Associações europeias contra manipulação de pagamentos em videojogos

A Organização Europeia de Consumidores (BEUC, na sigla inglesa) e 22 membros, entre os quais a portuguesa Deco, entregaram hoje uma queixa de manipulação de pagamentos contra empresas de videojogos, que visam, em particular, as crianças.

© DR

Na queixa hoje apresentada, as associações acusam as empresas líderes de videojogos como o Fortnite, EA Sports FC 24, Minecraft e Clash of Clans de práticas desleais, que “violam as leis de proteção do consumidor da UE” [União Europeia].

“Apelamos às autoridades para garantirem que os profissionais cumpram as regras e proporcionem aos consumidores ambientes de jogo seguros”, referem as associações, acusando a indústria de videojogos de maximizar “os gastos dos consumidores, utilizando moedas virtuais”.

De acordo com os queixosos, os “consumidores não conseguem ver o custo real dos itens digitais, levando ao gasto excessivo”, para o qual contribui a “falta de transparência de preços das moedas premium no jogo e a necessidade de comprar moeda extra nos pacotes”.

Para as associações, as compras “devem ser sempre apresentadas em dinheiro real” ou, “pelo menos, devem exibir a equivalência na moeda do mundo real”.

Nesta matéria, “as crianças são ainda mais vulneráveis a estas táticas manipuladoras”, referem os queixosos, em comunicado.

“Os dados mostram que as crianças europeias gastam em média 39 euros por mês em compras nos jogos” e, “embora estejam entre os que estão a jogar mais, têm uma literacia financeira limitada e são facilmente influenciadas pelas moedas virtuais”.

Atualmente, “mais de metade dos consumidores da UE jogam regularmente videojogos”, mas as “crianças jogam ainda mais, com 84% das idades compreendidas entre os 11 e os 14 anos”.

Os valores do setor são também um sinal da sua importância. Em 2020, as compras online em videojogos geraram 46 mil milhões de euros, um quarto das receitas neste mercado.

“Os problemas sinalizados neste alerta vão além dos videojogos e também se aplicam a plataformas de redes sociais e outros mercados”, referem as associações, que defendem “uma melhor aplicação do quadro legal de defesa dos direitos do consumidor no setor” e mais regulamentação.

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