Ventura acusa MAI de incompetência e desafia Montenegro a admitir falhas

O presidente do Chega, André Ventura, acusou hoje a ministra da Administração Interna de incompetência na gestão do combate aos incêndios que têm afetado o país e desafiou o primeiro-ministro a admitir "que falhou" nesta matéria.

Partido CHEGA

“Como é que nos pode vir aqui dizer que tudo funcionou? Como é que nos pode vir aqui dizer que investiu, que fez, que havia prevenção, quando sabemos, vimos e percebemos que não havia e que estamos nos piores da Europa nesta matéria?”, questionou André Ventura numa intervenção durante o debate na Comissão Permanente da Assembleia da República sobre a situação dos incêndios em Portugal.

Perante o primeiro-ministro, André Ventura lembrou que no início do mês a ministra da Administração Interna justificou que na altura Portugal ainda não tinha recorrido ao Mecanismo Europeu de Proteção Civil por ter meios suficientes.

“Até ao dia 16 arderam 139 mil hectares do território e Portugal teve que pedir apoio. Senhor primeiro-ministro, isto não é só desatenção, isto não é só olhar para o lado. Quando se faz isto, quando uma ministra da Administração Interna faz isto, nós sabemos que isto tem um nome, chama-se incompetência”, acusou.

O líder do Chega desafiou igualmente o primeiro-ministro a “não ser como o PS” e “assumir nesta casa que falhou, que a ministra da Administração Interna falhou”, e a garantir que “nada desta incompetência vai acontecer no próximo ano”.

André Ventura contrariou também declarações do líder parlamentar PSD, que disse que “não há evidências de que o Estado tenha falhado” no combate aos incêndios, e aconselhou Hugo Soares a visitar as áreas ardidas para ver “o que falhou”.

O deputado do Chega afirmou que Portugal tem “a maior área ardida da Europa” e é “um dos três piores países da União Europeia no investimento do combate e prevenção de incêndios”.

“Senhor primeiro-ministro, não pode dizer-nos que correu bem, porque não correu”, defendeu, criticando que Portugal não tenha meios aéreos próprios para o combate aos incêndios dado o “historial de incêndios” e de “destruição do meio florestal”.

“Não vale a pena ir ao Pontal falar de Fórmula 1, não vale a pena ir ao Pontal anunciar grandes coisas quando tudo o que faz é inútil, porque perdemos o mais útil que é o território, é a terra, é as pessoas, é a vida das pessoas. E é isso que o senhor primeiro-ministro devia compreender”, salientou, referindo-se ao discurso de Luís Montenegro na rentrée do PSD no Algarve.

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