“Em Portugal ganha-se nas urnas, não na secretaria”: Ventura acusa PS e PSD de protegerem Luís Neves

André Ventura acusou esta quinta-feira PS e PSD de bloquearem a investigação parlamentar aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária. No debate de urgência na Assembleia da República, o presidente do CHEGA apontou diretamente a Aguiar-Branco e denunciou aquilo que considera ser uma tentativa de proteger o atual ministro da Administração Interna do escrutínio parlamentar.

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O presidente do CHEGA, André Ventura, voltou esta quinta-feira a confrontar PS e PSD com os obstáculos ao funcionamento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária. Durante o debate de urgência no Parlamento, o líder do CHEGA acusou os dois partidos de se entenderem para impedir o avanço da investigação.

“É ao Parlamento que compete fiscalizar o Governo”, afirmou Ventura, defendendo que essa responsabilidade se torna ainda mais importante quando estão em causa suspeitas sobre titulares de cargos públicos.

O presidente do CHEGA apontou diretamente ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, por considerar que a interpretação das regras parlamentares está a ser utilizada para atrasar os trabalhos da comissão.

“Isto não é cumprir a lei, isto é proteger Luís Neves no Parlamento”, acusou.

Para Ventura, a posição assumida por PS e PSD demonstra a existência de uma “maioria de interesses” que pretende impedir o escrutínio de personalidades com responsabilidades políticas. O líder da oposição acusou os dois partidos de se juntarem para proteger quem, no seu entender, deve ser investigado.

O presidente do segundo maior partido insistiu ainda que nenhuma personalidade pode beneficiar de um tratamento diferente perante a Justiça ou escapar à fiscalização parlamentar por ocupar um cargo governativo.

“Ninguém neste país pode estar acima da lei”, declarou.

Ventura terminou a intervenção com um aviso aos partidos que responsabiliza pelo impasse, rejeitando que entendimentos parlamentares possam impedir o exercício dos direitos de fiscalização da oposição.

“Não podemos aceitar que se ganhe na secretaria em Portugal. Em Portugal ganha-se nas urnas”, afirmou, acrescentando que os interesses partidários não podem sobrepor-se ao escrutínio democrático.

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