Antigo presidente do INEM diz que Governo sabia de impasse em concursos para helicópteros

O antigo presidente do INEM Luís Meira disse esta quarta-feira que o Governo sabia "desde a fase final" do seu mandato do impasse nos concursos dos helicópteros, recordando que apresentou propostas formais e que nunca recebeu orientações claras da tutela.

© INEM

“O Governo, na fase final do período em que eu exerci as funções de presidente [do INEM], sabia. Era o primeiro problema, o problema mais imediato que nós entendemos chamar e alertar a tutela para a necessidade de resolução”, disse Luis Meira na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

O ex-responsável explicou que enviou “toda a informação necessária” e lamentou que, apesar disso, o INEM tenha ficado “completamente às escuras relativamente àquilo que podia ser esse tal trabalho que o Governo estaria a fazer”, incluindo a eventual colaboração da Força Aérea.

“Até ao momento da minha saída (…) nunca fomos informados de forma clara sobre como e de que maneira”, afirmou.

O ex presidente do INEM contrariou as declarações da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que afirmou que o organismo “nunca apresentou uma solução”.

Luís Meira, presidente do INEM entre outubro de 2015 e julho de 2024, recordou que o instituto enviou “pelo menos duas propostas de resolução do Conselho de Ministros” para viabilizar um novo concurso, depois de um procedimento internacional ter ficado “deserto” por valores “claramente desajustados à realidade do mercado”.

De acordo com o antigo dirigente, a tutela nunca indicou qual caminho seguir.

“Nunca houve uma orientação de qual solução deveria ser adotada”, afirmou, sublinhando que as reuniões foram sobretudo com a então secretária de Estado da Gestão da Saúde, Cristina Vaz Tomé, e não com a ministra.

Luís Meira confirmou ainda que, perante a ausência de decisão política, tomou “uma das decisões mais difíceis” ao avançar para um ajuste direto, assumindo o risco de o Tribunal de Contas não visar o contrato.

O ex-presidente do INEM recordou também que chegou a contactar diretamente o Chefe de Estado Maior da Força Aérea para perceber se havia disponibilidade para colaborar no transporte aéreo, como já tinha dito à Lusa em 2024. A resposta, disse, foi clara: “Não me metam nesse filme, porque aqui perguntam me com que meios e com que pilotos, e não tenho nem uns nem outros”.

Há cerca de dois anos, o antigo presidente do INEM já tinha acusado o Ministério da Saúde de negligência na questão da contratação do serviço dos helicópteros de emergência médica, alegando que a tutela nunca ajudou o instituto a resolver essa matéria.

“Houve uma falha gritante, eu diria negligente, daquilo que é o dever de superintendência sobre o instituto público, porque nós, por numerosas ocasiões, solicitamos, relativamente a esta matéria, indicações à tutela, que nunca nos chegaram de modo a ajudar o instituto a resolver um problema”, afirmou Luís Meira, que foi ouvido na Comissão de Saúde a pedido da bancada do PS, na ocasião.

Na altura, o instituto explicou que, na sequência do concurso público para esta operação lançado em janeiro, foram recebidas duas propostas, ambas com valores superiores ao preço base, que se situava nos 12 milhões de euros por ano.

Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.

O foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

Últimas do País

Desde 2022, 928 vítimas de violência doméstica receberam o subsídio de reestruturação familiar, destinado a compensar a perda temporária de rendimentos decorrente do afastamento do agressor, revelou hoje o Instituto da Segurança Social (ISS).
As aulas presenciais no Centro de Formação de Portalegre da GNR foram hoje retomadas, mas a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) alertou que mantém-se nas instalações uma praga de percevejos.
A recomendação é garantir a cobrança dos cuidados faturáveis a cidadãos estrangeiros não residentes. O problema é que os hospitais não conseguem determinar antecipadamente quanto custa cada episódio de urgência.
Três homens de nacionalidade estrangeira, com 26, 31 e 32 anos, são suspeitos de receber diferentes tipos de droga através de encomendas postais, preparar doses individuais e vendê-las diretamente aos consumidores. Ficaram em prisão preventiva.
Portugal tinha no final de 2025 um total de 1.585.854 cidadãos estrangeiros a residir no país, mais 38 mil que no ano anterior, anunciou hoje a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).
Uma mulher, de 40 anos, detida a 14 de setembro por suspeita de esfaquear o companheiro em Aveiro vai aguardar o desenrolar do processo em prisão preventiva, informou hoje a PSP.
Mais de 80 concelhos de nove distritos de Portugal continental estão hoje em perigo máximo de incêndio rural, num dia em que as temperaturas máximas vão continuar acima dos 30 graus na generalidade do território, segundo o IPMA.
Álcool ao volante, permanência ilegal em Portugal, armas proibidas, droga e documentos falsificados. Uma operação especial da GNR realizada nos concelhos de Grândola, Moita e Sesimbra terminou com 16 pessoas detidas, 60 autos de contraordenação e várias apreensões.
Homem de 33 anos era procurado pelas autoridades brasileiras para cumprir cinco anos de prisão pelo sequestro da ex-companheira, mãe dos seus filhos. O crime ocorreu em 2017 e o suspeito refugiou-se em Portugal em 2022, depois de ter conhecimento da acusação. Foi agora localizado e detido pela PJ na Guarda.
Mulher é suspeita de ter incendiado uma maca nas Urgências do Hospital de Santa Maria e, depois de abandonar o local, uma viatura estacionada no parque da unidade hospitalar. A Polícia Judiciária deteve a paciente após esta ter recebido alta.