Portugal e países do Mediterrâneo Ocidental reforçam cooperação no clima e ciberdefesa

A ministra da Defesa Nacional anunciou hoje que os países do Mediterrâneo Ocidental vão reforçar a cooperação no domínio da ciberdefesa e das alterações climáticas, salientando que há novos desafios a nível global que criam também "novas oportunidades".

© Folha Nacional

Este anúncio foi feito pela ministra da Defesa Nacional no Forte de São Julião da Barra, em Oeiras, onde decorreu uma reunião ministerial da Iniciativa 5+5 de Defesa, que junta 10 países da costa sul e norte do Mediterrâneo Ocidental, e cuja presidência foi este ano assegurada por Portugal.

Em conferência de imprensa no final da reunião, Helena Carreiras reconheceu que há “um número crescente de desafios” que se colocam aos países desta região, mas salientou que criam também “um número crescente de oportunidades de colaboração”.

Referindo que, quando foi criada, em 2002, a Iniciativa 5+5 se restringia a quatro áreas – a segurança marítima, a defesa área, o apoio à proteção civil e emergências, e a formação -, Helena Carreiras indicou que, na reunião de hoje, os Estados-membros atualizaram a Declaração de Intenções deste fórum para ampliar o seu domínio de atuação.

“Ampliámos o âmbito da própria iniciativa para muitas outras áreas em que trabalhamos já e que vamos trabalhar mais em conjunto, relativamente à ciberdefesa, à questão da segurança económica e humana, às questões que têm a ver com a defesa radiológica, biológica e química, à inteligência artificial, busca e salvamento, desminagem”, enumerou Helena Carreiras.

Questionada sobre a atividade que mais valoriza das cerca de 70 que Portugal organizou este ano no âmbito da sua presidência, a ministra considerou que os exercícios conjuntos realizados pelas Forças Armadas dos diferentes países foram os “mais impactantes”, realçando em particular um relativo às “ameaças cada vez mais híbridas do ciberespaço”.

No entanto, a ministra da Defesa realçou também a importância das discussões sobre o stress hídrico – quando, em determinadas localizações, a água potável é insuficiente para as necessidades – assim como aos efeitos das catástrofes naturais e das alterações climáticas, salientando que, na reunião de hoje, os governantes abordaram a hipótese de, até ao final do século, a temperatura global aquecer não só até dois graus – conforme estipulava o compromisso assinado na COP21, em Paris -, mas antes quatro.

“Isso coloca-nos enormes exigências no plano daquilo que temos de fazer hoje em conjunto para enfrentar esses desafios. Portanto, eu diria que estas são duas áreas que, seguramente, vão marcar as atividades desta iniciativa no futuro”, disse.

Por sua vez, a ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles – que assume a presidência da Iniciativa 5+5 em 2024 -, também destacou a “situação muito complicada e difícil” que se vive atualmente a nível internacional, considerando que a Iniciativa 5+5 é um fórum onde se aborda “com seriedade” e respeito os “desafios em curso”.

“Consideramos que o diálogo é crucial para resolver muitos desafios e esse diálogo parte de uma ideia fundamental: o respeito pelas culturas, pelas religiões, e sempre com uma vontade positiva de cooperar e de continuar a avançar em algo tão importante como a busca da paz”, disse.

Margarita Robles disse que os 10 Estados-membros do Mediterrâneo Ocidental estão conscientes de que há muitos desafios que têm de enfrentar, destacando em particular o combate às alterações climáticas e às pandemias, e comprometeu-se a prosseguir, durante a presidência espanhola, o “trabalho excecional” desenvolvido por Portugal este ano.

Além de Portugal, integram a Iniciativa 5+5 Defesa a Argélia, França, Itália, Líbia, Malta, Mauritânia, Marrocos, Espanha e Tunísia. A sua presidência é anual e rotativa.

Esta iniciativa, criada em 2002, tem como objetivo “procurar responder a preocupações comuns no domínio da segurança e defesa” em domínios como a segurança marítima, a defesa área ou a participação das Forças Armadas em apoio a ações de proteção civil.

Últimas do Mundo

A Comissão Europeia afirmou hoje que não há riscos imediatos no abastecimento de gás para a União Europeia, mas avisou que a guerra no Médio Oriente vai ter “consequências a longo prazo” no fornecimento dessa fonte de energia.
Várias plataformas digitais garantiram que vão continuar a rastrear conteúdos de abuso sexual de crianças 'online', apesar do fim, no dia 03 de abril, do regime europeu que enquadrava legalmente a deteção e denúncia destes conteúdos.
Nove embarcações chegaram em menos de um mês e centros já estão no limite. Autoridades admitem cenário crítico e temem agravamento nos próximos dias.
O regime europeu que permite detetar o abuso sexual de crianças 'online' termina hoje, ficando todas as plataformas tecnológicas proibidas de rastrear e denunciar imagens ou conversas com este tipo de conteúdo, “uma página negra” para os direitos das crianças.
A autoridade anticorrupção e a polícia de Hong Kong anunciaram hoje a detenção de 42 pessoas por suspeita de infiltração de organizações criminosas em projetos de manutenção de edifícios residenciais.
A Convenção para a conservação das espécies migratórias (CMS) da ONU aprovou hoje a inclusão de 40 novas espécies sob proteção internacional, no decurso da sua 15.ª reunião (COP15), no Brasil.
A Nestlé indicou que cerca de 12 toneladas de KitKat, equivalentes a 413.793 chocolates, com destino à Europa, foram roubados esta semana após terem saído da fábrica, em Itália.
A Comissão Europeia iniciou esta sexta-feira processos de infração a vários Estados-membros, incluindo Portugal, por falhas na transposição de três diretivas fundamentais para a economia, o setor bancário e a justiça.
A participação de atletas em provas femininas dos Jogos Olímpicos vai ficar condicionada à realização de um exame genético, a partir de Los Angeles2028, o que excluirá as mulheres transgénero, anunciou esta quinta-feira o Comité Olímpico Internacional (COI).
Uma em cada seis crianças e jovens no mundo não têm acesso à escola, segundo um relatório da Unesco divulgado hoje que aponta para 273 milhões excluídos da educação.