Para sustentar a ideia, Montenegro referiu a recente visita oficial à Alemanha, defendendo que a maior economia da Europa enfrenta atualmente maiores dificuldades económicas do que Portugal.
As declarações surgem, no entanto, numa altura em que milhares de portugueses continuam confrontados com salários baixos, prestações da casa elevadas, aumento do custo de vida e uma crise de habitação sem precedentes.
Os números de Portugal continuam longe da realidade económica alemã em áreas fundamentais como salários médios, produtividade, indústria, poder de compra ou poupança das famílias.
Segundo dados europeus recentes, o salário médio alemão continua a ser mais do dobro do português, enquanto o poder de compra em Portugal permanece entre os mais baixos da Europa Ocidental.
Também ao nível da habitação, Portugal enfrenta atualmente uma das maiores pressões imobiliárias da União Europeia, com rendas e preços das casas a subir muito acima da capacidade salarial da maioria das famílias.
Ao mesmo tempo, o país continua a assistir à saída de jovens qualificados para o estrangeiro e ao crescimento da precariedade laboral, sobretudo entre as novas gerações.
As palavras do primeiro-ministro estão por isso a ser vistas por muitos como desconectadas da realidade vivida pela população.
Nas redes sociais multiplicam-se críticas e ironias às declarações de Montenegro, com vários utilizadores a questionarem em que indicadores concretos Portugal poderá estar “melhor” do que a Alemanha.
A polémica surge também numa altura particularmente sensível para o Governo, marcada pelo aumento da pressão sobre os serviços públicos, dificuldades económicas das famílias e sucessivos alertas sobre perda de poder de compra, agravados pela guerra.