Combustíveis caros, alimentação a pesar e casas difíceis de encontrar. Mas Governo garante que portugueses têm mais poder de compra

Com os preços dos combustíveis e dos alimentos a pressionarem os orçamentos familiares e a habitação a continuar inacessível para muitos, o ministro das Finanças apresenta um retrato mais otimista: os portugueses têm melhores salários, maior poder de compra e vivem melhor do que em 2024.

© Folha Nacional

Os portugueses têm mais poder de compra, melhores salários e melhores condições de vida do que em abril de 2024. Pelo menos, é essa a avaliação apresentada pelo Governo durante o debate do Orçamento do Estado para 2027.

Segundo o Correio da Manhã, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, defendeu que Portugal está economicamente mais forte, com mais emprego e melhores serviços públicos.

O retrato traçado pelo Executivo contrasta, contudo, com as dificuldades que continuam a marcar o quotidiano de muitas famílias. Abastecer o automóvel, encher o carrinho do supermercado ou encontrar uma casa a preços comportáveis são despesas e desafios que continuam a pressionar os rendimentos.

A subida dos combustíveis e dos bens alimentares tem sido apontada como um dos principais fatores de pressão sobre o custo de vida. Já no mercado da habitação, os preços elevados continuam a dificultar o acesso a uma casa, sobretudo para quem procura comprar ou arrendar.

Apesar destas dificuldades, Miranda Sarmento sustenta que os salários e o poder de compra melhoraram desde a entrada em funções do Executivo. O ministro considera ainda que a situação das finanças públicas permite a Portugal enfrentar eventuais crises económicas com maior segurança.

O Orçamento do Estado para 2027 foi aprovado na generalidade, com a abstenção do Partido Socialista, seguindo agora para discussão na especialidade.

Últimas de Economia

Com os preços dos combustíveis e dos alimentos a pressionarem os orçamentos familiares e a habitação a continuar inacessível para muitos, o ministro das Finanças apresenta um retrato mais otimista: os portugueses têm melhores salários, maior poder de compra e vivem melhor do que em 2024.
O Banco Mundial prevê uma subida acumulada de 18% nos preços dos alimentos entre 2025 e 2027. Os conflitos internacionais estão a pressionar o abastecimento e os custos da energia, que deverão aumentar 32% este ano.
O preço médio da eletricidade pago pelos consumidores domésticos no mercado livre mantém-se acima do praticado no mercado regulado desde meados de 2023, embora a diferença tenha diminuído ao longo de 2025, segundo um relatório da ERSE.
A taxa de poupança das famílias diminuiu no segundo trimestre de 2026 na área do euro, na União Europeia (UE) e em Portugal, com recuos de 0,2, 0,3 e 0,5 pontos percentuais, respetivamente, face ao trimestre anterior.
Os contribuintes poderão receber menos dinheiro do Fisco em 2027. Segundo o Jornal de Notícias, o benefício sentido nos salários de novembro poderá traduzir-se numa redução de 70% dos reembolsos de IRS.
As famílias com rendimentos intermédios suportam o maior peso do imposto sobre combustíveis em proporção dos seus rendimentos. Um estudo revela que o Estado arrecadou mais de 3,7 mil milhões de euros com este imposto em 2025.
As empresas comunicaram 479 despedimentos coletivos até setembro, uma subida de quase 16% face ao período homólogo, mantendo-se no valor mais elevado desde 2020, segundo os dados divulgados pela DGERT.
Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o aumento homólogo de 14,2% do valor mediano da avaliação bancária – realizada no âmbito de pedidos de crédito para a aquisição de habitação – ficou abaixo do registado em agosto (14,7%), enquanto a variação em cadeia se fixou em 1,1%.
A petrolífera portuguesa fechou os primeiros nove meses de 2026 com lucros de 1,4 mil milhões de euros. O aumento da produção de petróleo e a valorização do crude contribuíram para resultados equivalentes a mais de cinco milhões de euros por dia.
Um estudo da Católica-Lisbon SBE revela que 85,1% dos inquiridos manifestam elevados níveis de preocupação com o acesso à habitação, enquanto 92,1% têm preocupação com a subida dos preços.