Ventura admite “dar poder extraordinário” à polícia e outras autoridades

O candidato presidencial André Ventura afirmou hoje que, se for eleito Presidente da República, admite vir a decretar estados de exceção para "dar poder extraordinário" à polícia e outras autoridades para combater o crime.

© Folha Nacional

Numa conferência de imprensa, na sede nacional do CHEGA, em Lisboa, André Ventura alegou que os crimes graves estão a aumentar em Portugal e associou a criminalidade, em particular o tráfico de droga, à imigração ilegal.

“E por isso não me admira que precisemos de alguma espécie de estado de emergência para poder responder ao crime a que estamos a assistir em Portugal. É mesmo esta a palavra: uma espécie de estado de emergência, tal como tivemos no passado, para dar mais poderes à polícia de poder prender, para dar mais poderes à polícia de poder disparar quando tem de disparar, para dar mais poderes à polícia de garantir a ordem pública”, defendeu.

André Ventura, que nesta conferência de imprensa também falou como presidente do CHEGA, abordou o tema do combate ao crime sobretudo enquanto candidato a Presidente da República, referindo que faltam cerca de dois meses para as eleições presidenciais de 18 de janeiro.

“E isto é ao que venho: não terei medo de nenhum estado jurídico diferenciado ou uma espécie de estado de emergência que seja para dar poder extraordinário às autoridades, à polícia e às outras autoridades, judiciais e administrativas, para combater o crime, para prender quem tem de ser preso e para garantir julgamentos rápidos a quem tiver de ser rapidamente julgado”, afirmou.

A Constituição da República Portuguesa prevê o estado de emergência e o estado de sítio como regimes excecionais, sem os quais “os órgãos de soberania não podem, conjunta ou separadamente, suspender o exercício dos direitos, liberdades e garantias”.

Estes dois regimes, previstos para “casos de agressão efetiva ou iminente por forças estrangeiras, de grave ameaça ou perturbação da ordem constitucional democrática ou de calamidade pública”, implicam uma proposta do Presidente da República, uma autorização da Assembleia da República, com consulta ao Governo, e têm duração máxima de quinze dias, salvo em casos de guerra, podendo contudo ser renovados.

André Ventura falou de casos concretos de crimes cometidos recentemente no país como o de “um proprietário de uma ourivesaria estrangulado até à morte” e alegou que “o aumento da criminalidade tem sido evidente”.

“O aumento de criminalidade violenta e organizada, como o tráfico de droga nas nossas fronteiras, na nossa zona marítima, relacionado com a imigração ilegal e com a chegada de milhares de pessoas, muitas delas oriundas de grupos criminosos de outras zonas do mundo, estão a tornar Portugal um país mais inseguro”, acrescentou.

O presidente do CHEGA e candidato presidencial insistiu que se deve ” “recorrer aos instrumentos” ao dispor “para tornar o país mais seguro” e “dar mais poder à polícia para poder resolver o problema”.

“Eu tenho ouvido outros candidatos presenciais como Gouveia e Melo e António José Segura e Marques Mendes dizerem que está tudo bem, que isto são sensações, que isto são perceções. Não são, isto está a piorar, as pessoas estão a ficar cada vez mais inseguras”, declarou, reiterando que é preciso “um estado de emergência para resolver isto”.

Últimas de Política Nacional

O CHEGA defendeu ontem que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, "perdeu por completo o controlo da situação" relativa ao ministro da Administração Interna e insistiu na saída de Luís Neves do cargo.
O Ministério da Justiça (MJ) ordenou uma auditoria interna à Polícia Judiciária (PJ) na sequência das notícias sobre o funcionamento desta polícia no mandato do ex-diretor nacional e atual ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Luís Neves está novamente no centro da polémica. O atual ministro da Administração Interna vai ser julgado no Tribunal de Contas por infrações financeiras cometidas quando era diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), num caso relacionado com contratos públicos que, segundo o tribunal, não cumpriram as regras da contratação pública.
O CHEGA defende que Portugal deve exigir a exclusão de Marrocos da organização conjunta do Mundial de Futebol de 2030, na sequência da invasão massiva de migrantes em Ceuta.
O CHEGA defende que Portugal deve exigir a exclusão de Marrocos da organização conjunta do Mundial de Futebol de 2030, na sequência da invasão massiva de migrantes em Ceuta.
O movimento de professores Missão Escola Pública (MEP) considerou hoje que será "praticamente impossível" concluir as reapreciações da 1.ª fase dos exames nacionais até sexta-feira, relatando casos de docentes convocados nos últimos dias.
O presidente do Chega considerou ontem que os dados sobre a dívida pública evidenciam uma "péssima gestão" do Governo, além de uma "enorme incompetência", e defendeu que este "é um dado que não deve ser desvalorizado".
O presidente do CHEGA, André Ventura, afirmou que os responsáveis pela invasão do seu gabinete devem ser afastados "da Assembleia da República e da vida política".
O Presidente do CHEGA voltou a pedir a demissão do ministro da Administração Interna e a intervenção do Presidente da República, considerando que as polémicas com Luís Neves estão a levar a uma "degradação da autoridade do Estado".
A escolha é entre André Ventura, do CHEGA, e Luís Montenegro, do PSD. Para os inquiridos da última sondagem da Aximage, André Ventura ocupa o primeiro lugar no pódio, com 44% dos inquiridos a considerá-lo o Líder da direita em Portugal. Em segundo lugar surge Luís Montenegro, atual Primeiro-ministro, com 43% dos votos.