamento municipal que reforça a fiscalização e as regras de segurança em espaços privados utilizados para reuniões religiosas, incluindo mesquitas.
O ex-vice-presidente da Câmara de Gaia Patrocínio Azevedo (PS) foi, esta sexta-feira, condenado a oito anos e meio de prisão no âmbito da Operação Babel, relacionada com a viciação de normas e instrução de processos de licenciamento urbanísticos naquele concelho.
Quase 20 toneladas de droga foram apreendidas numa ação de duas semanas coordenada pela Europol na chamada “autoestrada da cocaína” no oceano Atlântico, entre os Açores e o arquipélago espanhol das Canárias, anunciaram esta sexta-feira as autoridades.
Um homem de 37 anos, suspeito de mais de uma dezena de crimes de dano e furto, ficou em prisão preventiva após detenção em flagrante delito em Angra do Heroísmo, nos Açores, revelou hoje a PSP.
A Guarda Nacional Republicana (GNR) apreendeu na terça-feira mais de 2.100 doses de cocaína no concelho de Penafiel, no distrito do Porto, informou hoje a Guarda.
Seis distritos de Portugal continental estão hoje e sábado sob aviso amarelo devido à previsão de precipitação, por vezes forte, podendo ser acompanhada de trovoada, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).