IRMÃO DO CHEFE DE GABINETE DE MONTENEGRO NOMEADO PARA REFORMA DO ESTADO COM SALÁRIO DE 4.400 EUROS

Frederico Perestrelo Pinto, de 25 anos, passará a auferir 4.404 euros brutos mensais, um valor próximo do vencimento de um deputado. Nomeação assinada por três ministros levanta dúvidas.

© Folha Nacional

O irmão do chefe de gabinete do primeiro-ministro, Luís Montenegro, foi nomeado consultor coordenador do Grupo de Trabalho para a Reforma do Estado, uma das prioridades estratégicas do atual Executivo. A informação foi avançada pela CNN Portugal e envolve Frederico Perestrelo Pinto, de 25 anos, que passará a auferir 4.404 euros brutos mensais, um valor próximo do vencimento de um deputado.

Até há poucos meses, Frederico Pinto exercia funções em Madrid como analista de desenvolvimento de negócios na EDP Renováveis, depois de um percurso profissional que incluiu estágios na própria EDP e na Caixa Geral de Depósitos. Regressa agora a Portugal para integrar o grupo criado para impulsionar a reforma do Estado, numa comissão de serviço com duração até 31 de dezembro de 2026.

A nomeação foi formalizada por despacho conjunto dos ministros das Finanças, da Presidência e da Reforma do Estado, refere a CNN Portugal. O Governo sustenta a escolha com base no currículo académico do jovem economista, destacando as classificações elevadas obtidas na licenciatura na Nova SBE e no mestrado na Universidade Bocconi, em Itália, bem como a existência de um processo de recrutamento com análise curricular e entrevista.

O Ministério da Reforma do Estado garante que o novo consultor reúne todos os critérios exigidos — perfil analítico, experiência em gestão e capacidade de acompanhamento de projetos — e rejeita qualquer favorecimento. O chefe de gabinete do primeiro-ministro, Pedro Perestrelo Pinto, assegura que não teve qualquer intervenção no processo e afirma que apenas teve conhecimento da proposta quando o irmão o informou. “O meu irmão tem uma carreira profissional autónoma e independente”, sublinha.

O Grupo de Trabalho para a Reforma do Estado poderá integrar até 15 elementos, todos em regime de comissão de serviço. Na última semana foram nomeados quatro consultores coordenadores, mas esta escolha, pela proximidade ao núcleo do primeiro-ministro e pela idade do nomeado, deverá continuar a suscitar debate público.

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