Operação Lex: Julgamento arranca com juiz presidente a destacar o seu caráter inédito

O julgamento do processo ‘Operação Lex’ arrancou hoje no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) com o juiz conselheiro presidente do coletivo a assinalar o caráter “inédito na história judiciária” portuguesa do caso que senta ex-juízes no banco dos réus.

© D.R.

“Constitui uma situação inédita na nossa história judiciária”, disse o juiz conselheiro José Piedade na abertura do julgamento, na qual recordou o caráter de tribunal de recurso do STJ.

O magistrado definiu as regras de funcionamento das sessões e estabeleceu o objetivo do tribunal de “garantir à comunidade a descoberta da verdade e a produção de decisão ajustada à mesma”.

A sessão, com início marcado para as 09:30 arrancou já perto das 10:30.

O advogado José Santos Martins, arguido no processo, faltou à primeira sessão por imprevistos de saúde, tendo o Ministério Público (MP) requerido a apresentação de justificação da falta no prazo de três dias e o prosseguimento do julgamento, por não encontrar impedimentos provocados por esta ausência.

O juiz conselheiro José Piedade salientou a obrigatoriedade de presença de arguidos e lembrou que há lugar ao pagamento de multas pelas ausências, advertência que estendeu ao assistente no processo, o ex-jogador de futebol João Vieira Pinto, também ausente, mas representado pelo seu advogado Tiago Rodrigues Bastos.

À entrada para a primeira sessão do julgamento, a maioria dos principais arguidos remeteu-se ao silêncio, tendo o ex-juiz desembargador Vaz das Neves prometido prestar declarações no julgamento.

Já o ex-juiz desembargador Rui Rangel reiterou a sua inocência e manifestou também a intenção de prestar declarações, mas o seu advogado João Nabais disse que tal não deverá acontecer na primeira sessão.

O julgamento da ‘Operação Lex’ leva a tribunal 16 arguidos, entre os quais os ex-juízes desembargadores Rui Rangel e Vaz das Neves, e o ex-presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira.

A julgamento chegam apenas 16 dos 17 arguidos, uma vez que morreu entretanto o empresário Ruy Carrera Moura, acusado no processo por um crime de corrupção ativa para ato ilícito.

A acusação do MP foi conhecida em setembro de 2020 e centra-se na atividade desenvolvida pelos ex-desembargadores Rui Rangel, Fátima Galante e Luís Vaz das Neves – que, segundo a acusação, utilizaram as suas funções na Relação de Lisboa para obterem vantagens indevidas, para si ou para terceiros, que dissimularam.

Segundo uma nota da Procuradoria-Geral da República, para que fosse garantido o pagamento das vantagens obtidas pelos acusados, num montante superior a 1,5 milhões de euros, foi requerido na altura o arresto de património.

Enquanto decorria a investigação, o Conselho Superior da Magistratura decidiu expulsar Rui Rangel da magistratura e colocar Fátima Galante em aposentação compulsiva. Já Vaz das Neves jubilou-se em 2016 e foi substituído por Orlando Nascimento, que também já abandonou o cargo.

Rui Rangel está acusado de corrupção passiva para ato ilícito, abuso de poder, recebimento indevido de vantagem, usurpação de funções, fraude fiscal e falsificação de documento e Fátima Galante de corrupção passiva para ato ilícito, abuso de poder, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Vaz das Neves responde por corrupção passiva para ato ilícito e abuso de poder, enquanto Luis Filipe Vieira, ex-presidente do Benfica, e que perdeu no passado fim de semana a possibilidade de voltar a ser eleito para esse cargo, está acusado de recebimento indevido de vantagem.

O empresário de futebol José Veiga, o oficial de justiça Octávio Correia, o advogado José Santos Martins e o seu filho Bernardo Santos Martins, são alguns dos outros arguidos, a par de Bruna do Amaral, ex-namorada de Rui Rangel.

O processo Operação Lex foi conhecido em 30 de janeiro de 2018, quando foram detidas cinco pessoas e realizadas mais de 30 buscas.

Últimas do País

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê um período prolongado de chuva na próxima semana em todo o território continental, mas sobretudo no norte e centro, regiões atingidas pelo mau tempo nos últimos dias.
O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) reconheceu hoje que tem os próximos dois dias para preparar as albufeiras para a próxima semana, que será "muito complicada" face à previsão de chuva em todo o território continental.
Um serviço de urgência de Ginecologia e Obstetrícia vai estar encerrado no sábado, e três vão estar encerrados no domingo, sobretudo nas regiões de Lisboa e Setúbal, segundo as escalas publicadas no Portal do SNS.
A Direção-Geral da Saúde alerta para riscos na segurança da água e dos alimentos após a tempestade Kristin e os cortes de energia, recomendando cuidados no consumo, na alimentação e no saneamento para proteger a saúde da população.
A idade média com que os portugueses se reformam aumentou 8,5 meses entre 2018 e 2024, mesmo com a estabilização da idade legal de acesso à pensão, segundo dados analisados por economistas do Banco de Portugal (BdP).
A ministra do Ambiente e Energia disse hoje, durante uma deslocação à Marinha Grande, que foram distribuídos 200 geradores pelas zonas afetadas pela depressão Kristin, na quarta-feira, e garantiu que ainda há mais disponíveis.
O Governo aprovou na quinta-feira, em Conselho de Ministros, o decreto que reclassifica o edifício da Livraria Lello e Irmão, no Porto, como Monumento Nacional, que conclui um processo de sete anos.
O alojamento turístico registou 32,5 milhões de hóspedes e 82,1 milhões de dormidas em 2025, mais 3,0% e 2,2% face a 2024, com as dormidas dos residentes a acelerarem, diminuindo a dependência dos mercados externos.
O número de vítimas de violência escolar ajudadas pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) aumentou quase 60% nos últimos seis anos, divulgou hoje a organização, a maioria raparigas entre os 11 e 14 anos.
O Infarmed aprovou, em 2025, 928 novos fármacos, incluindo 79% genéricos, 38 essenciais e 236 nacionais, sendo o sistema nervoso central a área com maior representatividade, segundo dados da autoridade nacional do medicamento.