Associações alertam que medidas do Governo são paliativos e continuam a faltar militares

As associações socioprofissionais representativas de oficiais, sargentos e praças defenderam hoje que as medidas do Governo para inverter o ciclo de redução de efetivos são "paliativos" e que a realidade é diferente dos "discursos" do minsitro da Defesa.

© D.R.

“Todas estas medidas que vão sendo implementadas não passam de paliativos. E seguramente que os problemas que temos não se vão resolver com esse tipo de medidas, temos que olhar para as questões através de medidas estruturantes”, alertou o presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), capitão-de-mar-e-guerra Carlos Marques.

Durante uma audição na comissão parlamentar de Defesa, a pedido do PS, sobre recrutamento, retenção e atração da carreira militar, o comandante reconheceu que “o trabalho não é fácil” face a um “tempo de desatenção” em relação às Forças Armadas “demasiado extenso”, mas avisou que, “se calhar, a tutela tem que estar mais atenta e ter um trabalho mais acutilante”.

O recrutamento é uma dificuldade sentida em vários países, e “Portugal não foge a essa regra”, contudo, o comandante realçou que este é um problema identificado “há muito tempo”.

Durante a audição, PSD e PS divergiram sobre a redução do número de efetivos nas Forças Armadas desde 2011 até à atualidade, trocando acusações sobre em que período governativo se registou uma quebra mais acentuada — concordando, contudo, que a trajetória tem sido descendente.

No passado dia 29 de outubro, o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, anunciou que o número de candidaturas às Forças Armadas aumentou, salientando que, após oito anos com os números de recrutamento e retenção de militares a cair, “o ciclo inverteu-se”. Com o objetivo de recrutar e reter efetivos, o executivo anunciou em julho um aumento de remunerações e vários suplementos.

Pela Associação Nacional de Sargentos (ANS), o presidente sargento António Lima Coelho pediu que se olhe para a “realidade prática das unidades”.

“Gostava que ficasse claro que uma coisa são os discursos que se anunciam sobre números de candidaturas e outra coisa é quem realmente fica nas Forças Armadas. Estamos a passar uma imagem para os cidadãos de que as coisas se estão a resolver e que agora está tudo muito mais fácil, e posso assegurar que assim não é”, alertou.

O sargento Lima Coelho salientou que “tem sido passada uma imagem que não se vive nas unidades” e que muitos dos cidadãos que por vezes se candidatam às Forças Armadas acabam por sair após o juramento de bandeira ou noutra fase da recruta.

O presidente da ANS lamentou que as Forças Armadas estejam a perder efetivos tanto nos abates ao quadro como na dificuldade em atrair.

Em resposta à deputada do PSD Liliana Reis, que sublinhou que está em causa “um sinal” do Governo e não “um caminho fechado”, o presidente da direção da Associação de Praças (AP), cabo-mor Paulo Amaral, reconheceu que as medidas são “uma mais-valia” mas ressalvou que não vão resolver o problema estrutural.

“Nunca poderemos almejar voltar aos números de sete, oito, nove ou dez anos atrás a mantermos este tipo de medidas”, avisou, salientando que os militares praças são a categoria mais prejudicada.

“Todos já percebemos que as medidas tomadas não servem as Forças Armadas para a resolução dos problemas existentes. E, não servindo as Forças Armadas, não trazem nada que possa fazer face ao diminuto recrutamento e às saídas que de dia para dia fazem reduzir o número de efetivos nas FA, em particular na categoria de praças”, salientou Paulo Amaral.

As associações insistiram ainda na sua inclusão em processos de negociação coletiva, à semelhança do que acontece com sindicatos de outras profissões, como as forças de segurança, alertaram para dificuldades no acesso à saúde militar e apelaram a uma revisão do regime remuneratório dos militares.

Últimas do País

O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) convocou uma greve para a prisão feminina de Tires, entre 22 de abril e 31 de maio, para exigir mais segurança e o regresso do chefe principal afastado pela direção.
O Banco de Portugal (BdP) anunciou hoje que está a ser alvo de uma operação da Polícia Judiciária (PJ) nas suas instalações, num dia em que esta polícia realiza buscas em vários organismos públicos.
O turismo em massa em Portugal está a ameaçar a identidade da gastronomia local e a acelerar o consumo de alimentos ultraprocessados, revelou um estudo conduzido por embaixadores do Pacto Climático Europeu.
A Linha de Aconselhamento Psicológico do SNS 24 atendeu quase 359 mil chamadas desde que foi criada em 2020, segundo dados oficiais, que apontam um crescimento de 6% no primeiro semestre deste ano comparativamente ao mesmo período de 2024.
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica fiscalizou desde as 20:00 de quarta-feira e até às 08:00 de hoje cerca de 300 veículos, sem registo de apreensões e contraordenações no âmbito de uma operação de fiscalização.
A Polícia Judiciária (PJ) tem em curso buscas em vários organismos públicos em Lisboa, Porto e Braga, por suspeitas relacionadas com a aquisição de serviços informáticos entre 2017 e 2025, anunciaram hoje as autoridades.
A Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, que integra a zona do Martim Moniz — frequentemente associada a confrontos entre grupos de imigrantes indostânicos e a casos de criminalidade e sobrelotação habitacional — registou, em 2024, valores de renda e variações homólogas superiores aos do município de Lisboa (15,93 €/m² e +4,7%).
O presidente da Câmara de Cascais confirmou hoje buscas da PJ na autarquia, visando dois processos de urbanismo sobre os quais não foram mencionados suspeitos, mas em relação aos quais admite a intervenção do ex-vice-presidente Miguel Pinto Luz.
Uma operação internacional da Europol que desmantelou a plataforma de pornografia infantil Kidflix, contou com a participação em Portugal da Polícia Judiciária (PJ), que deteve dois suspeitos em flagrante delito, tendo um deles ficado em prisão preventiva.
A Polícia Judiciária (PJ) fez hoje buscas em Lisboa e Cascais por suspeitas de favorecimento no processo de venda de um terreno municipal destinado à construção de um hotel de luxo, informou esta polícia.