Trump discorda de Starmer sobre reconhecimento da Palestina

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu hoje estar em desacordo com a intenção do Reino Unido de reconhecer a Palestina como um Estado, reiterando que o grupo extremista palestiniano Hamas deve libertar todos os reféns que mantém.

© Facebook de Donal Trump

“Só quero que os reféns sejam libertados agora, neste momento, não um ou dois e mais três amanhã”, salientou Trump, durante uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, no final de uma visita oficial ao Reino Unido.

E reforçou: “Precisamos de ter os reféns de volta imediatamente, é isso que o povo de Israel quer”, referindo que discorda de Starmer sobre a questão do reconhecimento do Estado palestiniano.

“Na verdade, é uma das nossas poucas divergências”, admitiu durante a conferência de imprensa em Chequers, a residência de campo do primeiro-ministro britânico, a cerca de 65 quilómetros a noroeste de Londres.

Questionado pelos jornalistas, Starmer negou que esteja à espera que o Presidente norte-americano saia do Reino Unido para confirmar a decisão do Governo britânico de reconhecer a Palestina enquanto Estado.

O Governo britânico anunciou no final de julho que pretendia reconhecer a Palestina como um Estado caso Israel não cesse os bombardeamentos na Faixa de Gaza e continue a bloquear a entrada de ajuda humanitária no enclave palestiniano.

Na quarta-feira, o jornal The Times noticiou que Starmer iria confirmar a decisão após o fim da visita de Trump.

“Concordamos plenamente com a necessidade de paz e de um roteiro [de paz], porque a situação em Gaza é intolerável. Os reféns estão detidos há muito, muito tempo e devem ser libertados, e precisamos que a ajuda [humanitária] chegue rapidamente a Gaza”, respondeu o primeiro-ministro britânico aos jornalistas.

“É nesse contexto de um plano de paz que estamos a trabalhar arduamente, no qual as nossas duas equipas têm trabalhado em conjunto, que a questão do reconhecimento precisa de ser vista”, prosseguiu Starmer.

E argumentou ainda: “Faz parte desse pacote global, que esperamos que nos leve da situação terrível em que nos encontramos agora para o resultado de um Israel seguro e protegido, que não temos, e um Estado palestiniano viável”.

A guerra em curso em Gaza foi desencadeada pelos ataques a Israel, liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023, que causaram cerca de 1.200 mortos e mais de duas centenas de reféns.

A retaliação de Israel já provocou mais de 65 mil mortos, a destruição de quase todas as infraestruturas de Gaza e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.

Israel também impôs um bloqueio à entrega de ajuda humanitária no enclave, onde mais de 400 pessoas já morreram de desnutrição e fome, a maioria crianças.

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