Cobrança coerciva de dívidas fiscais aumenta 4,2% em 2024

O valor de dívidas fiscais cobrado de forma coerciva totalizou 1.349 milhões de euros em 2024, uma subida de 4,2% face ao ano anterior, com o IVA e IRS a responderem por quase dois terços daquele montante.

© DR

Estes dados constam da Conta Geral do Estado (CGE) de 2024 publicada pela Direção-Geral do Orçamento (DGO) que indica que a subida do montante de impostos cobrado após ter terminado o prazo de pagamento voluntário aumentou em 54 milhões de euros por comparação com 2023.

De acordo com a CGE, foram cobrados coercivamente 402,1 milhões de euros em IRS e uma quantia idêntica (402,9 milhões de euros) em IVA. Porém, a comparação com 2023 revela evoluções distintas nestes dois impostos. Enquanto no imposto que incide sobre o rendimento dos particulares aqueles 402 milhões de euros refletem um aumento homólogo de 17,3 milhões de euros (4,5%), no caso do IVA a subida face ao ano anterior foi de 101,6 milhões de euros (33,7%).

No conjunto dos impostos indiretos, o IVA surge como um dos poucos em que a cobrança coerciva aumentou (o Imposto do Selo também registou uma subida de 3,1 milhões de euros para 15,9 milhões de euros), registando-se uma descida nos restantes.

Do lado dos impostos diretos, o IRS também é caso único, já que no IRC a cobrança coerciva recuou em 11,5 milhões de euros para 179,7 milhões de euros.

Por outro lado, o valor de dívidas fiscais anuladas em 2024 foi de 609,1 milhões de euros, o que traduz uma quebra de 94,2% face ao ano anterior.

As anulações de dívidas fiscais podem acontecer na sequência de entrega de declarações fiscais de substituição e do desfecho de processos de impugnação judicial e reclamação graciosa.

Para o decréscimo homólogo no montante de dívida anulada “contribuíram principalmente o imposto do selo (IS) e os juros compensatórios, com uma diminuição, no seu conjunto, de 9.867,1 milhões de euros”, lê-se no documento, que adianta que “este decréscimo decorre essencialmente de se ter verificado em 2023, a anulação de uma autoliquidação de IS respeitante à verba 2 — contratos de arrendamento, no valor de 9.796,9 milhões de euros de juros compensatórios, em resultado da anulação do respetivo contrato, o que conduziu à extinção do processo de execução fiscal”.

Últimas de Economia

O Estado reforçou a sua participação na REN com a aquisição de mais 5,3% do capital à Fidelidade. A operação eleva a posição estatal para cerca de 19%, num investimento global que poderá atingir os 537 milhões de euros, segundo cálculos do jornal ECO.
Um agravamento da conjuntura económica poderá retirar dois mil milhões de euros à riqueza produzida em Portugal. O cenário de risco é reconhecido pelo próprio Governo.
O preço por litro da gasolina deverá subir cerca de cinco cêntimos e o de gasóleo deverá descer até um cêntimo na próxima semana, segundo as estimativas divulgadas esta sexta-feira pelo Automóvel Club de Portugal (ACP) e pela Anarec.
Os custos de construção de habitação nova terão aumentado 7,5% em agosto, em termos homólogos, tendo os materiais subido 7,1% e a mão-de-obra 8,0%, de acordo com uma estimativa divulgada esta sexta-feira pelo INE.
A presidente do Tribunal de Contas defendeu que reformas das finanças públicas não devem enfraquecer o controlo externo da despesa, para proteger as democracias.
A receita fiscal prevista para o próximo ano equivale a cerca de 7.350 euros por habitante, num cenário em que o Estado espera arrecadar mais dinheiro através dos impostos.
O Estado português prepara-se para arrecadar 70,67 mil milhões de euros em impostos no próximo ano, um novo máximo que representa mais 2,86 mil milhões de euros face à estimativa para 2026.
O presidente do CHEGA responsabiliza o Partido Socialista de abrir caminho a um Orçamento que, segundo afirma, vai agravar o custo de vida das famílias. O líder do CHEGA critica a ausência de reduções do IVA nos combustíveis e no cabaz alimentar e denuncia um “falhanço em toda a linha”.
O Governo prevê arrecadar 3.796 milhões de euros em 2027 com o imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP), mais 186 milhões do que o estimado para este ano, segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2027.
André Ventura acusou o Governo de estar a penalizar os portugueses com a subida dos impostos e voltou a exigir uma redução do IVA nos combustíveis. “Os portugueses estão a sofrer, e não é pouco”, defendeu.