Sindicato dos Oficiais quer civis na área administrativa e libertar polícias para as ruas

O sindicato dos oficiais da PSP defende a substituição de polícias por civis em áreas administrativas, estimando uma poupança de 153 milhões de euros em 10 anos com a libertação de 2.500 polícias para funções exclusivamente operacionais.

© D.R.

Um estudo realizado pelo Sindicato Nacional de Oficiais de Polícias (SNOP) e hoje divulgado demonstra que “é possível libertar cerca de 2.500 polícias para funções operacionais e ao mesmo tempo acomodar as saídas para a pré-aposentação” através da entrada de civis para funções administrativas e, simultaneamente, valorizar as suas carreiras em 20% e conseguir “reduzir a despesa estrutural”.

Neste estudo, que será entregue ao novo ministro da Administração Interna, Luis Neves, o SNOP procurou projetar um cenário de substituição de polícias por civis “em funções eminentemente administrativas”, não implicando esta proposta “cortes, nem redução de efetivos, mas apenas uma reorganização”.

Segundo a análise, a PSP tem cerca de 20.658 funcionários, dos quais 20.098 são polícias (97,4%) e 560 são civis (2,6%).

“A configuração atual da PSP, com 97,3% de polícias, encontra-se flagrantemente desalinhada com as tendências em forças policiais internacionais, onde a componente civil representa, em média, entre 20% e 40% do efetivo total. Esta discrepância estrutural assume particular relevância num contexto de envelhecimento acelerado do efetivo policial e de redução da atratividade da carreira”, refere o estudo.

O documento dá também conta, citando o balanço social desta polícia de 2024, que a PSP enfrenta um problema estrutural de atratividade e envelhecimento, com 4.091 polícias (19,8%) a reunirem as condições para a pré-aposentação e, em 10 anos, 7.419 polícias (35,9%) atingirão esse requisito, quando nos últimos 10 anos se formaram menos de 5.269 novos polícias.

O sindicato que representa os comandantes e diretores da PSP indica igualmente que a estrutura etária dos polícias revela um desequilíbrio crescente que coloca pressão sobre a sua sustentabilidade operacional, além do número de candidatos ao curso de formação de agentes apresentar “uma tendência visível e preocupantemente decrescente”.

“Este fenómeno demográfico constitui o principal risco estrutural para a sustentabilidade operacional da PSP, pelo que a integração planeada de civis nas funções eminentemente administrativas permite mitigar este risco, libertando recursos policiais para reforço da linha da frente e criando margem para acomodar, de forma gradual, a saída dos quase 4.000 polícias atualmente em situação de pré-aposentação potencial”, precisa o estudo.

O SNOP estima que o cenário de substituição de 14,9% dos polícias por civis revela uma poupança anual de aproximadamente 28 milhões de euros face à situação atual, e, por conseguinte, de quase 300 milhões em 10 anos. Com uma majoração de 20% na remuneração base dos civis, medida essencial para garantir a atratividade e a retenção de perfis qualificados, o modelo apresentado pelo sindicato mantém uma poupança estrutural de cerca de 15,3 milhões de euros anuais e de 153 milhões de euros em 10 anos.

No estudo, o sindicato salienta que a integração estratégica de civis “não representa a despolicialização da PSP, antes a sua racionalização funcional, ao permitir que cada profissional desempenhe funções compatíveis com a sua formação e competências específicas, reforçando-se simultaneamente a eficácia operacional, a sustentabilidade financeira e a capacidade adaptativa da organização”.

Últimas do País

O regulador da Saúde anunciou esta quarta-feira um processo de avaliação para esclarecer os factos relativos à recusa do Hospital de Faro em atender uma grávida que se deslocou às urgências sem ligar previamente para linha SNS 24.
A Polícia Judiciária (PJ) de Braga deteve, no distrito de Viseu, um homem "fortemente indiciado pela prática reiterada" de crimes de burla qualificada, através de anúncios fraudulentos publicados em redes sociais", anunciou hoje aquela força.
Um homem e uma mulher foram detidos pela GNR por suspeitas de violência doméstica e escravidão contra um homem, de 61 anos, no concelho de Avis, distrito de Portalegre, divulgou hoje aquela força de segurança.
Um homem de 50 anos, foragido à justiça há quase uma década, foi detido na Marinha Grande, anunciou hoje o Comando Distrital de Leiria da Polícia de Segurança Pública (PSP).
Alguns municípios do distrito de Lisboa queixaram-se hoje de terem recebido verbas insuficientes do Estado e admitem endividarem-se para fazer face aos prejuízos do mau tempo, quatro meses depois da depressão Kristin, ocorrida a 28 de janeiro.
Carlos Leitão propôs empresa da mulher 'Ana Leitão Unipessoal Ld.' para auditoria interna antes de a sociedade sequer existir. A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) deverá ilibá-lo de irregularidades.
O número de crianças vítimas de violência doméstica em casas abrigo e outros espaços de acolhimento de emergência foi, no primeiro trimestre do ano, pela primeira vez, mais elevado do que o número de mulheres.
O presidente do CHEGA, André Ventura, foi recebido pelo Presidente da República, no Palácio de Belém, naquela que é a primeira audiência com António José Seguro.
Vasco Morgado, arguido por 27 crimes no mega processo de corrupção que envolve militantes do PS e PSD, assumiu cargo de direção na EGEAC, empresa responsável pelas Festas de Lisboa.
“Hulk”, procurado no Brasil por lavagem de dinheiro e ligações ao Primeiro Comando da Capital, saiu em liberdade depois de a Justiça considerar existir um vazio legal no processo de extradição.