A reforma do INEM que o Governo apresentou como uma “revolução” entre sindicato e comissão de trabalhadores que falam agora em “falácia”, acusam o Executivo de esconder cortes operacionais e alertam mesmo para um possível “desmantelamento progressivo” da emergência pré-hospitalar.
Segundo o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), as alterações representam afinal a retirada de dezenas de ambulâncias do sistema atual.
“A revolução no INEM assenta em informações enganadoras e suscetíveis de induzir a opinião pública em erro”, acusa o sindicato, numa nota dura contra o plano apresentado pelo Executivo.
Os técnicos dizem que, apesar de o número global de meios poder manter-se semelhante no papel, existe uma “redução efetiva da capacidade operacional”, sobretudo no transporte inter-hospitalar de doentes urgentes.
O STEPH alerta que passarão a existir apenas 39 ambulâncias colocadas nas Unidades Locais de Saúde para assegurar este tipo de transporte, acusando o Governo de apresentar a medida como reforço quando, na realidade, consideram tratar-se de uma redistribuição que fragiliza o sistema.
Numa publicação divulgada nas redes sociais, os representantes dos trabalhadores dizem que “menos meios não são reforço” e acusam diretamente o Governo de estar a reduzir a resposta pública na emergência médica. “O que está em curso não é uma revolução. É o desmantelamento progressivo do INEM”, lê-se na nota.
Os técnicos contestam ainda a promessa de tempos de resposta inferiores a oito minutos, considerando esse objetivo “irrealista” face à atual falta de meios e à pressão crescente sobre os serviços de emergência.
Outra das críticas centra-se na diferença entre os vários tipos de ambulâncias utilizados pelo INEM. O sindicato considera “inaceitável” comparar meios com capacidades distintas, alertando que nem todas as ambulâncias têm equipas médicas diferenciadas.
Segundo o Correio da Manhã, as preocupações dos trabalhadores juntam-se agora às críticas já deixadas por quatro antigos presidentes do INEM, que também manifestaram reservas sobre a reforma. Os ex-responsáveis alertaram para o risco de fragmentação da emergência médica, acusando o novo modelo de desviar recursos para situações não urgentes.