Escolas podem reforçar mediadores para apoiarem alunos estrangeiros

As escolas públicas vão poder reforçar, no próximo ano letivo, o número de mediadores culturais e linguísticos para apoiar aos alunos estrangeiros, mas os diretores avisam que serão precisos cada vez mais, após uma experiência que correu bem.

© D.R.

Foi no início do ano que o Governo anunciou que algumas escolas poderiam contratar mediadores culturais e linguísticos para apoiar a integração dos alunos estrangeiros que, nos últimos dois anos letivos, passaram de 70 mil para 140 mil.

No total, seriam 287,5 mediadores distribuídos por 319 agrupamentos (39% das escolas públicas), mas as escolas acabaram por contratar apenas 268,5 (ou seja 268 e um a tempo parcial), segundo um balanço enviado pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) à agência Lusa.

Para o próximo ano letivo, o MECI autorizou a contratação de 310 mediadores, mais 22,5 face ao anterior, distribuídos em 347 escolas, com Lisboa e Vale do Tejo a receber a maioria, seguida de Faro.

“Assim sendo, as escolas terão a possibilidade de contratar um número igual ou superior de mediadores linguísticos e culturais, podendo contratar a mesma pessoa ou outra, conforme considerarem mais adequado”, refere a tutela.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep) elogia o reforço, mas avisa que serão precisos cada vez mais.

“Temos no nosso país milhares de crianças e alunos filhos de imigrantes e o papel deles (mediadores) de interligação com os professores é bastante importante”, sublinha Filinto Lima, em declarações à agência Lusa, apontando a necessidade de reforçar a presença destes profissionais, desde logo, com a atribuição de mais horas, uma vez que muitas escolas só podem contratar para horários de 18 horas semanais.

A presença dos mediadores nas escolas foi curta e muitos só iniciaram funções no final do 2.º período letivo, mas, ainda assim, Filinto Lima, que recebeu na sua escola, em Vila Nova de Gaia, um mediador a tempo parcial, diz que a experiência foi positiva.

“Fizeram vários tipos de trabalho”, começou por referir, explicando que além do trabalho direito com os alunos e com os professores, houve escolas onde os mediadores promoveram encontros gastronómicos relacionados com as diferentes culturas e envolvendo os pais.

“Isto é bastante importante, porque há um sentimento de pertença àquela comunidade. É um exemplo que eu acho que é feliz”, sublinhou, relatando que as escolas, dentro da sua autonomia, desenvolveram atividades muito diferentes e houve até professores que solicitaram o apoio dos mediadores durante as aulas.

Na nota informativa enviada às escolas em janeiro, o Ministério da Educação referia um conjunto de critérios de recrutamento e seleção obrigatórios: cidadania portuguesa ou presença regularizada em Portugal, serem fluentes em língua portuguesa e a, pelo menos, uma língua estrangeira a definir pela escola, e a ausência de antecedentes criminais.

Por outro lado, sugeria outros critérios preferenciais, como a detenção de uma licenciatura nas áreas da Psicologia, Educação Social, Sociologia ou outra área das Ciências Sociais e Humanas.

Não têm licenciatura, mas alguns dos 14 alunos que terminaram este ano o curso profissional de Mediador Intercultural do Instituto para o Desenvolvimento Social (IDS) veem nas escolas uma oportunidade de primeiro emprego.

São os primeiros diplomados do primeiro curso profissional de Mediador Intercultural do país, inaugurado em 2022 para responder aos desafios de uma sociedade portuguesa cada vez mais intercultural, explicou à Lusa a diretora pedagógica do IDS.

“Estes jovens podem colaborar na integração de grupos de diferentes etnias e culturas, trabalhar com comunidades migrantes e ciganas. Enfim, aqui a diversidade ao nível do grupo-alvo é muito grande”, refere Filomena Gonçalves.

Alguns chegaram a estagiar em escolas e a responsável sublinha o contributo que podem dar ao diminuir barreiras linguistas e culturais.

“Tivemos uma aluna que fez o estágio numa escola e ela referia exatamente isso. Havia muitos jovens migrantes que não participavam em determinadas atividades e o mediador intercultural ajuda nessa integração, até em contexto de sala de aula”, relata.

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