Mais de 80 mil novos casos de diabetes registados em 2024

Portugal registou em 2024 quase 81 mil novos casos de diabetes, elevando para mais de 936 mil as pessoas registadas nos centros de saúde com o diagnóstico da doença, anunciou hoje a Direção-Geral da Saúde (DGS).

© D.R.

Os dados constam do relatório de 2025 da DGS sobre o Programa Nacional da Diabetes, divulgado esta quarta-feira, e que indica que os 936.987 diabéticos (tipo 1 e 2) registados nos cuidados de saúde primários (CSP) no final de 2024 representavam 8,9% dos utentes inscritos no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Confirma-se a tendência de crescimento observada em anos anteriores, tanto no número absoluto de casos, como na proporção percentual da população”, alerta a DGS, que refere que o número de pessoas com o diagnóstico da doença aumentou de cerca de 833 mil em 2020 para os mais de 936 mil em 2024.
“Foram efetuados 80.915 novos registos de diagnóstico de diabetes em 2024 nos CSP”, salienta ainda o documento a que a Lusa teve acesso, alertando que “Portugal mantém uma elevada prevalência” da doença, que “representa há décadas um dos maiores desafios de saúde pública” do país.

Segundo a DGS, a maioria dos utentes com diabetes teve pelo menos uma consulta de enfermagem nos CSP, com “foco crescente” na gestão do regime terapêutico, incluindo a alimentação, atividade física e medicação.

A diabetes gestacional foi detetada em 8,4% das gravidezes cujo parto ocorreu no SNS em 2023, refere o documento, adiantando ainda que a avaliação de risco de diabetes tipo 2 foi realizada em 3,89 milhões de utentes no triénio 2022/2024, correspondendo globalmente a 62% da população alvo.

No final de 2024, encontravam-se em tratamento com sistema de perfusão subcutânea contínua de insulina (bombas de insulina) 4.661 pessoas com diabetes tipo 1, mas já este ano, com a disponibilização destes dispositivos através das farmácias, verificou-se um “crescimento significativo” do acesso a este tipo de tratamento. No final primeiro semestre de 2025, encontravam-se em tratamento 5.537 utentes, dos quais 3.546 com sistemas de administração automática de insulina, refere a DGS.

Os dados da indicam também que, em 2023, verificaram-se mais de 260 mil episódios hospitalares de pessoas com diabetes no SNS e que 33% dos casos de enfarte agudo do miocárdio e 31% dos acidentes vascular cerebral ocorreram em pessoas com a doença.

Segundo o relatório, a despesa total com o consumo de medicamentes antidiabéticos passou dos 493 milhões de euros em 2023 para 616 milhões em 2024.

“Apesar de a diabetes ter representado 2,8% de todas as mortes em 2023, a taxa de mortalidade antes dos 70 anos diminuiu significativamente desde 2019”, salienta também a DGS.

Em 2024, 46% das pessoas com diabetes foram convidadas a realizar o rastreio da retinopatia diabética, mas apenas 29% o realizaram.

Relativamente ao rastreio do pé diabético, foi realizado em 83% dos utentes com diabetes, avança a DGS, que reconhece que a taxa de amputações mantém-se ainda elevada.

A diabetes tipo 2 é responsável por mais de 90% dos casos da doença. A promoção de hábitos alimentares saudáveis, a prática regular de atividade física e o controlo do peso são considerados passos essenciais para inverter a tendência crescente da doença.

Para consolidar a coordenação eficiente entre os diferentes níveis de cuidados de saúde e promover uma maior integração entre cuidados primários, hospitalares e a comunidade, a DGS vai nomear hoje as equipas de coordenação local do Programa Nacional para a Diabetes.

O Programa Nacional para a Diabetes tem sido ajustado ao longo dos anos, tendo em 2012 passado a integrar o conjunto de Programas de Saúde Prioritários da DGS, refletindo o peso crescente da doença na sociedade portuguesa.

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