Risco de incêndios é maior nas zonas atingidas pela depressão Kristin, diz investigador

O investigador Akli Benali alertou hoje para o risco acrescido de incêndios no verão nos territórios da zona centro atingidos pela depressão Kristin, com milhões de árvores e vegetação florestal derrubadas, combustível ideal em tempo de seca.

© LUSA/ Estela Silva

Num momento em que passa um mês da passagem da depressão Kristin na zona centro, com destaque nas regiões de Leiria e pinhal interior, o investigador do Centro de Estudos Florestais pede um “levantamento rigoroso” do impacto do comboio de tempestades que assolou a região.

“Precisamos de saber a extensão geográfica e a magnitude, o impacto relativo das quedas das árvores”, alertou Akli Benali, salientando que é evidente uma “perda de biodiversidade”, que já se notou no impacto das chuvas das últimas semanas, porque já não há capacidade de absorção da água.

“Há dois perigos, o problema dos acessos florestais que têm de ser limpos e o impacto dentro dos povoamentos”, com pequenos conjuntos de árvores caídas em zonas de difícil acesso, que não é rentável retirar e que podem ser combustível para incêndios.

“Os acessos são um problema relativamente simples de resolver: o que é preciso é colocar máquinas no terreno e abrir caminho” e depois, “toda a biomassa que está a impedir a passagem é varrida para debaixo do tapete, para os limites dos caminhos”, explicou.

Depois de as máquinas abrirem esses acessos, “toda a manutenção da floresta passa a ser possível seja para este ou para os próximos verões”.

Contudo, o “outro perigo é toda a biomassa que caiu nos povoamentos florestais e estamos a aumentar a carga de combustível que pode ser um problema caso ocorra num incêndio”, alertou.

Por outro lado, as chuvas intensas recentes saturaram os solos e podem ser um risco acrescido.

“Se existir mais chuva na primavera, teremos outro risco, porque se mantém a água no solo e a vegetação terá depois radiação solar” essencial para o crescimento exponencial de novos matos.

“Tudo vai depender dos ‘timings’ da chuva e do calor, porque as plantas precisam de radiação solar, água no solo e nutrientes”, explicou.

No “ano passado tivemos uma época de incêndios muito complicada, porque houve chuva na primavera”, recordou Akli Benali, que defendeu um novo olhar para a gestão do território.

“Qualquer acontecimento drástico é sempre um bom momento e um bom catalisador para pensarmos nas coisas e agirmos de forma diferente”, considerou o investigador, que coloca a identificação dos proprietários como uma das prioridades da gestão florestal.

Além de afetar mais de um milhão de pessoas na região centro do país, com particular destaque para Leiria e Santarém, a depressão Kristin consumiu muitos equipamentos públicos e privados, demoliu e danificou casas e infraestruturas de comunicações e de eletricidade, destruindo milhões de árvores pelo caminho.

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