Cheias aliviam no Médio Tejo mas Lezíria mantém constrangimentos

A situação das cheias no rio Tejo evolui de forma lenta mas gradual no Médio Tejo e na zona da Lezíria, mantendo-se o alerta amarelo ativo e várias estradas submersas.

© D.R.

“Efetivamente os caudais mantêm-se aqui dentro dos critérios para termos o plano no seu nível amarelo. Contámos esta manhã, em Almourol, com cerca de 1.600 metros cúbicos por segundo [m3/s]. À noite aumentámos um pouco, agora baixámos novamente, mas ainda não baixámos para aquilo que são os critérios para passarmos o Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo de amarelo para azul e, depois, para o desativarmos”, afirmou esta sexta-feira, 20 de fevereiro, à Lusa o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, no distrito de Santarém.

Às 09:00 desta sexta-feira, no ponto de medição em Almourol, o caudal era de 1.590 m3/s, acima da referência de 1.200 m3/s necessária para desativar o alerta amarelo, mas muito abaixo do pico de cheia – 9.057 m3/s – registado em 06 de fevereiro, já em alerta vermelho, desagravado para amarelo na segunda-feira.

Segundo David Lobato, na sub-região do Médio Tejo o rio “já está completamente dentro do seu leito”, situação que contrasta com a Lezíria, onde persistem áreas inundadas e estradas submersas.

“Na Lezíria ainda não. Neste momento está-se a proceder a trabalhos de limpezas profundas nas zonas ribeirinhas, nomeadamente em Abrantes, na Barquinha e em Constância, e com o levantamento dos danos. Na Lezíria este trabalho ainda não consegue ser feito, porque ainda há muita zona submersa”, indicou.

O responsável adiantou que durante o fim de semana as equipas vão “continuar a monitorizar e a acompanhar os caudais” do Tejo e afluentes, não sendo expectáveis “grandes alterações”, uma vez que não há previsão de chuva.

“Os caudais vão continuar a baixar, mas vamos aguardar a meteorologia. Quando houver critérios para baixarmos o plano para azul ou mesmo desativá-lo, iremos fazê-lo”, assegurou, apontando segunda-feira para nova avaliação.

O comandante sub-regional referiu ainda que se mantém ativo o plano distrital de proteção civil, uma vez que no Médio Tejo “três municípios ainda não desativaram” os respetivos planos municipais de emergência e, na Lezíria, “seis continuam em vigor” no âmbito da tempestade Kristin.

“É um processo lento de retoma, mas está a decorrer de forma paulatina e gradual”, afirmou, referindo que nos concelhos de Ourém, Tomar e Ferreira do Zêzere continuam a registar-se situações de falta de energia elétrica e de comunicações, com números a baixar “lentamente”.

No distrito de Santarém continuam afetadas mais de uma centena de vias, distribuídas por quase todos os 21 municípios, entre submersões, abatimentos de via, movimentos de massa, colapso de infraestruturas e quedas de taludes que dificultam as deslocações.

Por isso, o comandante sub-regional reiterou os apelos para que as populações circulem com precaução e utilizem vias alternativas que já estejam desimpedidas.

Quando se assinalam 24 dias da passagem da depressão Kristin, que foi seguida por outras depressões com chuva intensa e persistente, mantêm-se ativos o plano de emergência para cheias do Tejo, em nível amarelo, e o estado de prontidão especial de emergência no nível 2.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

Últimas do País

Um incêndio deflagrou hoje à tarde numa empresa de placas de revestimento no concelho de Pombal, tendo ficado circunscrito ao armazém exterior, disse fonte do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Leiria.
A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) pediu hoje ao ministro da Administração Interna que cumpra o acordo assinado com o Governo em julho de 2024 e que prevê, entre outras questões, a revisão remuneratória.
A 12.ª campanha nacional nas escolas promovida pela GNR e pela Microsoft Portugal para capacitar crianças e jovens para a navegação segura no mundo digital arranca na quarta-feira, em Lisboa, depois de adiada devido ao mau tempo.
Um homem condenado a uma pena de prisão, a cumprir na cadeia de Custóias (Matosinhos), e referenciado pelos crimes de coação sobre funcionário e injúria agravada foi detido no domingo em Vila Nova de Gaia, anunciou hoje a PSP.
Mulher foi acusada pelo Ministério Público de integrar um esquema organizado que terá introduzido pelo menos 15 pessoas em Portugal com recurso a documentos falsos ou identidades usurpadas. Está em prisão preventiva desde março de 2025.
A maioria dos adultos que recorreram ao médico de família no privado em 2025 já tinha clínico atribuído no SNS, revela um estudo, que aponta o seguro de saúde ou outra cobertura complementar como principal motivo para esta escolha.
O Município de Leiria aprovou hoje por unanimidade uma alteração ao Fundo de Emergência Social na sequência do mau tempo, que vai permitir mais apoio financeiro no âmbito da habitação para as famílias.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitiu hoje avisos amarelos para o arquipélago da Madeira devido às previsões de precipitação e agitação marítima.
Mais de 13.400 utentes aguardam por uma cirurgia nos Açores, segundo dados da Direção Regional da Saúde, relativos a fevereiro, que apontam para um crescimento da lista de espera de 9,5% face ao período homólogo.
A Câmara da Régua reabriu de forma condicionada o troço da Estrada Municipal (EM) 593, no Vale da Cunca, afetado pelo mau tempo, numa altura em que prossegue com limpezas, prepara repavimentação de vias e reparação de muros.