“Vão dizer a um político, que defende que os ciganos devem cumprir a lei, para mudar de opinião?”

André Ventura deixou claro que não está disposto a ceder no que entende serem valores essenciais, assegurando que não prescinde do seu direito à liberdade de expressão nem aceita qualquer imposição que limite a sua voz política.

© Folha Nacional

Arrancou esta terça-feira, no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, o julgamento que irá decidir se André Ventura, presidente do CHEGA, poderá ser obrigado a retirar cartazes da campanha presidencial com mensagens dirigidas à comunidade cigana. Em causa está a frase ‘Os ciganos têm de cumprir a lei’, que motivaram queixas de associações e particulares.

O líder do CHEGA marcou presença no início da sessão, mas abandonou a sala quando representantes da comunidade cigana começaram a prestar depoimento. À saída, falou aos jornalistas, deixando claro que não se compromete a retirar os cartazes, mesmo que essa venha a ser a decisão do tribunal.

“Vão dizer a um político, que defende que os ciganos não cumprem a lei e que têm de cumpri-la, que tem de mudar a sua opinião?”, questionou André Ventura, denunciando o que considera ser uma tentativa de silenciamento político através dos tribunais. “Mas já chegámos à Coreia do Norte ou à Venezuela e eu não sei?”, acrescentou.

O presidente do CHEGA esclareceu ainda que afasta qualquer pedido de desculpas: “Para eu pedir desculpa, a comunidade cigana tinha de pedir desculpa pelos 500 anos em Portugal em que não aceitou integrar-se e cumprir a lei. Acabou o tempo da falinha mansa.”

Ventura reafirmou-se como “um democrata” e garantiu que não abdica de princípios que considera fundamentais. “Não abdico da minha liberdade”, frisou.

O julgamento prossegue na próxima quinta-feira, dia 18, e promete continuar a alimentar a polémica política e mediática, ao colocar no centro do debate os limites entre liberdade de expressão, discurso político e intervenção judicial em contexto eleitoral.

Últimas de Política Nacional

O CHEGA voltou a exigir fronteiras controladas perante a invasão migratória registada em Ceuta, onde cerca de 49 mil imigrantes entraram ilegalmente em apenas 24 horas, um número que poderá ser ainda mais elevado. Para André Ventura, a Europa tem de travar a imigração ilegal e recuperar imediatamente o controlo das suas fronteiras. “Temos de proteger o país”, afirmou o presidente do partido líder da oposição em Portugal.
Na mais recente sondagem da Aximage, o CHEGA volta a subir para valores históricos, consolidando-se como segunda força política, com 26,2% das intenções de voto.
O Governo vai avançar com seis milhões de euros para financiar projetos especificamente dirigidos às comunidades ciganas, ao mesmo tempo que milhares de famílias trabalhadoras portuguesas continuam a enfrentar salários baixos, dificuldades no acesso à habitação, longas listas de espera no Serviço Nacional de Saúde e uma carga fiscal cada vez mais pesada.
O CHEGA deu entrada de um requerimento para a convocação urgente da Comissão Permanente da Assembleia da República, com vista à audição do Ministro da Administração Interna, Luís Neves, e da Ministra da Justiça.
Com 132 projetos de lei apresentados na primeira sessão legislativa, a bancada de André Ventura tornou-se a mais produtiva da Assembleia da República. O CHEGA entregou o dobro das iniciativas do PS e superou, de forma destacada, todos os restantes partidos com representação parlamentar.
Para o CHEGA, o Estado não pode continuar a privilegiar quem “não quer fazer nada”, defendendo, por isso, a criação de um “plano nacional de combate à subsidiodependência”.
Líder do CHEGA acusa Luís Montenegro de ignorar os problemas dos portugueses, questiona a confiança política no ministro da Administração Interna e afirma que o Governo está em “acelerada decomposição”.
O presidente do CHEGA disse esperar ter uma conversa com o primeiro-ministro sobre as alegadas ameaças do ministro da Administração Interna (MAI), negadas pelo próprio, e vai convocar os órgãos nacionais para decidir eventuais ações.
A decisão do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa de condenar o Estado português ao pagamento de uma indemnização de 15 mil euros ao antigo primeiro-ministro José Sócrates constitui, para o partido CHEGA, "um sinal preocupante para a credibilidade da justiça". O PSD defende o cumprimento das decisões dos tribunais.
O debate parlamentar de 27 de maio, dedicado ao SIRESP, ficou marcado por um momento de grande tensão. Depois de André Ventura ter acusado o Governo de esconder informação sobre o Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), o ministro da Administração Interna, Luís Neves, foi captado a ameaçar o Presidente do CHEGA: “Vais pagá-las todas!”