A segurança privada desempenha um papel crucial na proteção de pessoas, bens e mesmo na manutenção da ordem pública em Portugal. Com o aumento da criminalidade e a crescente preocupação com a segurança, o sector de segurança privada tem-se tornado cada vez mais relevante. No entanto, enfrenta desafios significativos, como o baixo salário dos profissionais, a falta de reconhecimento e a necessidade de melhorias nas condições de trabalho. Este artigo procura discutir a realidade da segurança privada em Portugal, abordando o número total de seguranças, os desafios financeiros enfrentados por esses profissionais e a proposta de um subsídio de risco para áreas de contacto direto com o público.
De acordo com dados recentes, Portugal conta com aproximadamente 40.000 profissionais de segurança privada, nas diversas categorias que o sector comporta. Este número tem crescido nos últimos anos, refletindo a crescente procura por serviços de segurança em diversos sectores, como eventos, transportes públicos e proteção de instalações comerciais. A segurança privada é fundamental para garantir a proteção de pessoas e bens, além de colaborar com as forças de segurança pública na prevenção e combate ao crime. Estatísticas mostram que, em 2023, o número de incidentes relacionados à criminalidade aumentou em várias regiões do país, levando a uma maior necessidade de segurança privada. Assim, é essencial que o sector se adapte a esta realidade, com mais profissionais qualificados e preparados para lidar com as diversas situações que possam surgir no exercício das suas funções.
Um dos principais problemas enfrentados pelos profissionais de segurança privada em Portugal é o baixo salário. Em média, os seguranças recebem cerca de 1.000 euros por mês, o que está abaixo do salário mínimo em muitos países europeus. Essa desvalorização da profissão não apenas desestimula os trabalhadores, mas também compromete a qualidade dos serviços prestados. Profissionais mal remunerados podem estar menos motivados e mais propensos a cometer erros, o que coloca em risco a segurança das pessoas e dos bens que deveriam proteger. Além disso, a falta de benefícios sociais e de estabilidade laboral agrava a situação. Muitos seguranças trabalham por turnos, em condições precárias, com contratos temporários e sem garantias de direitos laborais. Esta insegurança pode levar a um aumento do stress e da insatisfação profissional, o que, por sua vez, afeta a qualidade do serviço prestado.
Além do baixo salário, é fundamental considerar a implementação de um subsídio de risco para os seguranças que atuam em áreas de contacto direto com o público, como eventos, shoppings, supermercados e transportes públicos, por exemplo. Esses profissionais frequentemente enfrentam situações perigosas e stressantes, que exigem habilidades especiais e formação adequada. São eles os primeiros a chegar e a ter o primeiro contacto com a situação de risco até à chegada das autoridades competentes. Um subsídio de risco não apenas valorizaria o trabalho desses profissionais, mas também incentivaria a contratação de seguranças mais qualificados e motivados, resultando num aumento da eficácia dos serviços prestados. A proposta de um subsídio de risco deve ser acompanhada de um reconhecimento formal das funções desempenhadas pelos seguranças. Tal reconhecimento poderia ser implementado através de certificações que valorizassem a formação e a experiência dos profissionais, contribuindo assim para a sua valorização no mercado de trabalho. Não é justo profissionais com muitos anos de experiência terem o mesmo vencimento que colegas acabados de entrar no setor.
A formação e qualificação dos profissionais de segurança privada são aspetos essenciais para garantir a qualidade do serviço. É necessário investir em programas de formação que abordem não apenas as habilidades técnicas, mas também a gestão de crises, a comunicação e o relacionamento interpessoal. Uma formação adequada pode contribuir para a redução de conflitos e a melhoria da imagem do sector. Neste contexto, é importante que as empresas de segurança ofereçam oportunidades de desenvolvimento profissional para os seus funcionários, promovendo um ambiente de trabalho mais positivo e motivador. Além disso, parcerias com instituições de ensino e formação podem ser uma solução eficaz para garantir que os seguranças estejam sempre atualizados em relação às melhores práticas e procedimentos de segurança de acordo com a legislação em vigor, que vai sofrendo naturais atualizações nem sempre devidamente acompanhadas.
O sector de segurança privada frequentemente enfrenta um estigma negativo, associado à desconfiança e à falta de reconhecimento das suas funções. É essencial que a sociedade em geral compreenda a importância do trabalho realizado pelos seguranças e o seu impacto na segurança pública. Campanhas de sensibilização e educação sobre o papel dos profissionais de segurança podem ajudar a mudar essa perceção e a valorizar a sua contribuição. As instituições públicas também devem assumir um papel ativo na valorização do sector, promovendo políticas que garantam melhores condições de trabalho e a dignidade dos profissionais. Uma maior colaboração entre as forças de segurança pública e a segurança privada pode resultar numa abordagem mais eficaz na prevenção e combate ao crime.
Concluindo, a segurança privada em Portugal é um sector em crescimento, mas que enfrenta desafios significativos, como o baixo salário, a falta de reconhecimento e a necessidade de formação adequada. É crucial valorizar o trabalho dos seguranças, implementando políticas que garantam melhores condições de trabalho, incluindo a proposta de um subsídio de risco para áreas de contacto direto com o público. Ao investir na formação e qualificação dos profissionais, o país não apenas melhorará a segurança, mas também contribuirá para a valorização de uma profissão que é vital para a proteção de pessoas e bens. A discussão sobre a segurança privada deve ser uma prioridade, envolvendo não apenas os profissionais do sector, mas também a sociedade em geral, para que possamos construir um futuro mais seguro e justo para todos.
Porque no dia que a segurança privada decidir parar, não duvidem que o país parará também.