Mau tempo: Bombeiros Voluntários de Penela com prejuízos de meio milhão de euros

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Penela estima prejuízos de 500 mil euros na sequência das recentes tempestades, disse hoje à agência Lusa o presidente da instituição, que lamentou a falta de respostas para estas organizações.

© Liga dos Bombeiros Portugueses

“Se for para fazer os muros de betão, fazer o acesso às garagens, os estragos que temos no centro de treinos e no edifício do quartel central, temos cerca de meio milhão de euros” de prejuízos, afirmou Jorge Pereira.

De acordo com o dirigente, os danos na cobertura foram avaliados em cerca de 200 mil euros e na central de emergência o orçamento é de 25 a 30 mil euros.

A estes prejuízos soma-se o deslizamento de terras que impedem o acesso ao centro de treinos e emergência, às garagens e a um piso onde há materiais e equipamentos guardados, que “ficou completamento destruído”.

Jorge Pereira indicou que “há algumas situações” que ainda não conseguiram “avaliar bem”, como, por exemplo, o telhado das novas camaratas, que levantou devido à passagem da depressão Kristin, mas que não foi arrancado.

“Está remediado para não chover dentro das camaratas, mas tem de ser avaliado e reparado, com certeza, porque terá estragos”, referiu, sublinhando que a situação “mais emergente de se resolver” é a da central de emergência.

Para o responsável, “há estruturas que têm de ser pensadas para os novos desafios” e para “as mudanças climáticas”, para evitar a repetição destas situações no futuro.

“Neste meio milhão [de euros] estamos a acrescentar algo para melhorar as estruturas e as infraestruturas”, sustentou.

Jorge Pereira salientou que a corporação já teve a visita de várias autoridades, entre elas a do secretário de Estado da Proteção Civil, da Autoridade Nacional de Proteção Civil, da Liga dos Bombeiros e do presidente da Federação de Coimbra, mas frisou que as “visitas não resolvem”.

“As visitas são importantes, mas depois é preciso resposta, ação. É preciso alguém dizer ‘avancem que a gente depois cá estará para resolver’. Nem linhas de crédito abriram para este tipo de instituições”, lamentou.

Segundo Jorge Pereira, “os únicos donativos” que estão a receber são de pessoas “que estão preocupadas”, estando a decorrer uma campanha de angariação de fundos lançada por um residente de Penela e uma outra que está a ser feita na comunidade estrangeira do concelho.

A associação também irá avançar com uma recolha própria de fundos.

“Nós, associação, não lançámos nada, mas vamos lançar. Como está a haver estas campanhas de pessoas solidárias com os bombeiros, estamos a aguardar e também estávamos a aguardar na expectativa de não ser preciso serem outra vez as pessoas a financiarem aquilo que o Estado deveria financiar”, assinalou.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.

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