Tempestade Kristin: 12 desalojados ainda sem casa em Leiria

No pavilhão do Souto da Carpalhosa, em Leiria, chegaram a estar 26 desalojados por causa da depressão Kristin. Hoje, ainda há 12 pessoas, entre elas Filomena e Vitor, há quase três semanas à espera de dias melhores.

© LUSA

Numa parte do pavilhão resguardada por lonas pretas, Filomena e a sua sogra estão sentadas em redor de uma mesa e de um aquecedor a óleo. Ao lado, há dominós, cartas, livros e uma televisão onde se veem alguns filmes em DVD para passar o tempo.

Num dos cantos, estão os colchões onde 12 pessoas continuam a dormir passadas mais de três semanas da passagem da depressão, num espaço onde ainda há uma mesa corrida para as refeições.

Em 28 de janeiro, Filomena César lembra-se de acordar na sua casa na Moita da Roda com “uma ventania desgraçada”, que levou “telhas por tudo o que era sítio”.

Sem pregar olho, pela manhã, viu “a miséria” que o vento provocou, diz à agência Lusa a mulher de 71 anos, que ainda teve de acudir à família da sua cunhada, que morava perto e que também “ficou sem casa”.

Dos 12 que estão no pavilhão, oito são da sua família.

Os oito ficaram em casa, com baldes a apanhar a água que caía, até a proteção civil os ter identificado e levado para o pavilhão gimnodesportivo do Souto da Carpalhosa, freguesia da zona rural de Leiria.

“Agora, estamos à espera que nos ajudem a arranjar a casa”, conta.

Na casa, chove dentro da casa de banho, uma parte do telhado voou e foi substituído por umas chapas, o quarto de Filomena e do companheiro Vítor está negro de humidade e, no da sua sogra, há uma grande racha que se foi abrindo no teto.

“Uma pessoa põe-se a olhar para aqui e faz o quê? Nada. Vocês já viram como está?”, pergunta Vítor Ginja, companheiro de Filomena, enquanto olha para a casa e comenta: “Às vezes, só apetece fugir”.

Filomena tenta, por agora, manter o espírito para cima: “Ele desanima forte, mas temos que andar em frente”.

Hoje, as 12 pessoas deverão trocar o pavilhão por três casas pré-fabricadas que foram instaladas ao lado.

Só isso já dá alguma esperança a Filomena, que espera agora poder estar junto dos seus dois cães: Bianca, uma chihuahua roliça, e Matias, um pinscher castanho.

“Está com umas saudades, a minha menina”, diz, enquanto revê Bianca na casa de onde teve de sair.

Apesar da situação, mostra-se grata por toda a ajuda que a família tem recebido: “Correu tudo bem, graças a Deus não nos podemos queixar. Eu não me posso queixar. Não me queixo porque a Junta tem feito muito, muito por nós. Só temos de agradecer ao presidente da Junta”.

Sobre a vida no pavilhão, Filomena admite que parecia “um circo — umas barulhentas, outras menos, umas que se zangavam, mas passou-se”.

“Parecia o Big Brother”, complementa a sua sogra Isabela Domingues, que tenta afastar a tristeza, “que não remedia nada”.

“Basta a boa vontade de quem nos está a ajudar, que o resto a gente tem de fazer frente e temos de ter fé que vai estar melhor amanhã. E continuamos a manter essa esperança”, acrescenta Filomena, acreditando que tudo irá passar, apesar de, neste momento, serem poucas as certezas que tem sobre o futuro da sua casa.

Últimas do País

O partido liderado por André Ventura marcou presença nas comemorações do 52.º aniversário do Estado-Maior-General das Forças Armadas, na Madeira, e defendeu que homenagear os militares “exige mais do que discursos e cerimónias”. CHEGA defende investimento na Defesa, valorização das carreiras e melhores pensões para antigos combatentes.
Ana Catarina Mendes e Edite Estrela estão entre as figuras que terão recorrido ao então secretário de Estado da Saúde para pedir informações ou ajuda relacionada com doentes. Rita Ferro Rodrigues também contactou Lacerda Sales.
Entrar de carro em Lisboa e no Porto pode vir a ter um novo custo. O Governo admite repensar o atual modelo de financiamento das estradas, enquanto um estudo apresentado pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) coloca em cima da mesa novas formas de cobrança aos automobilistas, incluindo taxas de congestionamento nos acessos às grandes áreas metropolitanas. O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, defendeu que é necessário encontrar alternativas para financiar a rede rodoviária e recuperar o princípio do "utilizador-pagador".
O impacto de uma morte pode prolongar-se muito para além do funeral, afetando a saúde, as famílias, o trabalho, a produtividade e até as contas públicas. Portugal regista mais de 120 mil óbitos por ano, mas continua sem medir o verdadeiro custo económico e social do luto.
Ministério Público acusa dez pessoas, incluindo seis funcionários da empresa municipal e três dirigentes. Em causa está um alegado esquema para favorecer um empresário e duas sociedades, através da manipulação de procedimentos de contratação pública e da posterior regularização de trabalhos que já tinham sido executados.
O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), Paulo Santos, acusou hoje o Governo de propaganda, na sequência do anúncio de que 700 agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) vão para a pré-aposentação.
Tratores e outros veículos conduzidos por agricultores percorrem hoje de manhã em marcha lenta a Estrada Nacional 260 (EN260) junto a Serpa, no distrito de Beja, num protesto contra o aumento dos custos de produção no setor.
Menor terá feito vários disparos com projéteis de plástico a partir da varanda de uma residência nas Caldas da Rainha. Réplica foi apreendida pela PSP, que alerta: "Não deve ser tratada como um brinquedo."
PSP registou mais de 54 mil crimes contra pessoas idosas nos últimos três anos, com milhares de casos de furtos, burlas e violência doméstica. Só durante o verão, 294 idosos foram encontrados em situação de risco.
Trinta pessoas morreram em cinco meses da época balnear, divulgou hoje a Autoridade Marítima Nacional (AMN) num balanço que assinala ainda 1.418 salvamentos e 2.609 ações de primeiros-socorros.