“Não queremos que o que aconteceu em Ceuta aconteça aqui”: Ventura deixa aviso na Ericeira

O presidente do CHEGA invocou Ceuta durante a Academia dos Patriots e apontou a reunião de representantes europeus como sinal da mudança política que considera estar em curso na Europa.

O presidente do CHEGA, André Ventura, aproveitou a realização da primeira Academia dos Patriots em Portugal para deixar uma promessa política: “Acreditem que o CHEGA vai ser Governo em Portugal.”

O presidente do CHEGA falou este sábado na Ericeira, onde decorre, entre 25 e 27 de setembro, um encontro que junta dirigentes, eurodeputados e jovens ligados a vários partidos europeus da família política Patriots. A iniciativa conta com representantes de formações de vários Estados-membros e tem entre os temas em discussão o futuro da União Europeia.

Ventura destacou precisamente a dimensão internacional do encontro, referindo a presença de eurodeputados de 17 países da União Europeia e apontando temas como habitação e segurança entre as preocupações comuns.

Para o líder do CHEGA, a diversidade das delegações não impede a construção de uma plataforma política comum. Ventura apresentou os Patriots como uma das forças que estão a mudar o panorama político europeu e elogiou a realização da academia na Ericeira como um sinal de confiança em Portugal e no partido.

Foi também a partir da realidade internacional que Ventura deixou um aviso: “Não queremos que o que aconteceu em Ceuta aconteça aqui.”

O presidente do CHEGA abordou ainda as manifestações realizadas em torno do encontro e contrapôs a contestação à presença, no evento, do antigo primeiro-ministro José Sócrates.

“Quando o Sócrates esteve neste mesmo hotel, não houve manifestações. Contra ladrões e corruptos, não se fazem ouvir”, disse.

No plano interno, Ventura voltou também ao caso de Luís Neves e à Comissão Parlamentar de Inquérito aos seus mandatos enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária. O CHEGA aceitou esta semana avançar com a CPI depois de o presidente da Assembleia da República ter admitido nove dos 11 pontos constantes do requerimento apresentado pelo partido.

“A minha esperança é que a CPI comece nos próximos dias e, antes do Orçamento, se faça algum trabalho”, afirmou. A expectativa de que a comissão possa iniciar funções antes da discussão do Orçamento do Estado para 2027 foi reiterada este sábado pelo líder do partido.

Para Ventura, o desbloqueio da comissão representa também uma vitória política depois dos sucessivos bloqueios em fazer avançar o inquérito.

“Foi um dia histórico”, considerou, retirando uma conclusão do processo: “É possível furar o cordão sanitário.”

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