Criação de empresas abranda em vários setores e regiões, com transportes e retalho em queda

Apesar de o número total de empresas criadas em Portugal até setembro ter aumentado 3,7% face ao mesmo período de 2024, mais 1.636 novas constituições, atingindo o valor mais elevado dos últimos 20 anos, os dados do Barómetro da Informa D&B revelam sinais de desaceleração em vários setores e regiões do país.

© D.R.

O destaque negativo vai para os transportes, que registaram uma queda de 12%, correspondendo a menos 88 empresas criadas. Este é já o segundo ano consecutivo de recuo num setor que, até há pouco tempo, apresentava um ritmo de crescimento acelerado.

Também o retalho continua em terreno negativo, com uma diminuição de 7,1% nas novas constituições, menos 284 empresas face ao mesmo período do ano anterior. Já os serviços gerais registaram uma descida mais ligeira, de 1,8% (menos 117 constituições), refletindo uma travagem no dinamismo empresarial em áreas tradicionalmente estáveis.

A região do Algarve foi a única do país a apresentar um saldo negativo global, com uma quebra de 1,3% (menos 35 novas empresas). A descida explica-se sobretudo pela contração na criação de empresas de transportes, um dos setores mais afetados no sul do país.

Apesar destas quebras, o Norte continua a liderar em número de novas empresas, com 14.200 constituições, o que representa um crescimento de 5% face a 2024. Ainda assim, especialistas sublinham que o ritmo de crescimento se encontra desigual, refletindo as diferentes dinâmicas económicas regionais.

O relatório da Informa D&B assinala ainda uma redução do número de insolvências, com 1.676 empresas a iniciar processos entre janeiro e outubro, uma queda de 4,3% após dois anos de aumentos consecutivos. Também o número de encerramentos baixou, com 9.622 empresas a cessarem atividade até final de outubro.

Apesar do saldo positivo global, os analistas alertam que a queda em setores-chave como os transportes e o retalho pode indiciar mudanças estruturais no tecido empresarial português, marcadas por custos operacionais elevados e por uma conjuntura económica ainda incerta.

Últimas de Economia

A taxa de poupança das famílias na zona euro diminuiu para 14,2% no segundo trimestre, enquanto a taxa de investimento manteve-se estável em 8,3%, divulga hoje o Eurostat.
A taxa de inflação homóloga da zona euro terá aumentado para 3,8% em setembro de 2026, puxada pelos preços da energia, segundo uma estimativa rápida do Eurostat.
O índice dos preços mundiais calculado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) subiu 5,8% em setembro face ao mesmo mês de 2025, foi hoje anunciado.
O Banco de Portugal (BdP) alertou hoje para uma nova burla e apelou às pessoas para terem atenção se receberem um cartão multibanco novo na caixa do correio, já que este pode ser falso.
A taxa de juro média das novas operações de crédito à habitação voltou a subir em cadeia em agosto, para 3,00%, situando-se acima dos 2,88% do mesmo mês de 2025, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
Os preços das casas subiram, no primeiro trimestre, 1,1% na zona euro e 1,2% na União Europeia (UE) na comparação homóloga, com Portugal a registar o maior aumento entre os Estados-membros (16,5%), divulga o Eurostat.
O Tribunal de Contas detetou falhas na informação sobre centenas de milhões de euros distribuídos pelo Estado a fundo perdido. Dos apoios analisados, 526 milhões ficaram sem informação suficientemente clara sobre a respetiva identificação ou finalidade. Conta Geral do Estado de 2025 recebeu um juízo de não conformidade.
O preço do cabaz alimentar composto por 63 bens essenciais monitorizado pela Deco Proteste aumentou 11 cêntimos na última semana, após ter descido na semana anterior, fixando-se nos 254,22 euros, informou hoje a associação de defesa do consumidor.
O presidente do CHEGA criticou as alterações do Governo ao regime do arrendamento e alertou para o aumento do custo da habitação. "Queremos direitos para quem se mata a trabalhar e não consegue pagar uma casa", afirmou André Ventura.
O Estado registou um excedente de 249,3 milhões de euros até agosto, uma diminuição de 1.799,4 milhões de euros face ao período homólogo, revelou a síntese de execução orçamental.