Arrendar casa é inacessível nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e no Algarve, revela estudo

Todas as cidades das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, assim como da região do Algarve, tornaram-se "inacessíveis" para uma família de rendimento médio que queira arrendar casa pela primeira vez, conclui um estudo da Century 21.

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As três capitais das zonas consideradas – Lisboa, Porto e Faro -, são “totalmente inacessíveis” também no que toca aos preços de venda das casas, por exigirem taxas de esforço superiores a 50% do rendimento médio familiar.

Na região do Algarve, a compra de habitação é igualmente “inacessível”, enquanto na área metropolitana de Lisboa (AML) são nove os concelhos onde adquirir habitação própria ultrapassa “o limiar de 50% de esforço”.

O estudo “Acessibilidade à Habitação”, da imobiliária Century 21 Portugal e hoje divulgado, indica que os preços de venda e os valores das rendas “aumentaram 40% ou mais na maioria dos concelhos” da AML desde 2022, ao passo que os rendimentos dos habitantes “cresceram cerca de 15%”, a um ritmo três vezes mais lento.

“Comprar uma casa de 90 metros quadrados implica hoje mais 68.000 a 114.000 euros do que há três anos, o que se traduz em prestações cerca de 300 euros” acima dos valores praticados em 2022.

No arrendamento, os aumentos, nos últimos três anos, rondam os 400 euros mensais, contra subidas salariais que o estudo estima em cerca de 200 euros.

Na área metropolitana do Porto (AMP), preços e rendas subiram mais de 50% na maioria dos concelhos, no mesmo período temporal, enquanto os rendimentos das famílias “cresceram apenas 18%”, segundo a análise.

O aumento do preço de compra na AMP situa-se entre 66.000 e 102.000 euros, implicando prestações adicionais de 230 a 400 euros.

No arrendamento, os acréscimos de valores rondam 280 a 500 euros mensais.

Já no Algarve, comprar casa passou a exigir mais 65.000 a 106.000 euros desde 2022, e arrendar implicou acréscimos mensais de 300 a 570 euros.

Os rendimentos dos habitantes na região algarvia subiram 170 a 240 euros.

O estudo conclui que os preços das casas praticamente duplicaram nos últimos cinco anos em Portugal, registando uma nova aceleração de 23,4% em 2025.

A mesma análise estima também que “o acesso à compra tornou-se impossível nas capitais litorais para uma família média, mas manteve-se viável na maioria das cidades do interior”.

No interior, os preços em 15 capitais de distrito representavam taxas de esforço inferiores a 50% do rendimento, mas só em sete eram considerados “acessíveis” por implicarem taxas de esforço inferiores a 33%.

Quanto ao arrendamento, apenas duas cidades do interior ofereciam valores sem exigirem esforço elevado, ou seja, inferior a 33% do rendimento.

O estudo estabelece ainda que apenas 48% das casas à venda estão “ao alcance de 77% das famílias (até 330 mil euros), num claro desequilíbrio estrutural”.

“O problema não é abstrato: é mensurável. A oferta não está alinhada com a realidade económica das famílias. Isso empurra muitos agregados para taxas de esforço incompatíveis com uma vida estável”, declarou o presidente executivo (CEO) da Century 21 Portugal, Ricardo Sousa, em comunicado.

O estudo da Century 21 Portugal centrou-se no acesso à habitação por parte de quem procura a primeira casa na sua cidade, sobretudo famílias e jovens, e baseou-se nos preços e rendas fornecidos pela Confidencial Imobiliário (SIR), considerando habitações de 90 metros quadrados e valores de 2025 praticados em Portugal continental.

O rendimento médio utilizado corresponde ao rendimento bruto declarado deduzido de IRS por agregado fiscal em 2023, com projeção para 2024 baseada na evolução anual do consumo privado estimada pelo INE.

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