Isaltino Morais governa Oeiras há quase meio século. Nas últimas décadas, apesar de igualmente vitorioso e insidioso, o Presidente da Câmara de Oeiras tem tido menos sorte no plano da legitimidade pública, sendo obrigado, eleição após eleição, a mobilizar um movimento independente para se poder manter no poder, juntamente com seus comparsas e subsídio-dependentes. Isaltino logrou vingar-se de Luís Marques Mendes este ano nas eleições presidenciais, por este lhe haver retirado a alçada partidária do PSD em 2005, fazendo assim de Morais um pária da política nacional; vinte anos depois, a retaliação serve-se calculista e fria.
O apoio isaltinista ao Capitão Iglo garantiria o esvaziamento da candidatura insossa de Marques Mendes, e os ataques despropositados a André Ventura durante as eleições autárquicas de 2025, teriam também potenciado o candidato do CH a atingir a segunda volta das presidenciais do ano seguinte, ao acicatarem os simpatizantes venturistas da Linha.
O movimento cívico Associação Inovar Oeiras, lançado por Isaltino para operar na sociedade civil fora de período eleitoral, e que propagandeou o Almirante Gouveia e Melo durante a campanha eleitoral deste ano, tem os recursos da todo-poderosa autarquia oeirense ao seu dispor e poderá inclusive ter o potencial para ajudar na fundação de um novo partido político ‘centrista’ – caso o PSD não aceite Isaltino de volta até 2029. Esta possibilidade é maior com Montenegro na liderança do PSD, do que seria com Passos Coelho.
Falamos desta pretensa associação cívica – qual conglomerado de boys e avençados municipais hierarquicamente arregimentados – porque tanto Isaltino Morais como os seus adjuntos, dão-se a frequentemente proferirem apartes ideologicamente inspirados, louvando as virtudes da social-democracia e os êxitos da democracia polvilhada com benevolência assistencialista, tudo benzido pelos comprometidos párocos locais da Igreja. Será saudosismo PPDista? O mais provável é ser uma racionalização a posteriori de toda a subsidiação com a qual compram votos para se manterem no poder.
Isaltino Morais teve visão ao facilitar a instalação em Oeiras das sedes empresariais, astúcia que lhe garantiria receitas fiscais avultadas até hoje. Os seus invejáveis orçamentos municipais – hoje em dia na fasquia das centenas de milhões – fizeram de Oeiras a autarquia mais abastada do país e também uma das mais obesas com um número de trabalhadores equivalente à CM de Coimbra, uma autarquia capital de distrito e com mais habitantes aos quais acorrer. Isto sem contar ainda com o assistencialismo a professores, a reformados, a estudantes e aos bairros sociais.
Num recente repto rocambolesco televisivo, Morais posicionou-se entre o socialismo e a social-democracia, que é como quem diz que ele gostaria de fundir os vícios dos dois sem ferir susceptibilidades de nenhum, combinando a demagogia do PS com as promiscuidades empresariais do PSD, mantendo a lealdade sufragada das mulheres urbanas e dos subsídio-dependentes. Um partido nacional isaltinista constituiria um anti-PRD, uma personificação partidária da corrupção instalada, uma expressão nacional da manha socratista dos patos bravos provincianos, um avatar da medíocre ausência de sentido de Estado e, ao contrário de Ramalho Eanes, contrastando a respeitabilidade do ex-Presidente da República com a falta de vergonha na cara e com o cinismo do aparelho autárquico profundo e entranhado.
Seja por ideologia ou por conveniência, a cartilha social-democrata continua a fazer parte da mundivisão da esfera isaltinista em Oeiras. O que não deixa de ser curioso, é a falta de noção perante as consequências de tal ideologia. Queixam-se os autarcas isaltinistas com regularidade, da constante falta de mão-de-obra para contratação e para adjudicação de empreendimentos, impedindo assim o progresso célere de obras públicas no concelho. Simultaneamente, nunca lhes ocorreu que com tanta subsidiação pública na autarquia, o incentivo à procura de emprego – árduo – será necessariamente diminuto. O mesmo se poderia dizer do Salário Mínimo Nacional, o qual é incluído nas leis de contratação pública, às quais as autarquias não podem escapar, padronizando escalões salariais em distritos tão distintos quanto a Guarda ou Lisboa. Quem se atreve a auferir um salário mínimo numa zona habitacional inflacionada como é a Grande Lisboa? A maioria dos Lisboetas que o faz, não opta por viver na Linha de Cascais… A crença no multiculturalismo bacoco também faz das suas, levando os autarcas de Oeiras a facilitar a imigração do terceiro mundo. Depois exibem consternação e embaraço por assassinatos com AK-47 como o ocorrido há dois anos atrás, ou tráfico de cocaína em centros comerciais frequentados por famílias, como foi o caso este mês.
Neste seu último mandato, até a saúde financeira foi para as urtigas. Com várias obras pesando na dívida pública, Isaltino impôs a maior taxa fiscal municipal de sempre e fê-lo sem nunca o ter anunciado ou debatido na campanha eleitoral. Oeiras é de tal modo despesista, que até se dá ao luxo de ser proprietária de uma empresa municipal, por sua vez detentora de uma avioneta. Longe da rentabilidade, a aeronave com equipamento de mapeamento faz poucos voos por ano, sendo a sua manutenção aeroportuária, seguramente deficitária para o erário municipal.
Periodicamente, a Polícia Judiciária procede a buscas na CMO. Perfeitamente corriqueiro.
A social-democracia dos isaltinos deste mundo constitui, essencialmente, um disfarce chico-esperto para as piores práticas de gestão pública mas se eles escolhem a capa da seriedade filosófica esquerdista, o CHEGA! não deve temer combatê-los, também no plano ideológico. A falta de lucidez de que padecem, cega-os para os efeitos nefastos das próprias políticas mas também para a falência civilizacional do esquerdismo no Ocidente, enquanto ideologia legitimadora. A prazo, o CH abrir-lhes-á os olhos. Até lá, nada poderia ser pior prenúncio ou melhor símbolo da decadência podre da nação, como uma carreira nacional para alguém como Isaltino Morais. Deus nos livre e guarde.