Deixem o Luís trabalhar ou viajar? Montenegro já passou pelo menos um em cada 11 dias de mandato no estrangeiro

O primeiro-ministro soma pelo menos 81 dias no estrangeiro desde que chegou a São Bento. Só em 2025 foram documentados 38 dias fora do país e, em 2026, já vão pelo menos 24 até ao início de setembro.

© Folha Nacional

Luís Montenegro passou pelo menos 81 dias no estrangeiro desde que tomou posse como primeiro-ministro, a 2 de abril de 2024. Feitas as contas aos primeiros 885 dias de mandato, são cerca de 9,2% do tempo, aproximadamente um em cada 11 dias.

O levantamento da Folha Nacional, realizado a partir das agendas e dos comunicados oficiais do Governo, contabiliza apenas deslocações públicas cuja presença do primeiro-ministro no estrangeiro foi possível documentar.

A agenda começou cedo. Apenas 13 dias depois da tomada de posse, Montenegro estava em Madrid, seguindo-se Bruxelas e Cabo Verde ainda em abril de 2024. Nesse primeiro ano, passou também por Washington, Angola, Nova Iorque, Brasil, Hungria e Roménia.

Em 2025, a agenda internacional intensificou-se, com 38 dias documentados fora do país. Entre as deslocações mais prolongadas estiveram três dias no Brasil, em fevereiro, e quatro dias entre China, Macau e Japão, em setembro. No final do ano, Montenegro passou ainda por Angola, Bruxelas, Eslováquia e Ucrânia.

Em 2026, até 3 de setembro, estão contabilizados pelo menos 24 dias, com viagens a Paris, Bruxelas, Chipre, Berlim, Andorra, Montenegro, Luxemburgo, Estados Unidos, Canadá, Turquia, Itália e Grécia. A mais recente deslocação levou o primeiro-ministro a São Tomé e Príncipe, nos dias 2 e 3 de setembro.

Conselhos Europeus, cimeiras, reuniões bilaterais e visitas oficiais fazem parte das responsabilidades de qualquer chefe do Governo. Mas os números ganham outra dimensão quando colocados ao lado dos problemas que continuam por resolver dentro de portas: saúde, habitação, custo de vida, imigração, segurança e funcionamento dos serviços públicos.

E há um dado que importa sublinhar: os 81 dias representam um mínimo, uma vez que a contagem considera apenas as deslocações cuja duração foi possível confirmar através de documentação pública.

Em menos de 900 dias em São Bento, são já quase três meses de calendário passados no estrangeiro.

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